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Cardeal Patriarca agradece carta do Papa

13 jul, 2018 - 13:41 • Ângela Roque

D. Manuel Clemente diz que foi “uma surpresa total”, mas vê-a como um incentivo para se saber aplicar a exortação apostólica que desafia a Igreja a ajudar os casais em situação irregular, abrindo portas a que possam aceder aos sacramentos.
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O cardeal patriarca de Lisboa diz que não estava à espera de receber uma carta do Papa a agradecer-lhe a nota que emitiu, já este ano, sobre a aplicação do “Amoris laetitia”.

“Foi uma surpresa total”, admitiu o Patriarca, esta sexta-feira, à Renascença e à agência Ecclesia. De resto, D. Manuel Clemente não se considera o único destinatário da carta. “Não diz tanto respeito à minha pessoa, diz respeito a um processo que eu, com os meus colegas bispos das outras dioceses, levamos por diante, no sentido de acertar com a aplicação da Amoris Laetitia, e concretamente o seu capítulo oitavo, acompanhar as situações de fragilidade na vida matrimonial. E nesse sentido agradeço o reforço que o Papa nos dá, a mim e aos meu colegas, para continuarmos”.

D. Manuel Clemente vê assim, na carta, um incentivo a todos os bispos portugueses, e a todos os sacerdotes. “O Papa pede que todos os presbíteros da diocese de Lisboa estejam atentos a estas situações e redobrem o cuidado neste acompanhamento. E também a todos os fiéis do Patriarcado, a quem manda uma benção. E neste sentido agradeço muito esta atitude do Santo Padre, a sua generosidade”, acrescentou.

A carta do Papa, com data de 26 de junho, foi divulgada esta quinta-feira pelo Patriarcado de Lisboa. Nela Francisco agradece a nota que D. Manuel Clemente publicou, em Fevereiro deste ano, sobre a aplicação prática da “Amoris Laetitia, em que o Papa abre a porta a processos de discernimento para que alguns casais em situação irregular (por exemplo, os divorciados que contraíram um segundo casamento pelo civil) possam eventualmente aceder aos sacramentos.

Na missiva o Papa sublinha a importância de os sacerdotes ajudarem os casais a “discernir e integrar as fragilidades” que existem em muitas famílias. “Esta sua aprofundada reflexão encheu-me de alegria, porque reconheci nela o esforço do pastor e pai que, consciente do seu dever de acompanhar os fiéis, quis fazê-lo começando pelos seus presbíteros para poderem cumprir da melhor forma o ministério”, escreveu o Papa, acrescentando que “as situações da vida conjugal constituem, hoje, um dos campos onde tal acompanhamento é mais necessário e delicado. Por isso mesmo, quis chamar o Colégio Episcopal a um itinerário sinodal prolongado, que propiciasse – apesar das dificuldades inevitáveis – a maturação de orientações compartilhadas em benefício de todo o povo de Deus”.

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