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Portugueses na Carolina do Norte preparam-se para o furacão

13 set, 2018 - 16:41

Ana Carvalho tem viagem marcada para Lisboa na sexta, mas pode ficar em terra. Teme deixar a filha e os cães para trás, mas, “não podemos sofrer por antecipação”.
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Há cerca de 200 portugueses espalhados pela Carolina do Norte, segundo Ana Carvalho, que se prepara para sofrer o impato direto do furacão Florence.

A cidadã portuguesa, há 20 anos naquele Estado americano, diz que a comunidade tem-se mantido em contacto, através de um grupo no Facebook. Normalmente usam-no para trocar dicas sobre onde comprar bacalhau de qualidade, ou outras iguarias que ajudam a matar as saudades, mas por estes dias um tema domina as conversas.

O furacão Florence, um dos mais fortes de que há registo a atingir a costa Leste dos EUA, já se começou a fazer sentir na Carolina do Norte e Carolina do Sul, embora os efeitos mais fortes ainda estejam para vir.

As zonas costeiras foram evacuadas e Ana Carvalho explica que cuidados estão a ter o resto dos habitantes. “Temos de ter água para pelo menos três ou quatro dias; ter cuidados com os animais, como eu por exemplo, que tenho cães; ter gasolina, porque sem gasolina não podemos fugir para lado nenhum; ter comida enlatada… Eu pessoalmente não como enlatados, mas tento fazer comida que seja fácil de manter no congelador, porque se não se abrir muito o congelador a comida aguenta vários dias; ter pilhas, para ter lanternas e luz, no caso de não haver eletricidade. Eu inclusivamente tenho um pequeno gerador”, diz.

Um furacão destas dimensões nunca é bem-vindo, mas no caso de Ana Carvalho o timing não podia ter sido pior. Tinha já viagem marcada para Lisboa na sexta-feira, porque tem a mãe doente e teme que seja cancelado. Contudo, mesmo que viaje, será com o coração nas mãos, pois deixa a na Carolina do Norte “a filha e os cãezinhos”.

“Vou deixá-los para trás e fico preocupada, não gosto de a deixar. A minha filha já tem 30 anos, mas sou uma mãe muito portuguesa”, admite.

Contudo, acaba por dizer que está tranquila. Este não é o primeiro furacão que atinge a Carolina do Norte desde que lá reside e como vive mais longe do mar em Raleigh, a capital, os estragos não devem ser muito grandes. “Estou tranquila, é o que é. Não podemos estar a sofrer por antecipação. Temos é que nos preparar da melhor maneira e depois, seja o que for”.

“Consegue ouvir o vento?”

A três horas da costa, na cidade de Raleigh, a capital do estado da Carolina do Norte, vive Ana Teresa Galizes, uma portuguesa que contou à Renascença como se tem vivido a chegada do furacão Florence.

O barulho de fundo da chamada é irreconhecível: “Consegue ouvir o vento?”, pergunta Ana. “Aqui na minha zona, o que nos preocupa é as árvores serem derrubadas pelo vento, bloquearem as estradas e caírem em cima das casas e dos carros. É isso com que estamos preocupados. Somos capazes de nem sentir mais nada para além disso”.

Raleigh deixou de estar diretamente no caminho do furacão. A mais de 200 quilómetros de Wilmington - uma das cidades que irá sentir o furacão com mais intensidade - o perigo não é tanto e ainda se vêm pessoas na rua, mas as filas são muitas e há bens essenciais esgotados.

“Não há pão, nem água, nem leite. Normalmente são sempre as mesmas coisas que as pessoas vão comprar”, conta a portuguesa. “Há muitas filas para pagar nos supermercados e também para pôr gasolina. Quem tem geradores, caso fiquem sem eletricidade, vai precisar da gasolina para os usar.”

"Acho que algumas pessoas já estiveram a preparar as casas, a tirar objetos que estivessem cá fora e a guardar tudo nas garagens. Há pessoas que estão em zonas onde há perigo de cheias e essas pessoas estão a encher sacos de areia e a pôr à volta da casa. Mais para a zona da costa, há pessoas que estão a pôr madeira à frente das janelas", explica.

O furacão Florence já fez com que mais de um milhão de pessoas abandonasse as suas casas, após ordem de evacuação. “Acho que as pessoas levaram muito a sério”. Para Ana Teresa, a memória da destruição do Furacão Fran, que matou mais de 20 pessoas, está ainda muito acesa.

[notícia atualizada às 19h10]

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