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Rui Rio: "Ser líder da oposição é cada dia menos difícil"

12 jul, 2018 - 08:00 • Paula Caeiro Varela

O líder do PSD acredita que a esquerda vai acabar por entender-se para o Orçamento do Estado de 2019 e que o PS já perdeu a hipótese de alcançar maioria absoluta. Em entrevista à Renascença, Rui Rio diz que a sua tarefa é menos difícil a cada dia que passa porque as pessoas estão menos iludidas.
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O estado da oposição também faz parte do estado da nação e o presidente do PSD, Rui Rio, acredita que é um estado cada vez melhor - ao contrário do estado da nação que, diz, até pode ter aspetos melhores, mas em que o discurso do Governo não aguenta o confronto com a realidade.

Na véspera do debate sobre o estado da nação, em que o líder da oposição não participa por não ser deputado, Rio faz um balanço positivo e confiante dos seis meses à frente do PSD.

O estado da nação deve preocupar o país?

Sim, o estado da nação globalmente deve preocupar o país, embora haja coisas que estão bem e outras que até estarão melhor, mas há outras que estão pior. Naturalmente que no discurso oficial do Governo não encontram nada de pior, encontram um país que está em recuperação económica, que tem as finanças públicas mais equilibradas, tudo de bom. Terminou a austeridade, mas depois passamos para a prática e encontramos o serviço nacional de saúde, por exemplo, na situação em que encontramos. Como é que podemos achar que os portugueses acham que está tudo bem quando, se tiverem que se dirigir a um hospital público - eventualmente privado, mas sobretudo público - , não têm aquela assistência que gostaríamos que tivessem e os próprios profissionais de saúde a viverem num ambiente profissional desconfortável, porque não é confortável viver com escassez de meios, escassez de materiais, com as dívidas a crescerem .

Por exemplo, quando vamos meter gasóleo ou gasolina e temos de pagar um preço altíssimo e quem está na governação disse que se o preço do petróleo subisse baixariam os impostos que, entretanto, aumentaram e não o fazem. E não o fazem porque não têm condições para o fazer, se tivessem faziam. Porque é que não cumprem o compromisso que têm com os professores? Porque não podem. Mas, então, se não podem é porque a situação em que o país está não é a que eles dizem. Cada dia que passa fica mais clara a diferença entre o discurso que o Governo faz sobre a situação do país e a realidade, sem prejuízo de haver coisas que estão melhor, mas também estão melhor porque, primeiro, os ajustamentos foram feitos no tempo da troika, segundo, a economia europeia e mundial começou a crescer e arrasta a economia portuguesa. Não há da parte do Governo reformas concretas, medidas concretas indutoras do crescimento, há o aproveitamento de uma situação mais favorável. Parece-me que isto não é hoje evidente para os portugueses todos, mas é cada dia mais evidente para mais portugueses

Diria que já estamos em estado eleitoral?

Isso não diria. É o discurso que eles têm mantido desde o principio. O pré-eleitoral que está aqui são apenas as negociações à esquerda para o Orçamento do Estado, aí é que se nota já uma tensão pré-eleitoral. No discurso do Governo não, o discurso que o Governo faz hoje é o que fazia há um ano ou dois. É o discurso oficial. Só que contrasta bastante com a realidade

Independentemente da retórica do discurso e do debate político, parece-lhe provável que os dois partidos à esquerda voltem a aprovar o Orçamento do Estado?

Sim, admito que consigam isso. Primeiro, tinham um inimigo comum que era o PSD e o CDS, em parte. Uniam-se pela negativa. Agora, relativamente ao orçamento de 2019 acho que se vão unir por uma outra razão: ficam todos mal na fotografia. O PS, neste momento, já está a tentar culpar o PCP e o Bloco de Esquerda para o caso de não haver acordo, o BE e o PCP responsabilizarão o PS, estão já está num passa culpas. Vamos assistir a isto algum tempo, mas vai haver um momento em que eles todos vão dizer " sim, saímos todos a perder" e mostram as fragilidades politicas desta solução parlamentar. Admito que venham a arranjar um acordo.

E em que estado é que está a oposição?

A oposição está numa situação hoje mais confortável do que estava há um ano ou dois porque cada dia que vai passando vai sendo mais evidente para mais portugueses que o discurso oficial sobre o estado do país não corresponde à realidade. Há um ano as pessoas ainda andavam mais iludidas.

Mas isso tem também a ver com a mudança de líder?

Não me fica bem avaliar a mim próprio. É hoje menos difícil porque há mais portugueses hoje que já perceberam a diferença entre a realidade e o discurso do governo. O trabalho da oposição é sempre muito difícil, mas amanhã será menos difícil que hoje.

Três aspetos em que o PSD gostaria de contribuir para melhorar o estado da nação?

O mais importante é fazermos as reformas estruturais que carecem de entendimento entre mais do que um partido, em que nem que um partido tenha maioria absoluta consegue levar avante. Justiça logo á cabeça. Segurança social, em grande medida também a saúde. A educação também, mas é diferente, porque infelizmente não tem resultados imediatos, só a 10 anos. A reforma do sistema político. isto só se pode fazer com acordo entre os partidos e se os partidos tiverem capacidade para pôr o interesse nacional acima do seu próprio interesse partidário.

- Deixe-me voltar ao estado da oposição porque também faz parte do estado da nação. Acha que esta oposição - PSD, CDS - tem capacidade para liderar e ganhar as próximas eleições?

- A alternativa vai-se construindo e está-se a construir. Hoje estamos em muito melhores condições do que estávamos em Março, por exemplo, e em Outubro estaremos em melhores condições do que agora. A oposição tem uma componente de mostrar as fragilidades do Governo, outa em que deve contribuir com o Governo para o que é o interesse nacional e depois tem a componente de construção da sua própria alternativa. Essas propostas estão a ser elaboradas pelo conselho estratégico e vão dar corpo ao programa eleitoral.

Assusta-o a possibilidade de eleições antecipadas? E, por outro lado, tem algum receio de um crescimento significativo do CDS?

O que se debatia quando foram as eleições diretas do PSD em que fui eleito era que o PS ganharia as próximas eleições com facilidade e, provavelmente, com maioria absoluta. Na pior das hipóteses a precisar só de um partido para fazer maioria. Hoje, dizem 'maioria absoluta não têm de certeza' ...

Também acha isso?

… talvez ganhem, mas maioria absoluta não têm de certeza. Outros dizem 'talvez perca'. E eu penso que, daqui por uns tempos, vão dizer ao contrário "vão perder" e vão dizer "eles vão perder e o PSD vai ganhar" mais perto das eleições do que estar com antecedência. Há aqui uma evolução clara. Não sou adepto das sondagens, mas se pegar no conjunto das sondagens posso aferir uma tendência e a tendência é que, efetivamente, a diferença entre o PS e o PSD há um ano era muito grande e hoje é menos de metade do que era.

E relativamente ao CDS, não acha que pode ir buscar votos ao PSD?

O CDS é um partido independente do PSD. É um partido com que o PSD se entende com facilidade. Todas as eleições que ganhei – exceto as internas - que ganhei foi com o CDS. Agora, é um partido que tem uma ideologia diferente da nossa, um partido autónomo, mas que com facilidade se entende com o PSD, mas com uma diferença muito grande de implantação na sociedade.

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  • João Fernando Barreto Costa
    12 jul, 2018 Vila Nova de Gaia zbo 08:25
    Boa informação. Boas noticias.