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Novo superior de grupo tradicionalista opõe-se a reunificação com Roma

12 jul, 2018 - 18:07 • Filipe d'Avillez

A eleição do padre italiano Davide Pagliarini foi uma surpresa, uma vez que se esperava que o bispo Bernard Fellay, que tem estado a negociar o regresso da SSPX à plena comunhão com Roma, fosse reeleito.
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A Sociedade de São Pio X (SSPX), um grupo tradicionalista que está em rutura com Roma desde a excomunhão do seu fundador, o arcebispo Marcel Lefebvre, em 1988, elegeu como novo superior geral um sacerdote que se opõe à reunificação com a Igreja Católica, nos termos em que esta tem sido discutida ao longo dos últimos anos.

O padre Davide Pagliarini, até agora responsável pela SSPX em Itália, faz parte da ala dura do movimento e venceu de forma surpreendente, uma vez que se esperava que o bispo Bernard Fellay, que lidera o grupo há 24 anos, fosse reeleito.

Fellay tem sido um dos principais defensores da reunificação com Roma, temendo que a continuação da situação de cisão acabe por se tornar definitiva com a chegada à maturidade de uma geração de padres que nunca estiveram em plena comunhão com a Santa Sé.

A eleição teve lugar na quarta-feira passada, na Suíça, onde está sedeada a SSPX. Para além de Pagliarini, foram eleitos para o auxiliar o bispo Alfonso de la Galarreta e o padre Christian Bouchacourt, que também se crê serem contrários ao acordo com Roma.

Este desenvolvimento ameaça fazer descarrilar um trabalho difícil que tem sido levado a cabo ao longo da última década, primeiro por Bento XVI e agora por Francisco.

Durante o anterior pontificado chegou-se a esperar a assinatura de um acordo, mas isso acabou por não acontecer. O Papa Francisco teve, entretanto, uma série de gestos de boa-vontade para com os padres da SSPX e os fiéis que participam nas suas celebrações, permitindo que qualquer católico possa confessar-se a um padre do grupo e aceitando com regulares os casamentos celebrados nestes contextos.

Em rutura

Fundada pelo arcebispo Marcel Lefebvre, um dos maiores críticos do Concílio Vaticano II, a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, como é formalmente conhecida, rejeita a reforma litúrgica e conceitos como a liberdade religiosa e o diálogo ecuménico, que foram adotados pelo Concílio.

Entrando num caminho de rutura crescente com Roma, durante o pontificado de João Paulo II, Lefebvre acabaria por ordenar quatro bispos sem autorização, levando à excomunhão imediata tanto dele como dos quatro novos bispos.

Durante o pontificado de Bento XVI, como gesto de boa-vontade para facilitar uma reunificação, as excomunhões dos quatros bispos foram levantadas, mas Lefebvre morreu em 1991, em situação de rutura com a Igreja.

Roma reconhece a validade das ordens dos padres e bispos da SSPX, uma vez que foram ordenados por bispos com sucessão apostólica válida, mas com algumas exceções não reconhece a licitude do seu ministério, uma vez que não estão em plena comunhão com o Papa.

Os membros e fiéis da SSPX são por vezes apelidados de “lefebvrianos”, por causa do seu fundador, um termo que rejeitam.

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