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Tudo empatado nas sondagens. Parece Portugal, mas é a Grécia

20 set, 2015 - 09:48 • José Pedro Frazão

Pedro Santana Lopes e António Vitorino tomam nota da subida da Nova Democracia com um líder provisório e receiam grande desgaste no sistema político grego, sujeito ao terceiro acto eleitoral nacional do ano. Temas debatidos no mais recente "Fora da Caixa".
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A Grécia vai este domingo a votos para escolher um novo Governo. O cenário é muito parecido com o que se vive em Portugal no arranque da campanha para as eleições legislativas. António Vitorino anota as semelhanças, mesmo introduzindo o bónus de 50 deputados para o vencedor, de acordo com a lei grega.

"Ganhe quem ganhar não terá maioria. Aparentemente, ganhe quem ganhar, nem com o bónus chegará à maioria absoluta. E portanto haverá necessidade de formar uma coligação a seguir às eleições", antecipa o antigo comissário europeu.

A forma definida na Constituição grega para formar Governo é também alvo da ironia do antigo ministro do PS. "O sistema grego é curioso, por etapas. Convidam primeiro o partido mais votado a formar Governo. Há esta escadinha. É o primeiro? Vai lá. Tenta. Não consegue? Vai ao segundo. Talvez seja conveniente os portugueses habituarem-se a estas lógicas ...", diz, com um grande sorriso, no programa "Fora da Caixa" da Renascença.

Santana admite vitória de centro-direita

Vangelis Meimarakis é o nome do homem que encabeça a lista da Nova Democracia. Mesmo sendo um líder provisório, conseguiu estreitar a diferença para o Syriza até um empate nas sondagens.

Santana Lopes não arrisca vaticínio, mas desconfia que haverá mudanças no poder. "Este movimento a favor da Nova Democracia, com um líder provisório, não sei se não vai dar vitória".

Já António Vitorino argumenta que se o centro-direita também não dispara, fica claro que a Nova Democracia "não se refez da imagem de comprometimento das austeridade anterior e com tudo o que sistema grego traz do passado".

Cisão no Syriza vale pouco?

O antigo ministro socialista António Vitorino diz que é "apressado" dizer que o acordo alcançado com os credores em Julho terá reforçado a ala radical do Syriza.

"O partido radical que sai da cisão do Syriza está com 3% nas sondagens. Está aliás na iminência de não ter o mínimo necessário para poder ter deputados no Parlamento. A ala radical do Syriza saiu e perde, aparentemente, porque está com uma votação ínfima. O Syriza paga o preço das ilusões que criou e que desiludiu", sustenta António Vitorino, um socialista que não tem problemas em afirmar que o Pasok, partido socialista grego, "morreu".

A estratégia de Tsipras de provocar eleições antecipadas antes da chegada em força da "nova" austeridade pode não ter compensado, admite Vitorino, que vê uma dinâmica do Syriza a caminhar para o centro político. "A evolução deste Tsipras actual vai no sentido de tentar agora uma reaproximação a um centro-esquerda tradicional dentro da política grega", acrescenta Vitorino.

Já Pedro Santana Lopes sublinha a dureza do percurso politico de Tsipras desde o início do ano. "Passou por um período muito conturbado. Afirmou-se, mostrou algumas capacidades, mas foi duro o que se passou, em termos de credibilidade", observa o antigo primeiro-ministro.

Eleitores desencantados

A chuva de leitura das sondagens que revelam empate entre Syriza e Nova Democracia pode estar num sentimento mais profundo e transversal.

"Abstenção. Desencanto no sistema, mais do que outra coisa qualquer", dispara António Vitorino que receia que o grande desgaste seja do sistema politico grego. Que opções têm esses desiludidos ? "As pessoas vão para a abstenção ou, não tão poucos infelizmente, para a extrema-direita da Aurora Dourada, que aparece agora como o terceiro partido mais votado", remata Vitorino no programa de debate de temas europeus que vai para o ar nas noites de sexta-feira na Renascença.

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