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Escândalo Volkswagen. 15 respostas para 15 perguntas

02 out, 2015 - 21:32 • João Carlos Malta

Há 15 dias, o mundo foi sacudido por um terramoto no sector automóvel. O epicentro foi nos Estados Unidos, mas as réplicas fazem-se sentir no mundo inteiro. Uma fraude no sistema de emissão de gases poluentes que está a “pintar” em tons negros o futuro próximo da maior construtora de automóveis da Europa.
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Tudo começou nos Estados Unidos da América, alastrou por todo o mundo e pode estar em sua casa se tiver um carro de uma marca do grupo Volkswagen.

São 15 dias resumidos em 15 perguntas e respostas, de um acontecimento que já marcou a história da marca alemã e que dificilmente não mudará radicalmente o sector automóvel.

O que é que motivou este escândalo Volkswagen?

A Volkswagen, pelo menos nos últimos cinco anos, introduziu na programação informática (software) de vários modelos com motorização a gasóleo um algoritmo que detectava quando o carro estava a ser submetido a testes em laboratório.

Assim, a redução de emissões poluentes era automática e a passagem nos testes estava garantida. Mas quando os carros eram utilizados em condições reais, as emissões podiam ir até 40 vezes mais do que os limites legais nos EUA (país em que os limites são inferiores aos da Europa).

Como foi descoberto o kit fraudulento?

A investigação pelas autoridades dos EUA às emissões poluentes começou há cerca de ano e meio, em Maio de 2014. A 18 de Setembro, a agência Environmental Protection Agency (EPA) chamou a atenção de todo o mundo ao acusar de estar a deturpar os resultados das emissões de gases dos seus carros a gasóleo. Agora, sabe-se que a mesma informação também teria sido facultada à Comissão Europeia, que no entanto não avançou para nenhuma investigação.

Quais os carros que foram vendidos com este dispositivo?

Na gama Volkswagen usaram-se diferentes versões do Polo, Golf, Scirocco, Beetle, Eos, Jetta, Passat, CC, Touran, Sharan, Tiguan, Amarok, Caddy e Multivan.

Também foram equipados nos Audi A1, A3, TT, A4, A5, A6, Q3 e Q5; nos Seat Ibiza, Leon, Toledo, Exeo, Altea, Altea XL e Alhambra; e nos Skoda Fabia, Spaceback, Rapid, Octavia, Scout, Superb, Roomster e Yeti.

Qual o universo de carros que está afectado em Portugal?

Em Portugal, o importador das marcas Volkswagen, Audi e Skoda admitiu que estão em causa 94.400 unidades e já mais recentemente, a Seat, também do grupo Volkswagen, acrescentou 23 mil carros, o que eleva para 117 mil as unidades afectadas pelo dispositivo manipulador.

O que deve fazer quem tem um carro que presumivelmente está dentro deste universo?

Deve contactar um concessionário da marca para solicitar mais informação. Pode também contactar uma instituição de defesa do consumidor se tem intenção de colocar em tribunal a marca, seja em acção colectiva ou particular. O normal será esperar que o fabricante o contacte para uma chamada às oficinas para reajuste do motor.

Esta chamada às oficinas será suportada pelo proprietário?

Não. A Volkswagen anunciou que a alteração será completamente gratuita para os proprietários dos automóveis. O novo administrador do grupo, Matthias Mueller, revelou que os carros equipados com o “software” que falseava o desempenho dos motores vão ser chamados à oficina. Os clientes vão ser contactados nos “próximos dias”.

Pode vender o meu automóvel usado mesmo sendo uma das unidades afectadas pelo escândalo?

Sim, porque a marca irá contactar o novo proprietário quando o automóvel for chamado às oficinas. Mas existe o risco de o carro se desvalorizar devido aos danos da imagem de marca.

A modificação técnica nas oficinas poderá ter consequências nas prestações ou no consumo do carro?

Ainda que a Volkswagen afirme que não, tais consequências não se podem descartar devido à natureza da programação usada nos dispositivos manipuladores. Se quiser baixar drasticamente as emissões, a quantidade de gasóleo queimada deverá ser maior, gerando mais consumo e, provavelmente, prestações diferentes das atuais.

Haverá problemas na Autoeuropa?

O Governo português recebeu no fim da semana que acabou a garantia da Volkswagen de que até 7 de Outubro o grupo vai ter um plano detalhado para a correcção das emissões fraudulentas, onde não há referências ao impacto na produção da Autoeuropa.

