O site da Renascença usa cookies. Ao prosseguir, concorda com o seu uso. Leia mais aqui.
A+ / A-

Equipa de torneio infantil parou em campo para protestar utilização de jogador mais velho

06 jul, 2018 - 19:00 • Inês Braga Sampaio

O momento invulgar foi protagonizado pela UDAL, na IberCup do Estoril, um dos maiores de futebol infantil do mundo. Em causa estava um jogo da categoria de 2008, em que o FC Valeo alinhara com pelo menos um jogador nascido em 2007.
A+ / A-

Os jogadores da equipa de benjamins da Escola de Futebol do Benfica Alta de Lisboa/UDAL ficaram quietos em campo durante os primeiros três minutos de um jogo da IberCup, no Estoril. A atitude de sete meninos de dez anos de idade foi tomada em protesto contra a autorização de utilização, por outra equipa, de jogadores de idade superior à categoria.

O momento invulgar foi protagonizado na quarta-feira, em jogo dos oitavos de final do torneio, que é um dos maiores de futebol infantil do mundo. Em causa estava o último jogo da fase de grupos, em que se disputava a liderança do grupo D da categoria 2008. O FC Valeo, dos Estados Unidos, bateu a UDAL por 6-5, com um golo nos últimos segundos de jogo.

O que revoltou a equipa portuguesa, contudo, foi o facto de a equipa norte-americana ter utilizado pelo menos um jogador nascido em 2007.

Apelo à justiça e à verdade desportiva

Em declarações à Renascença, o treinador e coordenador técnico da UDAL, Tiago Viegas, explica que a equipa norte-americana alegou à organização que tinha poucos atletas para jogar futebol de sete. “Tinham dez atletas, o que a meu ver é mais do que suficiente, até porque existem equipas, como a nossa, que tinham inscrito nove atletas e participaram lindamente”, observa.

A verdade é que os regulamentos, conforme constam no site oficial do torneio, preveem que uma equipa de futebol de sete pode pedir autorização especial para utilizar jogadores de idade acima do escalão em que participa. No entanto, a UDAL também protesta que houve um jogador em campo que não constava na ficha de jogo. Situação que não é permitida pela IberCup. Porém, não houve qualquer penalização para o FC Valeo, que fruto daquela vitória ficou isento de participar nos “oitavos” e avançou para os “quartos”.

Por outro lado, a UDAL sofreu cinco golos durante os três minutos de protestos, no jogo seguinte, frente ao RB6 School Soccer, e acabou por ser eliminada, com uma derrota por 13-2.

“Não acho correto nem acho justo que a minha equipa seja penalizada por outra equipa que não cumpriu os regulamentos. Assim sendo, qualquer equipa pode utilizar atletas mais velhos, o que não corresponde à verdade desportiva”, critica Tiago Viegas, que considera que, como “agentes educadores”, todos os envolvidos num torneio do género devem ter maior atenção a estas situações, porque “acabam por influenciar a educação e os princípios” com que os jogadores crescerão:

“Isto não é ganhar a todo o custo. Não há necessidade de ultrapassar as regras para atingir os fins. No final de jogo, é importante os atletas irem de consciência tranquila porque deram o máximo, seja for o resultado”.

Dos pais, passando pela escola até aos jogadores

A ideia do protesto partiu dos pais, agastados com uma situação que a equipa já tinha vivido no fim-de-semana anterior, noutro torneio. A escola apoiou. Quanto aos jovens atletas, após conversas com os pais e com a escola, “acabaram por compreender e aceitar” a iniciativa.

“Eles próprios se sentem um bocadinho revoltados, porque acabam por jogar sempre com atletas mais velhos. Isso acaba por desmotivá-los”, assinala Tiago Viegas.

No final de contas, o treinador aponta o dedo ao FC Valeo, que “nem devia ponderar jogar com atletas mais velhos”, e à organização da IberCup, pela falta de controlo sobre as idades. Deixar de participar está fora de questão, mas a UDAL espera ver mudanças: “Gostaríamos que a organização da IberCup pudesse alterar esse aspeto e que, no futuro, fosse mais rigorosa. Todos erramos, agora há que aprender com os erros e evoluir e melhorar, para que os erros não se voltem a cometer”.

