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​Formação precisa-se. Há polícias e juízes “habituados a banalizar violência sobre as mulheres”

14 set, 2018 - 11:00

A Coimbra Business School criou o primeiro curso em Portugal para ajudar a "desconstruir estereótipos e preconceitos de género".
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A Coimbra Business School criou o primeiro curso em Portugal para formar profissionais das áreas da segurança, justiça e saúde que têm que lidar com casos de violência doméstica ou de género.

“Vamos desconstruir estereótipos e preconceitos de género porque, infelizmente, ainda é bem patente na nossa sociedade a questão do preconceito e dos estereótipos”, explica Sónia Costa, uma das coordenadoras do curso.

“Muitos portugueses, nomeadamente magistrados, juízes, órgãos de polícia criminal, de acordo com as suas crenças pessoais e experiências de vida, ainda estão muito habituados a banalizar a violência que é cometida sobre as mulheres”, garante.

Nestas declarações à Renascença, explica que a ideia surgiu da constatação de que estes profissionais não têm formação especifica nesta área e que isso nem protege as vitimas, nem ajuda nas investigações.

“Ainda existem muitas lacunas no que diz respeito às intervenções no contexto da violência, não só na perceção do problema, como nas intervenções que sejam necessárias desenvolver. Estamos a falar da capacitação destes profissionais nomeadamente na sinalização e na deteção de alguns sinais que demonstram violência, porque uma queda nem sempre é uma queda”, explica.

Sónia Costa diz que o foco principal do curso “centra-se no contributo para a diminuição do fenómeno da violência doméstica, da violência de género e da violência sobre as mulheres em Portugal, que é atualmente tenebroso”.

O curso tem o aval da Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade, seguindo a estratégia de que nunca serão demais as iniciativas que melhorem a prevenção e combate a este tipo de violência.

De acordo com os dados atualizados esta semana pela UMAR – a Associação União de Mulheres Alternativa e Resposta, só este ano já foram assassinadas 21 mulheres.

Os agressores são antigos ou atuais companheiros, bem como familiares muito próximos.

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