O ministro da Economia, Pires de Lima, revelou ter recebido uma carta do novo presidente do grupo Volkswagen com a garantia de "um plano detalhado para a correcção de todas estas ilegalidades até 7 de Outubro e que assumirá obviamente os custos de toda esta fraude".

As emissões em causa, os óxidos nitrosos (NOx), são perigosas?

Ainda que tradicionalmente se dê mais atenção ao dióxido de carbono, o CO2, ou ao monóxido carbono, nos últimos tempos cresce a preocupação à volta dos óxidos de nitrogénio, o NOx, relacionados a curto prazo com ataques de asma e irritação das vias respiratórias, e a mais longo prazo com doenças cardiovasculares e respiratórias de tipo crónico.

Os NOx podem fazer uma reacção com outros compostos, formando nanopartículas que, dentro do aparelho respiratório, causam ou agravam bronquites ou enfisemas pulmonares.

O que está a fazer o governo português?

O ministro da Economia anunciou a criação de um grupo de trabalho para assegurar a monitorização das acções decorrentes da fraude da Volkswagen.

A Volkswagen vai ter de indemnizar o Estado?

Pires de Lima afirmou que o Estado vai zelar pelo cumprimento das obrigações fiscais da Volkswagen, caso seja detectada a existência de impostos que não foram pagos.

"Como é óbvio, todos os incumprimentos, tanto do ponto de vista ambiental, do ponto de vista fiscal como de outra natureza, que possam ter existido têm de ser corrigidos", disse o ministro da Economia.

Que consequências e custos terá para a Volkswagen?

O escândalo de manipulação de emissões poluentes do grupo Volkswagen já está a ter um efeito negativo na produção de motores e no braço financeiro da empresa, a VW Financial Services.

Uma porta-voz da fábrica de motores da localidade de Salzgitter disse que a unidade fabril reduziu um turno extraordinário semanal para baixar a produção.

A filial de serviços financeiros, a Volkswagen Financial Services, vai interromper as novas contratações até ao final do ano, revelou um porta-voz, sendo que cerca de 30 contratos temporários que expiram este ano já não serão renovados.

A Volkswagen já fez provisões de 6,5 mil milhões de euros, mas os analistas pensam que a factura pode ser superior.

Na totalidade, serão cerca de 11 milhões de veículos a serem recolhidos pela marca para alterar.

O resto da indústria passará incólume?

O estudo, da autoria da European Federation for Transport and Environment (AISBL), entidade que trabalha com a Comissão Europeia, revela que a Volkswagen "é ponta do iceberg" e que a "Mercedes, BMW e Peugeot distorcem dados".

A Volkswagen "foi a primeira a ser descoberta, mas está longe de ser a única gigante da indústria automóvel a manipular os testes de emissões de gases poluentes".