IberCup reage e remete aos regulamentos

Contactada pela Renascença, a organização da IberCup contesta os argumentos da equipa lisboeta. Esclarece que, após análise minuciosa das fotografias enviadas pelos responsáveis da UDAL e, "de acordo com o regulamento do Torneio e deliberação conjunta do comité organizativo", não considerou existirem motivos para protesto ou sanção ao FC Valeo.

A organização lembra que os jogadores não são obrigados a usar o mesmo número na camisola durante todo o torneio e que um jogador pode representar a mesma equipa em escalões diferentes, desde que não represente um clube diferente. E recorda que as equipas podem pedir autorização especial prévia para utilizar jogadores mais velhos.

"Convém também referir que após verificação do 'line up' por parte do responsável de campo, o nome do atleta estava contemplado na ficha de jogo e, como tal, habilitado a jogar", remata a organização da IberCup, em comunicado.

[notícia atualizada a 7 de junho, às 15h46 - organização da IberCup reage]

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Sandra Semedo
    08 jul, 2018 Lisboa 20:24
    Se a categoria é 2008, por que raio colocam jogadores de 2007 a jogar, o mais grave dão autorização para a fraude, aliás havendo dinheiro envolvido ( porque o torneio é pago), não seja caso de polícia, onde o critério de igualdade, que raio de aprendizagem é valores estão a dar às crianças? Uma coisa está organização do ibercup Estoril veio nos dar, que este torneio tem descrédito, uma falta de moral e desrespeito total para com os pais, principalmente para as crianças que são o futuro de hoje, é de lamentar.
  • Mário Nunes
    07 jul, 2018 Lisboa 20:03
    Relativamente a este episódio concreto, enquanto pai de um jogador da equipa que protestou, alguns factos, excertos do Regulamento e considerações para reflexão: --------------- TEMA 1: jogadores mais velhos - o escalão em causa (2008) apenas pode ter jogadores com idade superior , se autorizado pela organização - qual o argumento e verdade desportiva para que uma equipa americana de 14 (sim, 14 jogadores) tenha de inscrever pelo menos 2 jogadores "convidados", portugueses e mais velhos (sim, portugueses), federados pelo Sporting CP (que não creio ser uma equipa sequer americana) - estas exceções têm mais recetividade da organização se tiverem origem em equipas estrangeiras? - quantas exceções "autorizadas" houve a equipas estrangeiras? - quantas exceções "autorizadas" houve a equipas portuguesas? - porque é que em 10 jogos (todos os jogos de 2 equipas que acompanhei , não houve qualquer controlo de jogadores e idades) - quantos controlos foram realizados no escalão 2008 e a que equipas? - em quase todos os jogos pareceu haver jogadores sem pulseira de controle (contrariando o ponto 6.11.3 e 6.11.5 do Regulamento) --------------- TEMA 2: jogadores sem número ou com número não existente na ficha de jogo - foi utilizado um jogador cujo número (14) não constava na lista de inscritos e de jogo (curiosamente, era o jogador mais alto em campo) contrariando em absoluto os pontos ---5.1.5 - O número nas camisolas de cada jogador terá de ser o mesmo que cada jogador tem na ficha de jogo. ---5.2.1 - O número nas camisolas é OBRIGATÓRIO. ---5.2.2 - O número dos jogadores na ficha de jogo têm de ser os mesmos dos números nas camisolas nos jogadores. ---5.2.3 - Todas as camisolas têm de estar numeradas e os números corresponderem aos da ficha de jogo. ---5.2.4 - Os números devem constar nas costas das camisolas. - No dia seguinte assisti a um jogo em que um dos "maiores" jogadores tinha uma camisola sem número (algo que contraria os pontos do regulamentos atrás referidos ... mas aparentemente também deve ser permitido como "exceção" , desde que autorizada) Assim sendo... Ibercup, aceitem as minhas saudações de verdade desportiva, fair-play e desculpas pela minha total ignorância na interpretação da vossa ética desportiva e aparente inacção organizativa (que não quero que entendam como falta de competência)! PS: Haverá um kit borla excepcionalmente autorizado para a UDAL em 2019?
  • Paulo
    07 jul, 2018 Setubal 00:18
    Assisti a este episódio. Foi antes do jogo da equipa do meu filho no Jamor.É uma tristeza a falta de ética mesmo nos escalões de formação.Felizmente os bons exemplos superam os maus exemplos.Torneio muito bom mas com alguma falta de controle que podem levar a situações como esta de utilização irregular de jogadores.