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Foi ao Japão, apanhou um terramoto e um tufão. Na volta, trouxe a medalha de prata nas Olimpíadas de Informática

13 set, 2018 - 14:18 • Olímpia Mairos

Kevin Pucci tem 17 anos e arrecadou a melhor classificação de sempre de Portugal na prova.
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Kevin Pucci, aluno a iniciar o 12.º ano no Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins, em Chaves, alcançou o melhor resultado de sempre para Portugal, na 30.ª edição das Olimpíadas Internacionais da Informática, que decorreu entre 1 e 8 de setembro na cidade de Tsukuba, no Japão.

Já está de volta a casa depois da experiência que considera ter sido "única e bastante positiva". Em entrevista à Renascença, Kevin Pucci admite que "não estava a contar com uma medalhar de prata", um feito que exigiu "muito autocontrole durante as horas de prova."

Portugal, que participa na competição desde 1992, acumula agora no seu histórico uma medalha de prata e oito medalhas de bronze, duas em 2017, uma em 2016, duas em 2012, uma em 2011, uma em 2009 e uma em 2002.

Portugal participa neste evento desde 1992, com os melhores alunos, selecionados através das Olimpíadas Nacionais de Informática, organizadas pela APDSI.

Como é conquistar a prata em informática?

Não é todos os dias que se vai para o Japão e se traz a prata para casa. Eu não estava a contar com uma medalha de prata. Há muitos países que são bons e que têm muito treino, mas a prova correu bem e acabei por ficar com a medalha de prata.

E é mesmo um feito para Portugal…

Sobretudo quando se traz a prata pela primeira vez é uma felicidade imensa. Marcar essa diferença, nunca termos tido prata, e agora já termos, é algo que é muito difícil e que precisa de muito autocontrole durante as horas de prova.

Como descreve a experiência?

A experiência foi única e bastante positiva, a viagem muito gira e contactar com outras culturas foi extraordinário.

Durante dois dias participou em competições de cinco horas, com três problemas diários. Que problemas eram esses?

Foram três problemas de programação. O objetivo era fazer três programas de programação que resolvam os problemas de maneira eficiente. Foram problemas muito difíceis. Um deles consistia em determinar uma palavra, adivinhar uma palavra, baseada em perguntas que traduzem, de certa forma, o grau de semelhança entre a palavra que tu disseste e a palavra escondida. Este foi o problema mais fácil. Mas, mesmo assim, já exigia alguns conhecimentos.

E qual o segredo para chegar à Prata e ultrapassar, por exemplo, americanos e japoneses?

Algo que contribuiu para eu ganhar a prata foi a estratégia que usei durante a prova e isso foi uma componente que, de longe, foi a que eu dominei mais. Eu consegui organizar-me, nas cinco horas de prova, mesmo com aquela pressão, e consegui tirar o máximo de pontos possíveis.

Mas no japão ainda apanhou uns sustos…

Apanhei um terramoto e um tufão, mas como era um terramoto fraco, não aconteceu nada e foi só um susto. O terramoto até foi na madrugada do segundo dia da prova e eu não consegui dormir lá muito bem, mas, mesmo assim, não me impediu de ganhar a prata.

Considera-se um ‘barra’ em informática?

Não sei… Mas acho que sim. Demorou muito treino. Foi muito difícil chegar a este patamar, então, acho que sim…

E como começou esse ‘bichinho’?

Comecei a programar muito recentemente, quando estava a terminar o 8º ano. Aproveitei as férias para aprender. Comparado com outras pessoas, que também vão a essas olimpíadas, é bastante recente.

E conta com a ajuda e apoio de alguém?

Temos os professores que ajudam, o professor Pedro Ribeiro e o professor Paredes. Os dois ajudam no treino e preparam as olimpíadas nacionais de informática com a APDSI [Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade de Informação] que serve para selecionar essas pessoas, mas também há uma componente do treino que é feito maioritariamente sozinho.

Durante as aulas não posso dedicar muito tempo, porque tenho exames e testes, mas durante as férias, e depois das olimpíadas nacionais de matemática, aí chego a dedicar umas oito horas por dia. Faço informática com muito gosto.

E a seguir, quais os projetos? Conquistar o ouro?

Para o ano vou tentar o ouro. Vou trabalhar para isso. É um objetivo muito difícil, mas eu sei que com trabalho é possível.

Convive bem com o sucesso?

Sim, claro. Trabalhei e agora tenho que conviver com a prata.

E a família como reagiu?

Os meus pais ficaram supercontentes, começaram logo a fazer uma festa. Foi muito feliz, foi muito feliz.

Do Japão trouxe a Prata. E em Portugal o que já conquistou?

Venci as Olimpíadas Nacionais de Informática, organizadas pela APDSI, pelo professor Oliveira e alguns dos seus alunos. E as olimpíadas nacionais de informática consistem em três fases: a qualificação, a final nacional, que é realizada no departamento de ciências de computadores e a seleção, realizada no departamento de ciências de computadores do Porto. Nas três eu passei em primeiro lugar, sendo que a primeira com pontuação máxima, 400/400.


Perfil

Kevin Pucci, 17 anos.

Aluno do 12º ano. Escola Dr. Júlio Martins, em Chaves.

Filho único de pais brasileiros, a residirem em Portugal há cerca de 26 anos.

Pequeno limite, comparado com força de vencer: a filosofia. “Não tenho mesmo jeito nenhum para isso”.

Competiu com mais de 335 alunos de 87 países e regiões nas Olimpíadas Internacionais de Informática, em Tsukuba, Japão.

Conquistou para Portugal, pela primeira vez, a medalha de prata.

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