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“Entre o diabo e o fundo do mar". Amnistia alerta para fracasso das políticas europeias no Mediterrâneo

09 ago, 2018 - 09:17

“A responsabilidade pelo aumento no balanço de mortes recai diretamente nos governos europeus que estão mais preocupados em manter as pessoas fora do que em salvar vidas.”
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Mais de 720 pessoas morreram no Mediterrâneo Central entre junho e julho deste ano. O número é avançado pela Amnistia Internacional (AI), num relatório publicado quarta-feira, onde aponta o dedo às politicas europeias e deixa duras críticas ao governo italiano.

O número de pessoas afogadas no Mediterrâneo Central ou que foram forçadas a regressar aos centros de detenção na Líbia aumentou significativamente. A organização aponta o dedo às políticas europeias.

“Apesar de o número de pessoas que tenta atravessar o Mediterrâneo ter descido nos meses recentes, o número de mortes no mar subiu consideravelmente. A responsabilidade pelo aumento no balanço de mortes recai diretamente nos governos europeus que estão mais preocupados em manter as pessoas fora [do território da Europa] do que em salvar vidas”, sublinha o investigador da Amnistia Internacional Matteo de Bellis, perito em asilo e migrações.

Cerca de 60 mil migrantes e refugiados conseguiram atravessar o Mediterrâneo desde janeiro deste ano, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Valor que representa metade do número registado em 2017.

"Itália está a usar vidas humanas como moedas de troca"

O documento, intitulado “Entre o diabo e o fundo do mar: a Europa falha a refugiados e migrantes no Mediterrâneo Central”, destaca ainda “a forma como as novas políticas em Itália deixam as pessoas à deriva nas águas durante dias” e analisa “a conduta de coluio de países da União Europeia para reter refugiados e migrantes na Líbia, onde estas pessoas ficam expostas a tortura e abusos”.

Nos últimos meses, Itália começou a negar a entrada nos seus portos de barcos com pessoas a bordo que foram salvas do mar Mediterrâneo. Esta nova política tem como alvo embarcações de organizações não-governamentais, navios mercantes e até barcos de marinhas de outros países.

“Com a recusa insensível em permitir que refugiados e migrantes desembarquem nos seus portos, a Itália está a usar vidas humanas como moedas de troca. Pessoas em absoluto desespero têm sido deixadas à deriva no mar sem comida, nem água suficientes, nem meios adequados de abrigo, enquanto a Itália tenta aumentar a pressão política para obter maior partilha de responsabilidades por parte de outros países europeus”, descreve o investigador no relatório da AI.

Matteo de Bellis critica ainda as políticas europeias que “deram poderes à Guarda Costeira da Líbia para intercetar as pessoas no mar, desprivilegiaram os resgates e colocaram obstáculos ao trabalho crucial de salvamento que é feito pelas organizações não-governamentais”.

Segundo a Amnistia, a subida no número de afogamentos tem sido acompanhada por um aumento drástico no número de pessoas nos centros de detenção na Líbia. O número de detidos mais do que duplicou nos meses recentes: de cerca de 4.400 pessoas em março para mais de dez mil – incluindo pelo menos duas mil mulheres e crianças – no final de julho.

“A responsabilidade pelo aumento no balanço de mortes recai diretamente nos governos europeus que estão mais preocupados em manter as pessoas fora do que em salvar vidas.”

Matteo de Bellis frisa ainda que “além de tudo isto, as autoridades de Itália e de Malta caluniaram, intimidaram e criminalizaram as heroicas ONG que tentam salvar vidas no mar, recusaram autorização de desembarque às pessoas a bordo dos seus barcos e até lhes confiscaram as embarcações”.

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  • Lima
    10 ago, 2018 Beja 11:43
    "A responsabilidade pelo aumento no balanço de mortes recai diretamente nos governos europeus " - porque é que tem que ser sempre os europeus a resolver o problema dos outros? Não digo que não se ajude mas o que se passa é um absurdo ..... exemplo, os europeus tem que dar dinheiro para a Africa porque os africanos foram explorados pelos europeus.... o dinheiro vai mas as imagens são sempre as mesmas, pessoas a morrer à fome ou doença.... afinal aonde é que é gasto o dinheiro?! Agora as pessoas querem chegar à europa e passam o que passam pelo caminho... e a culpa é dos europeus?!?! Não digo que não se ajude mas o que se assiste é um absurdo descontrolado. Depois admiram-se que a extrema direita ganhe terreno