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Madeira vai gastar 2,5 milhões com lusodescendentes da Venezuela este ano

24 ago, 2018 - 16:21 • João Carlos Malta

Não está em curso nenhum plano de emergência para um grande fluxo de portugueses vindo da Venezuela. A situação está a ser seguida pelo Governo Regional, mas sem alarmismo.
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Numa altura em que na Venezuela as condições de vida se deterioram a grande velocidade, na Madeira, de onde a maioria dos lusodescendentes daquele país é natural, não há sinais da possibilidade de um retorno em massa.

“Não é uma situação alarmista, mas obriga-nos a estar sempre atentos, para fazer os ajustamentos para as respostas que devemos encontrar. Temos um departamento que procura responder às solicitações que nos são colocadas”, afirma o secretário regional da Educação regional da Madeira, Jorge Carvalho.

O mesmo responsável diz que para já não é possível perceber quantos lusodescendentes vão chegar à ilha neste verão para já não regressar à Venezuela. Mas no início do mês já será possível contabilizar melhor quando começarem a chegar as crianças às escolas e houver inscrições nos centros de saúde.

No ano passado, estima-se que tenham chegado à Madeira quase quatro mil lusodescendentes vindos do país liderado por Nicolas Maduro, sendo que Jorge Carvalho contabiliza que durante este ano esse grupo tenha um peso para o orçamento regional de 2,5 milhões de euros: 1,5 milhões em apoios sociais, e um milhão na saúde.

Se o dinheiro dos apoios sociais chega através de transferências da Segurança Social, na Saúde o governo da República financia 30% até um máximo de um milhão de euros por ano.

O mesmo governante estima que cerca de mil lusodescendentes estão inscritos no Centro de Emprego, contribuindo assim para o aumento das estatísticas de desemprego na região.

O secretário regional da Educação diz que o sistema que está montado tem dado resposta às necessidades dos que chegam à ilha, e que se deram sobretudo nas áreas da educação e da saúde.

Um dos principais problemas dos que chegam da Venezuela, sobretudo dos mais qualificados, é a obtenção de equivalências pelas universidades. Médicos e engenheiros são dos que mais dificuldades estão a ter. Jorge Carvalho admite as dificuldades, mas sublinha que não são exclusivas dos lusodescendentes.

“Tem havido uma colaboração estreita com a Secretária de Estado das Comunidades e com as restantes instituições, mas o reconhecimento tem requisitos específicos que variam de instituição para instituição e nós procuramos alertar para podermos dar resposta em tempo útil”, afirma.

Sobre os preços elevados que são exigidos pelas instituições acedémicas, Jorge Carvalho afirma que apesar da “sensibilização que tentamos fazer”, “as instituições são autónomas”.

Professora já nota mais gente a chegar

Lídia Maria Albornoz esteve 20 anos na Venezuela antes de regressar já há uns anos à Madeira.

É professora do ensino básico no Caniço e uma espécie de faz-tudo dentro da comunidade de luso-descendentes que estão a regressar. Ajuda em toda a parte burocrática, dá aulas de iniciação ao português a adultos e acompanha os mais jovens que lhe chegam à sala de aula.

Afirma que já se nota uma nova vaga de chegada de lusodescendentes nas escolas.

“Com esta situação nova, as pessoas estão aterrorizadas. Os que vieram no ano passado através de trabalho duro conseguiram trazer mais familiares. No Caniço, na escola onde trabalho, já tinham chegado doze novas inscrições em Agosto, e já se diz que podem chegar mais. Aliás há infantários que estavam para fechar, mas isso não aconteceu por causa dos venezuelanos”, afirma Lídia.

Tem familiares na Venezuela e os relatos que chegam da América Latina arrepiam.

“A minha sogra quando consegue ir à Internet conta que há cidades sem luz uma semana. É aterrador. Os portugueses que vivem em Caracas, Maracay e Valencia têm restaurantes e supermercados e está tudo a fechar. Todos falam em regressar”, assegura.

Em relação aos que chegaram o ano passado na primeira grande vaga de lusodescendentes que regressaram, Lídia diz que a maior parte ficou na Madeira.

“Julgo que 70% ficaram, pelo menos dos que conheço. Os restantes foram para Espanha porque tinham familiares e outros para o continente para as campanhas de apanha de fruta que acabam agora em outubro”, remata a professora.

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