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Ataque ao coração da Europa abre novos desafios na segurança

20 nov, 2015 - 15:25 • Ricardo Conceição , Celso Paiva Sol

A semana fica marcada pelos atentados em Paris na passada sexta-feira à noite, que provocaram 129 mortos e mais de 300 feridos. Os atentados foram reivindicados pelo autoproclamado Estado Islâmico. O que é o Estado Islâmico e como é que a União Europeia pode lidar com ele foi o que procurámos saber.
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Visto de Bruxelas (20/11/2015)
Visto de Bruxelas (20/11/2015)

O mentor dos ataques, um cidadão belga, que as autoridades francesas pensavam que estava na Síria, estava afinal de contas em Paris, em Saint Dennis, e foi morto no raide policial de quarta-feira.

A Europa ficou em choque. O Presidente Francês já apelou à criação de uma aliança internacional de combate ao terrorismo e, para perceber melhor a estratégia do “Daesh”, a Renascença falou com Armando Marques Guedes. Este professor na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa e no Instituto de Estudos Superiores Militares.

Armando Marques Guedes diz que o autoproclamado Estado Islâmico mantém-se fiel à estratégia que desenhou nos vazios provocados: primeiro pelo derrube do regime iraquiano e, depois, pelo falhanço da “Primavera Árabe”.

Nesta conversa com o jornalista Celso Paiva, o especialista em assuntos internacionais diz que, no Próximo e Médio Oriente, os planos seguem como previsto. Tal como na Europa, mesmo que com calendários e prioridades diferentes.

Armando Marques Guedes está convencido que o aumento de atentados no Ocidente “não é um sinal de maior capacidade do autoproclamado Estado Islâmico”. É, em vez disso, “uma reacção ao cerco que lhe está a ser montado no terreno, mais precisamente no território que já ocupa”.

No fundo trata-se de “uma espécie de defesa em forma de ataque, que não implica no entanto qualquer desvio na estratégia desenhada pela organização”, pelo menos desde 2011. Até porque financiamento não falta. O dinheiro não é problema, e os recursos humanos também não. Recrutar na Europa, já não há qualquer dúvida, “tem sido bastante fácil”, afirma este especialista.

Praticamente os mesmos argumentos têm tornado ainda mais fácil recrutar nos países do grande Médio Oriente. Neste capítulo, Armando Marques Guedes chama a atenção para a Rússia, protagonista que considera “decisivo neste xadrez geopolítico a vários níveis”, incluindo a gestão que faz das ameaças que tem dentro do seu próprio espaço de influência.

Mas a agenda russa vai mais longe. E já se nota claramente no outro grande problema - e desafio - que a Europa enfrenta actualmente: a crise dos refugiados. E, se o acolhimento de refugiados já revelava evidentes dificuldades de uma União Europeia dividida, “os atentados em Paris vieram complicar ainda mais o processo”.

Armando Marques Guedes defende uma rápida mudança de atitude por parte da União Europeia, verdadeiramente defensiva das suas fronteiras e interesses, que se coordene de forma mais concreta e eficaz com os Estados Unidos.

Quanto ao autoproclamado Estado Islâmico, não tem dúvidas que “o que está em curso é uma guerra, e como tal, a solução terá que ser militar”.

Quem novas medidas pode a UE tomar?

A esta hora em Bruxelas, os ministros da Justiça e do Interior estão reunidos para discutir medidas a tomar para fazer face à ameaça terrorista. O ministro francês quer alterações a Schengen, com um controlo mais efectivo nas fronteiras.

A Comissão Europeia não concorda com as intenções de França, embora assuma que há aspectos que podem e devem ser melhorados no controlo das fronteiras externas da União Europeia.

Esta semana pela primeira vez foi activada uma cláusula dos tratados europeus: a França invocou na terça-feira a “cláusula de defesa mútua” e, entretanto, o Presidente Francês vai na próxima semana a Washington e a Moscovo para encontros com Barack Obama e Vladimir Putin.

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