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“Deus está antes do dom” e o de Carminho é “abrir portas"

03 dez, 2015 - 22:34 • Maria João Costa

Nas “Conversas sobre Deus”, moderadas por Maria João Avillez, a fadista Carminho falou do seu dom, explicou que a sua vocação não é cantar e confessou que quis ser carmelita.
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“Nasce-se artista”, garantiu Carminho numa conversa numa noite fria em que a Capela do Rato se encheu para ouvir a fadista, não a cantar, mas a percorrer as suas memórias de infância e juventude e a mergulhar na sua fé.

Depois de batalhar com o microfone, Carminho foi respondendo às perguntas que a jornalista Maria João Avillez lhe colocou. Sobre a “luz da sua voz”, a fadista falou de um “dom” e explicou que tinha uma “bênção” de ter descoberto a sua vocação. Mas desenganem-se os que pensam que essa vocação é o fado. Carminho afirma que “a vocação não é cantar” e explicou que a sua vocação está na forma como, através do canto, chega aos outros e conclui: “A minha vocação é abrir portas”.

Questionada sobre se estava a falar de Deus, Carminho disse que sim porque “Deus está antes do dom, o dom foi dado por Ele”. Esta pré-existência manifesta-se através de “pistas” e é preciso “cruzar informação”. A fadista diz não acreditar em coincidências e sublinha que é preciso ler a Palavra de Deus.

Das memórias de juventude, Carminho recordou uma viagem que a levou por paragens tão distantes como a Índia, Timor ou Brasil. Da passagem por Calcutá lembrou que “quis ser carmelita” e riu-se ao concluir que “iria infernizar o Carmelo”. Foi na Índia que se encontrou consigo própria, foi essa a grande revelação dessa viagem que deixou sementes das quais disse ainda hoje estar “a colher frutos”.

Ao falar do Fado, Carminho referiu-se a ele como “uma expressão humana vital” e explicou que precisa de transformar esse “turbilhão em música para poder ir ao supermercado” e ter uma vida normal. Sobre ser artista, considerou ser “uma condição”: “Nasce-se artista, nasce-se com a necessidade de expressar artisticamente aquilo que vai na sua alma”, afirmou a fadista que, num tom mais confessional, disse ter percebido, já depois de ter concluído o curso de marketing e publicidade, que “Deus estaria envolvido com o facto de cantar”.

“Descobrir que cantar é uma vocação é dar importância a esse canto”, disse Carminho que, ao longo da sua viagem por terras distantes, percebeu que Deus estava muito mais presenta na sua vida do que ela imaginava. E descobriu isso a cantar: “Cada vez que eu abrira a boca para cantar Ele estava em mim ou eu tomava mais consciência disso.”

Admitindo ter mau feitio, Carminho terminou a falar da solidão da sua vida artística e concluiu que “por isso Deus é importante”. “É um ponto cardeal, mas também uma montanha russa” explicou Carminho, acrescentando que Deus está sempre a colocar-lhe desafios. A fadista, que teve a avó sentada ao seu lado para que a ouvisse melhor, disse ter a sensação que Deus está em si quando é sincera no que faz e quando não põe o ego em cima e não se coloca à frente da sua arte.

O próximo convidado das “Conversas com Deus” será o jornalista Henrique Monteiro, no dia 9, às 21h30.

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  • rosinda
    05 dez, 2015 palmela 01:55
    gostei muito!
  • rosinda
    05 dez, 2015 palmela 01:50
    eu nao sabia que andre sardet estava ligado a restauraçao!
  • rosinda
    04 dez, 2015 palmela 20:46
    se a memoria nao me falha assisti a um concerto de carminho junto ao convento de mafra!