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​Turquia 3 - UE 1: Vitorino faz o Totobola da cimeira de Bruxelas

27 nov, 2015 - 23:00

Migrações, cooperações e permissões de entrada facilitada na União Europeia. Este deve ser o tripé das conversas deste Domingo em Bruxelas entre os chefes de Estado e de Governo da União Europeia e da Turquia. Santana Lopes e António Vitorino antecipam a cimeira extraordinária que marca a estreia de António Costa nas reuniões europeias ao mais alto nível.
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António Vitorino arrisca uma vitória da Turquia sobre a União Europeia no “campeonato” das reivindicações em cima da mesa da cimeira extraordinária entre o bloco europeu e o Governo de Ancara, a realizar este domingo em Bruxelas: “Os europeus vão pedir à Turquia fundamentalmente três coisas. Primeiro, que melhore as condições nos campos de refugiados sírios na Turquia, para conter o fluxo de refugiados. E para isso vão pagar 3 mil milhões de euros. Em segundo lugar, os europeus vão pedir aos turcos que façam um controlo efectivo das suas fronteiras. E, em terceiro lugar, que os turcos assumam compromissos políticos com a Europa no combate ao Estado Islâmico. Há aí um tema sempre muito complexo - a situação dos curdos”, antecipa Vitorino numa breve descrição das intenções da União Europeia.

Para além dos 28 Chefes de Estado e de Governo da União Europeia, estarão presentes o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e do Parlamento Europeu, Martins Schulz. Do outro lado da mesa, bem mais solitário em número, estará o Primeiro-Ministro Turco, Ahmet Davutoglu e não o poderoso e controverso Presidente Erdogan. Uma grande diferença em cadeiras na mesa que pouca importância pode vir a ter no resultado final da cimeira, diz Vitorino. “O caderno reivindicativo turco é bastante mais recheado. Reabertura de três capítulos da negociação da adesão. A liberalização dos vistos para os cidadãos turcos poderem visitar a Europa, por etapas até chegar a uma etapa final de liberalização total. E um conjunto de auxílios financeiros para que a Turquia gira os fluxos de refugiados. Vai ser interessante ver o Totobola das conclusões desta cimeira. Eu acho que vai ser 3-1 a favor da Turquia”.

Mais próximos de Ancara (sem incomodar Moscovo)

Para Pedro Santana Lopes, há um conjunto de compromissos cujo reforço pode ser fundamental para concluir a cimeira em beleza: “Bom resultado é o reforço do compromisso estratégico entre todos, no âmbito da NATO. A manifestação e a reafirmação por parte da União Europeia no aprofundamento dos laços com a Turquia, independentemente da formulação que isso traduza em termos de discurso oficial”. E, naturalmente, o reconhecimento da necessidade de compensar a Turquia pelos esforços imensos que tem que fazer em relação a esta situação dos refugiados. E trabalhar também com a Turquia em termos de controlo de movimentos de fronteiras, apesar da realidade geográfica diferente no que respeita à relação com o continente europeu”, argumenta o antigo primeiro-ministro.

Santana Lopes considera muito importante este movimento de aproximação neste momento à Turquia por parte da Europa: “Não é puxar a Turquia para o lado de cá, mas não deixar a Turquia com a sensação de que está só ou que não está devidamente apoiada”. O antigo chefe de Governo lembra que a Turquia “apesar de todas as suas convulsões internas e todas as diferenças de perspectiva e de opinião” tem sido um aliado do Ocidente em momentos cruciais.

No entanto, Santana aconselha prudência na aproximação a Ancara. “Tem que ser feito agora com habilidade”, diz o antigo líder do PSD numa referência à leitura da cimeira que será feita em Moscovo.

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