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Saiba qual é o curso com a média mais alta de Portugal (não, não é o que está à espera)

09 set, 2018 - 00:00 • Rui Barros

Engenharia Civil, na Madeira, só preencheu uma vaga, mas encabeça a lista dos cursos com a nota do último colocado mais alta. Engenharia Física Tecnológica, do Instituto Superior Técnico, troca de lugar com Engenharia Aeroespacial e completa o pódio. Medicina é agora o sétimo curso com a “média” mais alta.
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Engenharia Civil (ensino em Inglês), na Universidade da Madeira, é, pela primeira vez, o curso com a nota do último colocado mais alta em Portugal. Apenas um aluno, com uma nota de candidatura de 18,94 valores, conseguiu entrar no curso com 20 vagas, mas isto bastou para, oficialmente, este ser o curso com a nota do último colocado mais alta na primeira fase do concurso de acesso ao ensino superior.

Os dados, divulgados este domingo, trazem uma surpresa no topo da tabela, mas o pódio é preenchido pelos cursos que, nos últimos anos, encabeçam a lista dos cursos mais difíceis de entrar.
Este ano, Engenharia Física Tecnológica no Instituto Superior Técnico mantém o segundo lugar, com uma nota de entrada de 18,9 valores, mas ultrapassa Engenharia Aeroespacial, na mesma instituição, que desde há dois anos era o curso com a média mais alta em Portugal. O último colocado entrou com uma nota de 18,85 - mais 0.05 valores em relação ao ano passado.

Em quarto lugar na lista dos cursos com a nota mais alta está Engenharia e Gestão Industrial, no Porto, com uma “média” de 18.63, seguido de Matemática Aplicada à Computação, no Técnico, que saltou do oitavo para o quinto lugar na lista dos cursos com a “média” mais alta.

Consulte aqui a tabela interativa com todos os cursos.

Outrora um dos cursos mais cobiçados e que exigiam uma das notas de entrada mais alta, Medicina continua a trajetória descendente dos últimos anos. Este ano, é preciso recuar até ao sétimo lugar para encontrar o primeiro curso de Medicina, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. A nota do último colocado foi de 18,22 valores. O curso ficou atrás de Bioengenharia, no Porto.

De acordo com os cálculos da Renascença, dos 10 cursos com a nota do último colocado mais elevada, os três cursos de Medicina que constam nessa lista foram os únicos cuja a nota não foi igual ou superior à do ano anterior. A excepção vai para o curso de Engenharia Civil que encabeça a lista, que o ano passado não existia.

Se não considerarmos os Ciclo Básicos de Medicina da Madeira e dos Açores, o curso de Medicina com a nota de entrada mais baixa é o da Universidade da Beira Interior (17.43 valores).


Lisboa e Porto continuam as cidades mais apelativas para os melhores alunos, mas número candidatos desce

Apesar do esforço do governo para atribuir mais vagas a regiões mais despovoadas, os dados divulgados este domingo mostram que Lisboa e Porto continuam a ser as cidades preferidas pelos melhores alunos para seguirem as suas ambições no Ensino Superior Público.

No top 20 dos cursos com as notas mais altas, apenas Engenharia Civil, na Madeira, Medicina e Engenharia e Gestão Industrial, na Universidade do Minho, e Medicina, em Coimbra, não ficam nas duas maiores cidades portuguesas.

Entre estas, a Universidade de Lisboa consegue dois de três cursos no pódio dos cursos com a média mais elevada, mas é a Universidade do Porto, com 52 cursos, que leva o galardão do valor médio de notas mais alto: 15,18 valores, seguido da Universidade Nova de Lisboa (14,64 valores em 40 cursos).

No extremo oposto estão os 33 cursos com notas de entrada iguais ou superiores a 9,5 e inferiores a 10 - foram mais dois cursos do que no ano passado. Mais de 750 estudantes entraram no ensino superior nesta condição.

