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Prejuízos em Monchique serão na ordem dos 10 milhões

10 ago, 2018 - 15:07

O fogo lavrou durante uma semana e consumiu perto de 27 mil hectares. Várias casas e veículos ficaram destruídos. Governo apela às pessoas que não desistam de limpar os terrenos.
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O incêndio que lavrou durante oito dias em Monchique provocou prejuízos em habitações e infraestruturas municipais de cerca de 10 milhões de euros, indica o presidente da Câmara à agência Lusa.

"Neste momento, ainda é prematuro avançar com um levantamento rigoroso. Temos algumas casas afetadas, a maioria delas não na totalidade, mas com prejuízos para as pessoas”, indica Rui André.

“E temos também, ao nível de infraestruturas municipais, um valor considerável. Estimo que nestas duas questões o valor ronde os 10 milhões de euros", reafirmou.

O fogo começou no dia 3 e só esta sexta-feira, dia 10, foi dado como dominado. A Proteção Civil fala num “teatro de operações muito difícil e complexo”. No total, arderam quase 27 mil hectares.

“Temos de continuar a fazer limpeza”

O ministro da Administração Interna apelou esta sexta-feira às pessoas com propriedades em zonas florestais que não desistam da realização dos trabalhos de limpeza dos terrenos – o "esforço de um ano" não é suficiente, destacou.

"Um incêndio desta dimensão significa que temos de fazer ainda mais. A lição é que teremos de continuar a fazer, não é o esforço de um ano", sublinhou Eduardo Cabrita, durante uma visita às áreas afetadas pelo incêndio que deflagrou na serra de Monchique.

O governante disse ainda ter ouvido declarações "sem sentido nenhum", antes do final do prazo estipulado para a limpeza de terrenos, no início de junho, de que o Governo estava a "fazer demais" no apelo à limpeza.

"É preciso fazer ainda mais. Já estamos a ter resultados que permitiram limitar danos aqui, como noutras zonas", sublinhou, após ter sido questionado pelos jornalistas sobre proprietários que se queixaram de terem investido na limpeza dos terrenos e, mesmo assim, terem visto as áreas circundantes arder.

Eduardo Cabrita esteve de manhã reunido com as forças da Proteção Civil num 'briefing' realizado no posto de comando instalado no centro da vila de Monchique, tendo depois feito uma ronda por zonas ardidas nos concelhos de Monchique e de Silves.

O ministro da Administração Interna frisou que a operação da Proteção Civil chegou a envolver o trabalho de três dezenas de máquinas de rasto, que permitiram, "enquanto o incêndio já estava ativo, fazer zonas de proteção", travando a sua progressão.

"Teria o mesmo sentimento em qualquer região do país, mas esta conheço muito bem, tive família a viver no Enxerim [uma das povoações evacuadas, junto a Silves], é uma zona como conheço poucas no país", concluiu.

O incêndio rural, combatido por mais de mil operacionais e considerado dominado hoje de manhã, deflagrou no dia 03 à tarde, em Monchique, distrito de Faro, e atingiu também o concelho vizinho de Silves, depois de ter afetado, com menor impacto, os municípios de Portimão (no mesmo distrito) e de Odemira (distrito de Beja).

A Proteção Civil atualizou esta sexta-feira de manhã o número de feridos para 41, um dos quais em estado grave (uma idosa que se mantém internada em Lisboa).

De acordo com o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais, as chamas já consumiram cerca de 27 mil hectares. Em 2003, um grande incêndio destruiu cerca de 41 mil hectares nos concelhos de Monchique, Portimão, Aljezur e Lagos.

Na terça-feira, ao quinto dia de incêndio, as operações passaram a ter coordenação nacional, na dependência direta do comandante nacional da Proteção Civil, depois de terem estado sob a gestão do comando distrital.

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