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Vila Viçosa acolhe Instituto da Padroeira de Portugal

11 jul, 2018 - 18:49 • Rosário Silva

A decisão de estabelecer a instituição em Vila Viçosa não foi evidente, mas acabou por prevalecer o sentido histórico de esta ser a sede do santuário da Padroeira de Portugal.
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O projeto partiu de investigadores. O Instituto da Padroeira de Portugal para o Estudo da Mariologia (IPPEM) está criado e equipara, nesta temática, Portugal aos restantes países da Europa.

É apresentado publicamente, esta quinta-feira, em Vila Viçosa, onde vai ficar sedeado, e onde está o Santuário de Nossa Senhora da Conceição.

Em entrevista à Renascença o presidente da direção do IPPEM, o historiador e investigador Carlos Filipe, explica como nasceu o projeto e o que move as duas dezenas de subscritores, entre os quais, os reitores dos Santuários de Fátima e de Vila Viçosa.

Importa, em primeiro lugar, perceber como surge este projeto e com que objetivos?

Olhe, isto começa a partir de um diálogo, há já algum tempo, entre pessoas ligadas à Igreja, à academia e à sociedade, em torno de uma entidade, sobretudo académica, que desenvolvesse o tema da mariologia, com profundidade, mais do âmbito científico e cultural. Tudo isto subjacente ao princípio doutrinário da própria Igreja e tendo em conta os fundamentos culturais do povo português, um povo mariano, terra de Santa Maria.

Este diálogo foi ganhando expressão e, no ano passado, no decorrer de um congresso em França, intensificou-se mais a ideia, de tal forma que fomos surpreendidos pela não existência de uma entidade que tivesse o estudo desta temática em Portugal, ao contrário daquilo que acontece em todos os países da Europa, onde existe uma instituição de ensino superior ou mesmo da sociedade civil que estuda o fenómeno do seu padroeiro ou da sua padroeira. Aqui, o que procurámos foi colmatar, não substituindo, não ultrapassando, mas, sim, partilhando um diálogo entre a sociedade, entre a academia e entre a Igreja, nas várias amplitudes a que o tema nos pode levar.

Mas em termos concretos, em que se vai traduzir a missão deste Instituto?

O Instituto da Padroeira de Portugal para o Estudo da Mariologia (IPPEM) foi constituído a 1 de dezembro de 2017. Vai ter como desígnio principal conhecer e transmitir, do ponto de vista cultural e científico, tudo o que tem a ver com o tema da Virgem e o tema da Padroeira de Portugal, a Imaculada Conceição.

Nós estamos muito longe de alcançar aquilo que seria razoável em termos de conhecimento. É por essa via que pretendemos agregar esforços para que esta transmissão cultural seja perpetuada. Julgo que é uma oportunidade para todos, conhecermos, estudarmos e divulgarmos, um ato único à escala global, em que temos, exatamente, esta matriz mariana e, ao mesmo tempo, Nossa Senhora da Conceição como padroeira do próprio país. Parece-me que é de grande significado, e é esta transmissão de conhecimento, através de diversos estudos que serão preparados, que vão materializar-se, no futuro, numa série de áreas, desde as artes, à história, desde a musica à literatura ou à poesia, entre outras. Nestes e noutros âmbitos, vamos procurar estudar o tema da mariologia.

E Vila Viçosa surge como uma espécie de “berço” dessa devoção mariana?

Sim, mas posso dizer-lhe que não foi uma discussão fácil. Havia projetos já pré-concebidos e mais adiantados que este, mas havia, por outro lado, um sentimento de que a História também vale. Ora o significado do peso da História e do próprio local, não é indiferente ao facto do IPPEM ter a sua sede em Vila Viçosa. Depois de algum diálogo, foi unânime a sua aceitação, e eu penso que é fundamental, também, transferir este conhecimento para o interior. Normalmente este tipo de organizações estão localizadas em grandes centros, próximos de grandes academias e estudiosos, e esta é uma oportunidade muito valiosa para o interior. Há aqui uma função social, um diálogo entre partes geográficas do próprio país, que entendem a necessidade de fazer um esforço, agora e no futuro, para manter, quer a sede quer a sua atividade, em Vila Viçosa. Para sermos claros, digo-lhe que não vai ser fácil, mas queremos que seja uma realidade, a curto prazo.

E esta quinta-feira, dia 12, marca o arranque formal do IPPEM. O que vai acontecer?

É um gesto muito simbólico, que surge da apresentação do projeto, há algum tempo, ao senhor Presidente da República que se mostrou muito sensibilizado com a iniciativa e com a sua atualidade. Decidiu-se, então, fazer esta cerimónia, endereçando um convite, logo aceite e, por isso, esperamos contar com a presença do senhor professor Marcelo Rebelo de Sousa.

É a partir de quinta-feira, com a apresentação pública deste instituto, que vamos desenvolver todo o nosso trabalho. Queremos trabalhar com todos, sem exceção, entidades, instituições, com todos os credos disponíveis para o diálogo e, portanto, numa abertura total à sociedade. O que mais nos interessa é afirmar a cultura e a aproximação às pessoas, sempre com a nossa alegria própria de cristãos, valorizando o diálogo e a oportunidade.

Como presidente da direção do IPPEM, qual é, no imediato, a sua prioridade?

Vamos partir do zero. Está tudo por fazer. O que é necessário é, primeiro, estabilizar o projeto. Este é o principal aspeto a ser tratado. O IPPEM tem que ter condições económicas e financeiras, mas também de disponibilidade de pessoas. Nós temos um grupo de sócios-fundadores, uns a titulo pessoal, outros em representação de instituições, mas estamos muito longe de alcançar aquilo que era necessário. Creio, que vamos todos esforçar-nos por encontrar um grupo que nos possa ajudar a consolidar este projeto. Está previsto, também, que que as nossas atividades comecem ainda este ano, num programa a divulgar oportunamente.

Mas já existem ideias concretas?

Há ideias, mas temos que consolidar, em primeiro lugar, este nosso grande projeto. E para tal precisamos e queremos procurar e estabelecer a cooperação, o diálogo, com as instituições locais, regionais e nacionais para que o instituto possa ter o êxito que esperamos.

É um dos mentores do IPPEM, assume que esta não é especificamente a sua área, mas, na verdade, tem alguns trabalhos científicos que revelam o profundo conhecimento que tem sobre a temática. Presumo que este seja um desafio e um motivo de grande satisfação…

Sim, mas, em primeiro lugar, o sentimento é de uma grande responsabilidade.

Vamos entrar no processo das “dores do crescimento”, como se diz em economia.

A minha área não é, efetivamente, esta, mas estou ligado à iniciativa há muitos anos. É com todo o gosto e todo o respeito que me proponho alcançar aquilo que estabelecemos como objetivo e que é o diálogo com todas as entidades. Este é projeto coletivo, não é de uma só pessoa, e existe um propósito central, que passa por defender a nossa cultura, por esta via, com conhecimento e divulgando esse mesmo conhecimento.

O tema que dá origem ao IPPEM, para nós, continua a ser central, e hoje é discutido nas diversas universidades da europa. Sabe, é curioso que os investigadores estrangeiros falem sobre o tema português, noutros países, e não tenha havido até ao momento, quem em Portugal se dedicasse a estudar o fenómeno e a sua evolução. Havia aqui que colmatar este grande lapso. Queremos evidenciar as boas relações com a Igreja, com o Estado, com os privados. Este é um projeto muito oportuno, e certamente que a arquidiocese de Évora ficará ainda mais enriquecida.

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