Ainda assim, a redução de vagas nos cursos de Lisboa e do Porto resultou, segundo os dados da tutela, numa diminuição do peso que as duas cidade tinham no total de alunos colocados. As duas cidades representam agora 47% do total de estudantes colocados, ao passo que as instituições de ensino superior de menor pressão demográfica representam 23%.

O ministério contabiliza, assim, um aumento de 1.2% de colocados nas instituições localizadas no interior.

A medida pode também ajudar a explicar a redução do número total de candidatos à primeira fase nestas cidades. Os dados do ministério indicam que, este ano, foram menos 3.033 candidatos a concorrer em primeira opção a instituições localizadas no Porto ou em Lisboa.


Os cursos que movem os portugueses

O interesse dos melhores alunos pelos cursos de Engenharia também surge refletido nas áreas de estudo que mais conquistaram novos estudantes este ano. Os dados da tutela indicam, à semelhança do que já aconteceu o ano passado, que as áreas das engenharias e técnicas afins, ciências empresariais, saúde e Ciências Sociais e do Comportamento lideram a lista de maior número de colocações.

Somando o número de colocados nestas quatro áreas, temos mais de metade de todos os novos estudantes colocados na primeira fase do concurso nacional.

Os interesses e ambições dos portugueses parecem, no entanto, divergir das vagas que a tutela abriu em cada uma das áreas. Nas 23 áreas de estudo definidas pelo ministério, nove tiveram mais candidatos em primeira opção do que as vagas que as universidades portuguesas tinham para oferecer.

O destaque deste ano vai para os cursos na área do Direito, que registou 3.103 candidaturas em primeira opção para as 1.851 vagas que o sistema público oferecia. Já só sobram, por isso, 54 vagas em Direito para a segunda fase.

A tutela registou ainda um aumento de 13% nos inscritos nos Cursos Técnicos Superiores profissionais - cursos superiores exclusivos dos politécnicos, com uma duração típica de dois anos, orientados para a atividade profissional.

De acordo com os dados do governo, o este ano haverá 7.719 novos alunos nestes cursos, com as principais áreas de estudo a incidirem nos cursos de Ciências e Tecnologia de Informação, Electrónica e Automação, Comércio e Administração, Turismo e Hospitalidade, Metalurgia e Metalomecânica.

Confira aqui todas as vagas disponíveis e médias de entrada na primeira fase de acesso ao ensino superior.

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  • Filipe
    09 set, 2018 évora 12:07
    Tantas médias altas em Portugal mas no fim até a Universidade de Coimbra já não cabe nas primeiras 500 Mundiais , tal é a qualidade dos cursos ministrados , ainda que isto seja só para pagar ordenados a docentes e fazer mexer o PIB , desses todos só 1000 lá para o fim tem sorte porque tem cartão partidário . Veja-se a crise na Saúde , na Educação e afins ... e não vi ainda Portugal meter o homem em Marte , para que querem cursos com médias de 20 e tal em áreas onde o investimento é só de mão de obra barata ? Onde estão as marcas em Portugal ? No tempo da outra Senhora tinha mos indústria Automóvel , Naval ... e Militar , hoje até compra as rações de combate no MiniPreço . Isto tudo um faz de conta abismal em Portugal , onde o resultado é pagarem ordenados aos políticos .
  • Ricardo E. Santo
    09 set, 2018 Porto 09:20
    Aconteceu precisamente o que venho a falar há anos. Não dá para comparar directamente médias entre cursos porque nem os exames de acesso são os mesmos nem as vagas o são. Fala-se de preferência quando isso é só falso. Assumindo que Eng. Civil na Madeira é um caso excepcional, experimentem pegar na classificação do último colocado do curso de Eng. Física e Tecnológica e comparem-na com a classificação do colocado na mesma posição do curso de Medicina (S. João ou ICBAS). Mais, façam uma estatística justa e calculem a média com os mesmos exames de ingresso (Medicina tem 3: Biologia, Matemática e Física/Química). Tirem as próprias conclusões.