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Passos nega "ocultação de contas" e apoia ministra. "Teria feito o mesmo"

29 set, 2015 - 12:22

Governo mandou alterar as contas da Parvalorem para que os prejuízos fossem menores? Passos Coelho alega que há interesse em encontrar notícias incómodas e Maria Luís explica que a tutela não tem poder para alterar contas das empresas que supervisiona.
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Passos nega "ocultação de contas" e apoia ministra. "Teria feito o mesmo"

O primeiro-ministro nega que tenha existido "uma ocultação de contas" na Parvalorem, relacionadas com o Banco Português de Negócios. Numa acção de campanha da coligação, em Cantanhede, Passos Coelho reagia à notícia divulgada esta terça-feira, pela Antena 1, que dava conta de indicações dadas por Maria Luís Albuquerque, quando era secretária de Estado, para esconder prejuízos do antigo BPN de forma a não agravar as contas do défice de 2012.

Segundo a notícia, quando Maria Luís Albuquerque soube, em Fevereiro de 2013, que as contas da empresa pública que ficou a gerir os activos de má qualidade do ex-Banco Português de Negócios (BPN) apresentavam perdas de 577 milhões de euros com créditos em riscos de incumprimento, o que iria agravar o défice orçamental, fez o pedido à administração da empresa pública.

Pedro Passos Coelho nega a existência de algum tipo de ocultação de contas e garante que o que está em causa são “expectativas de perdas”. O primeiro-ministro foi também no peremptório no apoio a Maria Luís Albuquerque: “Fez muito bem, eu teria feito o mesmo”.

Ministra questionou empresa sobre expectativas "pessimistas"

A ministra das Finanças admitiu ter questionado a Parvalorem, empresa que gere os activos tóxicos do ex-BPN sobre as expectativas "demasiado pessimistas" sobre os prejuízos de 2012, mas rejeitou novamente qualquer espécie de manipulação. “Não é possível à tutela dar instruções para que as contas possam ser feitas de uma maneira”, afirmou.

Em declarações aos jornalistas, a governante admite um contacto com a Parvalorem, mas não para dar instruções de ocultação. "O que eu perguntei foi se a expectativa de cobrança de créditos não estava a ser demasiado negativa face àquilo que eram as nossas previsões de actividade económica", disse na Moita.

"Quando essas perdas ou ganhos se materializam são sempre registadas nas contas da empresa e são sempre registadas nas contas públicas. Não é nada que se possa ocultar, disfarçar, manipular de alguma forma", frisou.

Querem encontrar coisas incómodas

Nas declarações aos jornalistas, à margem de uma acção de campanha da coligação PSD/CDS-PP em Cantanhede, no distrito de Coimbra, o presidente do PSD e primeiro-ministro afirmou: "À medida que a campanha vai avançando, há um certo interesse em poder encontrar coisas que podem eventualmente ser incómodas, nomeadamente para o Governo".

Questionado sobre quem é que tem esse interesse, o presidente do PSD respondeu: "Não faço processos de intenção. Não. Estou a dizer que é natural, é da campanha. Desta vez até veio de um jornalista da Antena 1 que fez um trabalho de investigação. Por que é que ele acabou por ter tanto interesse e [o assunto] ser colocado como ocultação de prejuízos que não existiram? Porquê?".

Numa primeira explicação dada pela tutela, o Ministério das Finanças rejeita "qualquer manipulação ou ocultação de contas" da Parvalorem, empresa gestora dos activos tóxicos do ex-BPN, para que os prejuízos fossem menores em 150 milhões de euros. "O registo contabilístico de imparidades é função de estimativas de perdas futuras em créditos existentes", acrescentando que "as imparidades são avaliadas e validadas pelos auditores das empresas de acordo com os critérios definidos para o efeito e adequadamente reflectidas nas contas", diz o comunicado.

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