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Portugal pode cumprir a meta europeia da sinistralidade para 2020?

01 abr, 2015 - 14:10 • Ana Carrilho/Liliana Carona/Manuela Pires

Os dados mais recentes da Comissão Europeia mostram que o número de mortos nas estradas portuguesas diminuiu o ano passado. Mas houve um abrandamento da descida da taxa de vítimas rodoviárias, quer em Portugal quer na média europeia. A Comissão Europeia considerou estes dados "decepcionantes" e hoje olhamos para eles.
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Os dados mais recentes divulgados pela Comissão Europeia indicam que o número de mortos nas estradas portuguesas diminuiu o ano passado. Baixou 3% em relação ao ano anterior.

Os dados divulgados a semana passada por Bruxelas revelam que, de 2013 para 2014, verificou-se um abrandamento na descida da taxa de vítimas rodoviárias, quer em Portugal quer na média europeia. Por exemplo, em Portugal, as mortes diminuíram 9% de 2012 para 2013, quando em 2010 tinha diminuído 34%.

É por isso que a Comissão Europeia considerou estes dados decepcionantes, uma vez que após dois anos de uma diminuição sólida do número de mortos nas estradas da Europa, o ultimo balanço indica apenas uma redução de 1%. De 2012 para 2013 tinha sido de 8% e 2010 para 2011 tinha sido de 19%.

Quer Portugal quer a Europa estão longe de cumprir o objectivo estratégico: reduzir para metade as mortes na estrada entre 2010 e 2020. 

A Renascença fez-se à estrada numa zona do país com um elevado registo de acidentes mortais. De resto, durante muitos anos, o IP5 foi mesmo conhecido como a “estrada da morte”. Em 2006 transformou-se em A25. A sinistralidade baixou, mas ainda há acidentes que deixam marcas em muitas famílias, como pôde constatar a repórter Liliana Carona.

Fernando Pedro Moutinho, vice-presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, esteve em estúdio para analisar os números e comentar a reportagem. Nela se ouviu, por exemplo, o presidente da Câmara de Viseu pedir mais infra-estruturas, nomeadamente no IP 3, onde ainda há muitas estradas em mau estado.

Fernando Pedro Moutinho falou, ainda, dos dados divulgados a semana passada por Bruxelas, que mostram que o número de mortes nas estradas portuguesas caiu 3%.

Já a Europa, no seu todo, definiu para si própria metas muito ambiciosas: reduzir para metade o número de mortos nas estradas em 10 anos, mais concretamente entre 2010 e 2020. A concretização desse objectivo parece estar a correr bem. As reduções anuais mostram que será possível. Mas, no caso concreto de Portugal, há dúvidas sobre se a meta vai ser atingida em 2020.

“Vamos atingir essa meta. Temos 62 mortos por milhão de habitantes em 2014 o que, face aos 46 por milhão que se pretendem em 2020 estará ao nosso alcance”, afirma.

Melhoram os níveis tradicionais da sinistralidade, mas cresce a preocupação com novos factores, como os peões e os ciclistas. E tudo isto, sobretudo, dentro das cidades, onde parece ter aumentado a sinistralidade. Fernando Pedro Moutinho explica que “o comportamento em relação aos ciclistas mostra menos mortalidade, apesar de o uso da bicicleta ter aumentado. Houve mais feridos graves e ligeiros”.

“Os ciclistas não têm a preocupação que deviam ter porque são equivalentes a automobilistas, que passam sinais vermelhos, que circulam à noite sem luzes e que ainda não perceberam que têm mais direitos agora, mas também mais deveres”, acrescenta.

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