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Math Gurl: “A matemática pode ser muito mais divertida do que as pessoas pensam”

12 set, 2018 - 12:30

Inês Guimarães criou um canal no Youtube e lançou um livro de desafio para desmistificar a matemática. "Desafios Matemáticos Que Te Vão Enlouquecer" coloca o leitor à prova de forma divertida.
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A matemática não é um bicho-papão, pelo menos para Inês Guimarães. A youtuber tenta mostrar-nos através do Youtube como a matemática é assim tão medonha como pensamos. A Math Gurl já tem mais 50 mil seguidores e lança agora um livro, “Desafios Matemáticos Que Te Vão Enlouquecer”.

Inês Guimarães é descontraída nos vídeos e é assim que tenciona manter-se. “É uma coisa mais de entretenimento, mas com matemática”, explica na conversa com Carla Rocha nas Manhãs da Renascença.

Nos seus vídeos, que já contam com 1,5 milhões de visualizações, Math Gurl não explica “como fazer coisas de escola nem a resolver equações”, mas tenta passar o seu fascínio por uma área que muitos põem de lado durante os estudos. “Custa-me a acreditar que não haja algum pontinho matemática que se adeque a cada um”, acrescenta.

Tem 20 anos e estuda Matemática na Universidade do Porto, onde vai para o terceiro ano da licenciatura. Habituaram-nos a pensar que a matemática está em todo o lado, mas para Inês, isso até se reflete no pequeno-almoço. “Estás a ver aqueles cereais de pequeno-almoço que são letras? Os meus são números”, brinca.

No programa com Carla Rocha, Inês coloca um desafio, como não podia deixar de ser. “Uma pessoa chega à tua beira e diz: ‘anteontem, eu tinha 32 anos. Para o ano, vou fazer 35’. Em que dia é que essa pessoa faz anos?”.

A primeira resposta de quem a está a ouvir pode ser óbvia, 29 de fevereiro, por alguma conta mágica. Inês desmente e explica o problema: “no 30 de dezembro ele tinha 32 anos. Faz anos a dia 31, portanto passa a ter 33 anos. Quando ele diz isto, já está no ano seguinte, no dia 1 de janeiro. Então vai fazer 34 anos nesse ano. Pelo que no ano seguinte, faz 35”.

O puzzle aparece no livro de desafios, “Desafios Matemáticos Que Te Vão Enlouquecer”, que saiu para as bancas no dia 5 de setembro. A obra tenta colocar desafios de forma casual e divertida, mas Inês esclarece que, embora não haja um nível de dificuldade, não é bem para todas as idades.

“Atrás diz ‘mais de 12 anos’ mas eu recomendo a partir dos 13, porque também não é completamente fácil, apesar de ele estar escrito de uma forma muito divertida e apesar de se ler bem. Para a pessoa entender mesmo os desafios e estar ali a pensar, convém mais de 12, 13 anos. A partir daí para a frente é sempre a andar!”, esclarece entusiasmada.

Uma professora fixe

Tanto no livro como no canal, Inês tenta mostra, acima de tudo, que qualquer pessoa pode ser boa a matemática com algum empenho e não há um talento nato para ser bom na matéria. “Eu acho que as pessoas, por sentirem algumas dificuldades com a área, vão-se logo muito abaixo e pensam: ‘eh pá, isto quer dizer que eu sou burra, que não nasci para isto, que não tenho jeito para a matemática’, e esquecem-se do mais importante, que é o trabalho e o empenho. E há várias formas de nós fazermos matemática e de encararmos a matemática. Temos é de encontrar aquela que se adequa melhor a nós”.

Inês recusa o papel de professora que algumas pessoas já lhe atribuem, e esclarece que o canal existe para divertir e não para substituir a escola e os estudos: “recebo vários comentários de pessoas a dizer: ‘eu não gostava de matemática, mas agora já gosto. Quem me dera ter tido uma professora como tu’”. Mas a ideia é apenas continuar a ter um canal humorístico, e o conceito “não é propriamente educacional”.

Para já, o futuro da Math Gurl passa por continuar com o canal e os estudos na Matemática. Inês Guimarães planeia fazer o mestrado na área depois de terminada a licenciatura, mas depois disso, não sabe. “Prognósticos, só no fim do jogo”, diz.

Para quem continua a sentir-se atormentado pelas equações e raízes quadradas , Inês pede para dar uma oportunidade à matemática. “O conselho é encararem a área de uma forma mais leve”, afirma, acrescentando que, apesar de aceitar que “há gostos para tudo”, os desafios que deixam alguns de pé atrás podem ser um bom passatempo: “a matemática pode ser muito mais divertida do que as pessoas pensam”.

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