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Homenagem a ​D. António Ferreira Gomes, o bispo da "liberdade, solidariedade e frontalidade"

13 jul, 2018 - 23:43 • Henrique Cunha

No dia em que passam 60 anos da “Carta a Salazar”, que esteve na origem do seu longo exílio de 10 anos, a Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto recordou o "famoso bispo do Porto".
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“Famoso bispo do Porto”, “profeta” e voz incómoda para a ditadura que não frequentou “os salões e as alcatifas vermelhas”. Foi assim que D. António Ferreira Gomes foi recordado esta sexta-feira, no Porto.

A homenagem ao “famoso bispo do Porto” que representa para a Igreja o abandono do poder. Com D. António Ferreira Gomes “a Igreja deixa definitivamente de frequentar os salões e as alcatifas vermelhas do poder”. No dia em que passam 60 anos da “Carta a Salazar”, que esteve na origem do seu longo exílio de 10 anos, a Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto homenageou o bispo que “defendeu a liberdade, a solidariedade e a frontalidade”.

D. António Ferreira Gomes foi lembrado esta esta sexta-feira como um precursor do Concilio Vaticano II, como um profeta, como um homem de liberdade.

Para D. Manuel Linda, atual bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes agiu na "consciência profissional de bispo", sem nunca ultrapassar a fonteira da colegialidade.

D. Manuel Linda assegura que D. António Ferreira Gomes "não agiu fora da Igreja, nem à margem da Igreja".

Na opinião do bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes antecipou em "alguns anos o Concilio Vaticano II", em particular “na abordagem da relação da Igreja com o mundo”.

Para D. Manuel Linda, D. António Ferreira Gomes foi uma voz incómoda que defendeu uma Igreja sem poder, "uma Igreja que deixa definitivamente de frequentar os salões e as alcatifas vermelhas do poder, mas uma Igreja que de facto tem de tomar a palavra para reagir e apontar outra via".

D. António Ferreira Gomes agiu sozinho, diz o professor Arnaldo de Pinho, porque "o Episcopado renunciou à sua missão de apresentar a Doutrina Social da Igreja".

Foi assim que agiu o "famoso Bispo do Porto". Exclamação do Papa João Paulo II quando visitou a cidade do Porto, um momento lembrado pelo também professor de Teologia, Anselmo Borges.

Para o padre da Sociedade Missionária, D. António foi "a voz político-moral da Igreja, um profeta".

Anselmo Borges sustenta que, “neste tempo ameaçado e ameaçador, não podemos esquecer a voz dos profetas e D. António foi um grande profeta".

“De joelhos diante de Deus, de pé diante dos homens”, era o lema de D. António Ferreira Gomes que, para Anselmo Borges, “em todas as circunstâncias foi o exemplo superior daquilo a que chamo a voz politico-moral da Igreja".

A Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto decidiu homenagear D. António Ferreira Gomes porque, como recordou o seu presidente, Francisco Mangas, "há caminhos comuns" entre "a matriz primordial da Associação e a forma de agir do bispo".

Um caminho “tão atual como há 60 anos”, na "defesa das liberdades, da solidariedade, da cidadania, da frontalidade de posições sem fechar, todavia, o diálogo com os outros".

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