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Natureza vai fazer-nos passar por "crises muito violentas", avisa especialista

18 ago, 2018 - 09:59

O presidente da Liga para a Proteção da Natureza admite que os netos vão “passar as passas do Algarve” e diz: “vamos dar cabo da nossa civilização, não do planeta”.
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Os humanos podem destruir a atual civilização, mas nunca o planeta, onde a natureza vai fazer as pessoas passar por “crises muito violentas”, até o mundo ser “forçosamente” melhor, no futuro.

A visão é de Eugénio Sequeira, presidente da Liga para a Proteção da Natureza (LPN), que, em entrevista à agência Lusa, a propósito dos 70 anos da LPN, alertou para os perigos das alterações climáticas que o mundo já está a viver. É só o princípio, diz.

Engenheiro agrónomo licenciado pelo Instituto Superior de Agronomia, investigador, especialista em agricultura sustentável, florestas e desertificação, Eugénio Sequeira diz que não gostava de passar pelas alterações climáticas com a família, admite que os netos vão “passar as passas do Algarve” e diz: “vamos dar cabo da nossa civilização, não do planeta”.

Ainda assim, é otimista quando afirma que, no futuro, o mundo terá que ser melhor, que o homem vai ser forçado a encontrar energias não poluentes, soluções para os problemas ambientais de hoje. “Sabemos que vai ser difícil, mas temos capacidade para o fazer”.

Para já, o mundo tem de lidar com as alterações climáticas, as cheias, mas também as secas, a sobre-exploração das águas subterrâneas e a perda de habitats como as zonas húmidas, o excesso de nitratos, as culturas híper intensivas, a poluição das ribeiras e dos oceanos.

De tudo fala e tudo lamenta Eugénio Sequeira, que aponta em Portugal para um problema que é urgente resolver. “Salvar o montado é salvar todo o sul do país. Se o sul não tiver suporte para defender o montado da seca o deserto chega a Lisboa”.

A LPN tem um Centro de Educação Ambiental em Castro Verde onde mostra que é possível aliar progresso e sustentabilidade, através do ciclo sustentável da água, das energias renováveis, do combate à desertificação e defesa da fauna e flora locais.

“Fizemos ali o primeiro projeto piloto de combate à desertificação. Porque conseguimos comprar mil hectares e nos nossos terrenos, com restrições de máquinas, passámos de 100 para 2.000 abetardas”, uma ave que esteve ameaçada, diz Eugénio Sequeira, lamentando que a falta de dinheiro não permita à LPN fazer o mesmo trabalho na herdade que tem em Vila Nova de Poiares.

Eugénio Sequeira avisa também que é preciso saber trabalhar com os agricultores, que é preciso ajudar os mais idosos a limpar os terrenos e evitar, assim, as queimadas que acabam em grandes incêndios, que é preciso enfim substituir os inseticidas por ninhos de morcegos e pássaros que comam esses insetos.

E depois é preciso também ensinar as pessoas a pensarem além de um horizonte de dois anos, pensarem a longo prazo e não nos ganhos imediatos, à custa do ambiente.

Mas Eugénio Sequeira, 81 anos, tem ainda assim esperança num mundo melhor. É possível. Pois se em Castro Verde conseguiram produzir 16 toneladas de milho sem poluir e ainda salvar o lince e a águia imperial é possível.

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  • Anjo
    18 ago, 2018 lisboa 14:56
    Ó pá se houver extinção por calamidades será um e tretor de 3 a 5 minutos .A salvaçao dos montados e resto País é ir buscar agua onde existe o Oceano e enviá-la resto País ,criar grandes tampões corta fogos e com o tempo adaptar a florestação ao clima q resultar.Estar dependentes da chuva acabou,acabou mesmo.Portanto mãos á obra,Dubai e Qatar são bons exemplos.O resto é discutir sexo dos anjos.