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Sonda Parker. Vamos estar mais perto do sol. O que queremos saber?

10 ago, 2018 - 19:31 • João Carlos Malta

Há muito tempo que o Homem tem o sonho de conhecer melhor o sol e de chegar mais perto dele, mas só agora a tecnologia chegou ao ponto de poder aguentar com as temperaturas que o astro-rei emana.
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Pode uma superfície estar a 1.400 graus de um lado e com apenas 11,5 centímetros de distância arrefecer para os 30 graus? Sim, e é isso que permite que a sonda Parker possa ser enviada para estudar o sol. É este escudo com capacidades térmicas extraordinárias que protegerá a sonda e permitirá estar mais perto do que nunca do sol.

O aparelho partiu da base de Cabo Canaveral, na Florida, nos Estados Unidos, este domingo, às 3h31, hora local (8h31 em Lisboa), depois de o lançamento ter sido adiado, no sábado, por problemas técnicos.

A sonda irá navegar pela atmosfera do Sol e, segundo a NASA, vai aproximar-se da superfície do "astro-rei" como nunca antes uma sonda o fez, permitindo obter as observações mais próximas de uma estrela.

O astrofísico Rui Agostinho, professor do departamento de física da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e diretor do Observatório Astronómico de Lisboa, explica que o sonho “de enviar uma sonda para estudar o sol já é antigo, mas só agora é que foi possível ter a tecnologia para a que a sonda esteja à sombra deste escudo que a arrefece”.

Sonda Parker está a caminho do sol
Sonda Parker está a caminho do sol

A sonda Parker, enviada pela NASA, que estará em órbitra sete anos vai estudar essencialmente “o processo de ganho de velocidade das partículas, e quem é que provoca a aceleração do vento solar, porque ao início elas não têm uma velocidade tão elevada”.

Rui Agostinho diz que esta missão quer também perceber porque é que no sol “existe um aumento de temperatura tão grande com um salto de seis mil para um milhão de graus centígrados” em apenas dois mil quilómetros de distância.

O professor do departamento de física da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e diretor do Observatório Astronómico de Lisboa explica que só agora é possível a humanidade conseguir atingir este objetivo.

“A aproximação do sol vai aumentar a temperatura da sonda e só agora é que há tecnologia para fazer um escudo térmico à frente que tem 11,5 centímetros de espessura, e esse escudo estará a 1400 graus quando virado para o sol e do outro lado à temperatura ambiente de uma casa, 30 graus”, explica.

O especialista garante que este conhecimento vai contribuir para sabermos melhor como funciona a dinâmica mais externa do sol.

“O sol tem um ciclo de 11 anos na sua luminosidade que é vista na quantidade de manchas que tem à superfície”, explica Rui Agostinho.

A sonda tem o nome do astrofísico norte-americano Eugene Parker, de 91 anos, que apresentou, na década de 50, uma série de conceitos para explicar como as estrelas, incluindo o Sol, libertam energia. Chamou vento solar à 'cascata' de energia do Sol e descreveu todo um "sistema complexo" de plasmas, campos magnéticos e partículas energéticas associado ao conceito de vento solar.

A NASA lembra que Parker teorizou uma explicação para a temperatura extremamente elevada da coroa solar, que, ao contrário do que seria expectável, é mais quente do que a superfície do Sol apesar de ser a camada mais externa da atmosfera.

Comentários
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  • Leigo
    14 ago, 2018 Terra 15:34
    O que queremos saber? Rigorosamente nada! O que eles querem é gastar biliões para deixarem o povo na miséria! O que é que o mundo ganhou com a suposta ida do homem à lua? O que é que a humanidade ganha com o projecto megalómano da ida a Marte? NADA! Para além de ser impossível ir a Marte o que ganhamos com isso? Ganhamos a subjugação ao poder político! O ser humano está cada vez mais alienado, somos autênticas marionetes nas mãos dos políticos. ACORDEM!