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  • Carlos Manuel Rosa
    26 jan, 2018 Gala figueira da foz 17:41
    Sabendo eu que a mudança do software que colocam no meu golf vai-me prejudicar com avarias que possam surgir eu mesmo assim sou obrigado a levar o meu golf.Sabendo eu que a vw não se responsabiliza por nada
  • 07 out, 2017 22:54
    E Agora quem me vai indemnizar? a ww diz que faz tudo a borla mas temos que perder tempo e deslocações ! Recebi já 2 cartas para lá ir ,porque senão enviam a matricula do meu carro para o imtt para me denunciar que eu não quero lá ir fazer o tal teste !!!? porque é que eles não o fizeram antes de me vender o carro ???paga zé e cala-te zé
  • Sergio soares
    31 dez, 2016 Arcos de valdevez 20:50
    Tenho um Seat leon nesta situação. Já recebi a notificação para o levar para reprogramar. Alguém n pode esclarecer se sou obrigado a levar. ?
  • Antonio Garcia
    12 nov, 2015 Moita 20:08
    Aprecio os produtos VW, (não possuo qualquer viatura com esta marca) pois todas as marcas alemãs e de todos os produtos, são um exemplo para o mundo, devido à alta qualidade de fabrico e ao rigor de qualidade. No entanto e por vezes, devido as funcionários sem escrúpulos, e com o intuito de denegrir a imagem da marca, (não tenho conhecimento das razões) e à revelia dos próprios gestores, provocam estes descalabros. No entanto, não há fumo sem fogo, e nos USA é que foi detetado o problema, e por sua vez a notícia foi imediatamente disponibilizada em todos os órgãos noticiosos para o mundo. Há já outras marcas em que se suspeita que usem o mesmo estratagema, para adulterar os níveis de poluição provocados nos motores a diesel. A minha questão é que se façam testes também (pela própria VW ou outros fabricantes) a motores fabricados nos USA. Quase de certeza que se vão encontrar resultados muito piores nesses motores, e se deveria da mesma maneira publicitá-los nos meios de comunicação social. Recordo que nos USA ninguém se preocupa com o consumo dos carros, o que interessa é potência e durabilidade, e os consumos andam na maior parte das marcas, acima dos 10,12, 15 e 20 litros por cada 100 KM, já não indicando os grandes camiões de 10 ou mais rodados. Portanto na minha opinião, é uma falsa questão, sendo o USA um dos maiores poluentes do universo. Este caso, tem a vantagem de alertar a opinião pública, para os problemas de saúde que advêem da poluição provocada pelos motores.
  • Fernando
    20 out, 2015 Viana do Castelo 16:37
    Vocês são tão aldrabões como a VW. O que a notícia diz é :...garantia da Volkswagen de que até 7 de Outubro o grupo vai ter um plano detalhado para a correcção das emissões fraudulentas. Ter um plano detalhado não é...garantia da Volkswagen de que até 7 de Outubro o grupo vai ter um plano detalhado para a correcção das emissões fraudulentas. É completamente diferente do que diz a notícia que é ...VW garante correcção das emissões fraudulentas até 7 de Outubro. Todos falam e escrevem com total ignorância do assunto.
  • Paulo Ramos
    16 out, 2015 Barreiro 17:18
    "Também foram equipados nos Audi A1, A3, TT, A4, A5, A6, Q3 e Q5; nos Seat Ibiza, Leon, Toledo, Exeo, Altea, Altea XL e Alhambra; e nos Skoda Fabia, Spaceback, Rapid, Octavia, Scout, Superb, Roomster e Yeti." É preciso fundamentar bem o que se escreve: os modelos indicados para a Skoda: Spaceback e Scout não existem. São apenas configurações de quase todos os outros modelos. Tal como existe o Audi ALLROAD.
  • J. Vitorino
    04 out, 2015 Joaquim Vitorino 14:59
    Os efeitos são praticamente irrelevantes, se comparados com o parque de automóveis caducos e poluentes existente em Portugal. A Exemplo, Nova Deli na India ou Ho Chi Minh no Vietname, poluem mais num dia que o nosso país num ano. Aqui a questão de fundo, foi a vigarice em vender gato por lebre; ao falsearem os dados do motor. Evidentemente que milhares destes motores a trabalhar em simultâneo numa Cidade pouco arejada que não é o caso de Lisboa e Porto, fazem mossa. Quanto aos carros equipados com o motor EA189, são excelentes e de grande fiabilidade.
  • Américo Silva
    03 out, 2015 Algés 08:34
    Gostaria de saber se a carga fiscal que incide sobre os possuidores destes carros vai ser ou não aumentada, já que estes são favorecidos com o sftware fraudulento.
  • Paulo Plantier
    03 out, 2015 mem-martins 02:56
    Se queremos entender a razão de certos problemas torna-se necessário ir ao âmago e essência dos mesmos. Esta questão, embora possa não perecer está associada aos BPN, BES, Madoff,etc e resulta do estabelecimento de um modelo conceptual debaixo do qual nos regemos e que está subvertido. No sec xv, deu-se início na Europa a um movimento que se traduziu num desenvolvimento nas artes, literatura, ciência, etc que mais tarde veio a ser reconhecido pelo Renascimento. É evidente que se trata do renascimento do HOMEM, pois até essa data, quem esteve situado no centro do universo foi Deus sendo para ele que eram canalizadas todas os benefícios.e prerrogativas. Na modernidade,. a nossa civilização, efectuou novo descentramento deslocalizando o HOMEM desse centro para aí colocar as instituições no pressuposto estúpido que seriam elas que procederiam a uma melhor distribuição das riquezas. De imediato criámos um novo tipo de fenómeno que posso descrever pelas seguintes palavras: a violência das instituições sobre o indivíduo. Hoje, perante uma instituição seja ela do tipo que for, podemos ter todas as razões do mundo, argumentar da melhor forma possível, quando nos quisermos queixar, vamos ter três opções: Totta, Camões ou S.Pedro. Hoje, às instituições tudo lhes é permitido. Elas despedem, elas deslocalizam-se, pôem e dispôem a seu bel prazer, ninguém as controla,ninguém as fiscaliza, agem impunemente e ninguém lhes pede responsabilidades por coisa alguma. Urge criar RENASCIMENTO 2