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Arcebispo de Washington vai a Roma discutir a sua resignação

12 set, 2018 - 13:37

O cardeal Donald Wuerl sucedeu diretamente a Theodore McCarrick, mas tem negado ter tido algum conhecimento dos comportamentos deste.
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O atual arcebispo de Washington, sucessor imediato do agora ex-cardeal McCarrick, anunciou esta quarta-feira que vai a Roma discutir a sua possível resignação com o Papa Francisco.

O Cardeal Wuerl completa 78 anos em novembro e já apresentou a sua resignação ao Papa, como é próprio, há três anos, quando fez 75. Contudo, e como também é comum com arcebispos, o Papa não aceitou de imediato a saída do cardeal.

Este verão, porém, rebentou o escândalo dos abusos sexuais cometidos pelo arcebispo emérito de Washington, Theodore McCarrick. A primeira notícia dizia respeito a uma alegação de abuso de menores, ocorrida há décadas, mas que tinha sido considerada credível pelas autoridades civis e eclesiásticas. O cardeal foi suspenso de toda a atividade.

Contudo, rapidamente começaram a surgir outras alegações, nomeadamente de que o arcebispo, uma das principais figuras da Igreja americana, seduzia e angariava jovens seminaristas e padres, com quem mantinha relações sexuais. Soube-se que duas das dioceses em que McCarrick tinha estado anteriormente tinham pago indemnizações a vítimas desses abusos, mas que os casos tinham sido encobertos. Certo é que vários bispos já sabiam destas alegações, mas nada foi feito para impedir que McCarrick continuasse a servir a Igreja como arcebispo e cardeal, assumindo vários papéis de destaque, incluindo o de ter sido o rosto da resposta da Igreja Católica ao escândalo dos abusos de menores no início do século XXI.

O cardeal Wuerl sempre negou ter sabido destes aspetos da vida de McCarrick, que, entretanto, foi retirado do colégio cardinalício e ordenado pelo Papa Francisco a seguir uma vida de reclusão e oração, enquanto decorre um processo canónico contra ele.

Na carta que dirigiu aos padres da sua arquidiocese, o cardeal Wuerl diz que a sua decisão de ir a Roma discutir a sua resignação resulta da necessidade de sarar as feridas “dos sobreviventes que tanto sofreram e dos fiéis que nos foram confiados e que também sofrem com a vergonha destes atos terríveis, tendo dúvidas sobre a capacidade de liderança do seu bispo”.

“Tornou-se claro”, continua o cardeal, “uma decisão da minha parte, mais cedo ou mais tarde, seria um fator essencial para que a Igreja arquidiocesana possa ultrapassar este momento”.

A carta tem data de terça-feira, 11 de setembro, mas não avança um dia específico para a ida a Roma.

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