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​Esqueça as câmaras. O chão que pisa pode vigiar os seus passos

10 nov, 2015 - 10:21 • André Rodrigues

Alunos da UBI desenvolvem um sistema que promete revolucionar a vigilância de espaços públicos: sem recurso a câmaras de videovigilância, um chão com sensores de pressão regista os passos de quem passa. A ideia foi premiada por uma conhecida empresa de segurança privada e está em fase experimental.
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Imagine um espaço público onde a vigilância passa a ser feita não através de câmaras mas a partir do chão que pisa. A tecnologia é 100 por cento portuguesa e está a ser desenvolvida por três alunos de engenharia informática e electrónica da Universidade da Beira Interior (UBI). Trata-se de um piso "inteligente" que, através de sensores de pressão, permite conhecer o trajecto de uma pessoa, por exemplo, no interior de um centro comercial ou de uma repartição pública.

"O protótipo que nós temos está assente em botões de pressão, portanto cada vez que pisarmos um mosaico de chão ele envia um sinal à nossa unidade de processamento", explica Rita Cerqueira Pinto, responsável pela parte física do projecto que permite, de forma totalmente anónima, acompanhar o trajecto que determinada pessoa faz dentro no interior de um edifício.

"Por exemplo, um supermercado", começa Cristiano Gonçalves Ramos. "Vamos ter conhecimento sobre quais são os corredores mais frequentados pelos clientes, desde a porta de entrada até à fila de caixas"

O método promete inovar na prevenção de situações de intrusão. "Se for realmente detectado um possível assalto, o que acontece é que com toda a tecnologia subjacente, poderemos bloquear portas e não vai haver maneira do assaltante sair do edifício", exemplifica.

Não se trata de substituir intervenção humana por um qualquer sistema, por mais inovador que seja. Rita Cerqueira Gomes sublinha que "a tecnologia pode ser crucial para complementar o trabalho dos seguranças de espaços públicos. Podemos, voltar novamente ao exemplo do supermercado: muitos têm apenas um segurança para toda a loja, o que é claramente insuficiente. Se nós conseguirmos efectivar o trabalho dele, não estamos a substitui-lo. Estamos a prevenir incidentes, como furtos ou desacatos".

A mão-de-obra de instalação deste piso inteligente é barata e o material é duradouro. Falta aperfeiçoá-lo. Nesta fase, os investigadores tentam conhecer "o limite mecânico perante uma situação de multidão, mas a parte de software já está avançada", diz Rita Cerqueira Pinto.

Este pavimento foi premiado por uma conhecida empresa de segurança privada. Quatro mil euros foram atribuídos a cada um dos três autores do projecto. Dois mil destinam-se a uma bolsa de investigação atribuída ao docente orientador da equipa.

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