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Prémio D. António Francisco dos Santos distingue trabalho dos Jesuítas na área dos migrantes e refugiados

11 set, 2018 - 17:00 • Henrique Cunha

O prémio tem um valor de 75 mil euros e resulta de uma iniciativa solidária da Associação Comercial do Porto, da Irmandade dos Clérigos e da Santa Casa da Misericórdia do Porto. A cerimónia de entrega decorre a esta hora, no Palácio da Bolsa.

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O Prémio D. António Francisco dos Santos foi atribuído ao Centro S. Cirilo e ao Centro de acolhimento/atendimento Santo António do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) do Porto, cuja assistência é da responsabilidade do Serviço Jesuíta aos Refugiados.

O prémio - uma homenagem ao bispo do Porto falecido faz esta terça-feira um ano - tem um valor de 75 mil euros e resulta de uma iniciativa solidária da Associação Comercial do Porto, da Irmandade dos Clérigos e da Santa Casa da Misericórdia do Porto. A cerimónia de entrega decorre a esta hora, no Palácio da Bolsa.

O presidente do Centro São Cirilo, padre Luís Ferreira do Amaral, conta que “foi com surpresa e com muita alegria” que teve conhecimento da atribuição do prémio, que “muito nos alegra pela confirmação do nosso trabalho”, em particular “num tema tão atual como o acolhimento e integração de pessoas a passar por momentos de dificuldade”.

O responsável do Centro São Cirilo diz que a instituição "tem a trabalhar a tempo inteiro 12 pessoas, que contam com a colaboração de dezenas de voluntários”.

O centro tenta “ajudar pessoas a passar por momentos de fragilidade social” e “desde a sua criação, já apoiou mais de seis mil pessoas de muitas nacionalidades, de mais de 100 países” tendo conseguido “colocar mais de 350 a trabalhar”.

Luís Ferreira do Amaral considera, por isso, que “o objetivo do centro, sobretudo, a sua missão - de reintegrar, de capacitar as pessoas e de integrá-las na sociedade” tem sido atingido.

No Porto, o Centro tem vários tipos de apoio, “desde logo, um acolhimento para pessoas que não tenham casa, ou estejam a chegar a Portugal”.

A instituição disponibiliza “alguns quartos, tentando também providenciar residência às pessoas, assim como refeições”. “Além disto tudo”, o Centro tem ainda “um gabinete médico, um gabinete de psicóloga, um gabinete de emprego, um gabinete jurista para dar apoio naquilo que as pessoas precisem”.

Por fim, para cuidados mais básicos “ainda temos um banco de roupa e de banhos, e de cuidados de higiene básica para pessoas que não tenham residência”; revela o padre Luís.

"Tratar cada pessoa com dignidade e com o cuidado que merece”

Por sua vez, o Centro de acolhimento/atendimento Santo António do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras do Porto já acompanhou cerca de três centenas de migrantes em situação de detenção administrativa.

O diretor do serviço jesuíta aos refugiados (SRJ), André Costa Jorge, declara-se “agradecido e surpreendido” pelo reconhecimento de “um trabalho a que não fazemos grande publicidade” e pede que se evite a detenção de migrantes quando eles tentam fugir da guerra ou procuram melhores condições de vida.

André Jorge sustenta que neste serviço “toca sobretudo, que cada pessoa possa ser tratada com dignidade e com o cuidado que merece”.

O responsável do SRJ considera também revelante a “articulação com outras instituições e organizações, para que essas pessoas possam ter a proteção que qualquer ser humano deve ter em situações, muitas vezes, tão vulneráveis como aquelas em que se encontram”.

André Costa Jorge lembra que o serviço já publico um livro sobre “uma questão que as pessoas não conhecem e mesmo a comunicação social não está tão por dentro” e “que tem a ver com a detenção de migrantes, a detenção administrativa de migrantes que é uma situação que está cada vez mais na ordem do dia”.

“O que nós temos advogado é que estes espaços de confinamento devem ser espaços que não devem criminalizar os migrantes, que devem ser espaços em que as pessoas aí possam ter os seus direitos assegurados e garantidos e, sobretudo, advogamos que há alternativas à detenção”.

“Devemos evitar, a todo o custo, que os migrantes sofram penalizações por procuraram melhores condições de vida ou por fugirem da guerra e do conflito”; refere o responsável do serviço jesuíta aos refugiados.

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