A+ / A-

"Orfeo ed Eurídice". A ópera está de regresso a Évora pelas vozes de jovens talentos

05 jul, 2018 - 16:22 • Rosário Silva

O projeto sonhado pelos alunos da escola de artes da Universidade de Évora cresceu, congregou vontades e apresenta-se à cidade que os acolhe.
A+ / A-

É uma das óperas que ficou conhecida como “a ópera da reforma”. A música, a ação e a simplicidade de "Orfeo ed Eurídice", do alemão Christoph Willibald Gluck, chegam à cidade de Évora por iniciativa de estudantes da Universidade.

“Este projeto surge da nossa necessidade, como alunos, de criarmos algo que nunca tivemos oportunidade de fazer no curso que é a montagem de uma ópera”, conta à Renascença Inês Pinto, atualmente a frequentar o Mestrado em Ensino de Música, vertente Canto Lírico, na instituição eborense.

A peça estreia esta sexta-feira à noite, na Casa Morgado Esporão, depois de seis meses de preparação e de uma intensa colaboração institucional.

“Só foi possível porque tivemos muitos apoios, como por exemplo do CENDREV que nos emprestou algumas roupas, da associação académica que colaborou na divulgação, da própria universidade com os meios técnicos e da câmara de Évora que nos empresta o piano”, revela a jovem de 22 anos

Natural do Porto, Inês também é responsável pela produção, em colaboração com a encenadora Joana Leonardo, ex-aluno do Curso de Teatro da Universidade de Évora.

A ópera conta com três personagens - Orfeo, Eurídice e Amore – e narra a história de como Orfeo devolve Eurídice à vida, enfrentando o inferno para recuperar a sua amada.

“Eu faço o papel do Amore, aquele que muda a história numa obra que já teve muitas interpretações, muitos escritores", refere Inês Pinto. Na versão de C. Gluck, explica, é Amore quem contribui para que a história tenha um final feliz, "uma coisa que nunca tinha acontecido" noutras interpretações e com outros escritores, aponta.

Personagem fundamental é o coro, tendo sido convidado o Coro Polifónico Eborae Musica, dirigido por Eduardo Martins. Para pianista acompanhador foi convidado o aluno de licenciatura em piano Eduardo Proença.

“Sou o pianista que acompanha a ópera, desempenhando o papel da orquestra numa redução para piano, e estou muito entusiasmado”, revela o jovem de 22 anos.

É um grande desafio para Eduardo Proença que vai estar em permanência no palco, para “dar a continuidade certa, o ritmo entre os andamentos, no fundo, simular o trabalho de uma orquestra no piano, dado que há aqui uma transcrição que tem de ser o mais fidedigna possível e, depois, a parte musical e emocional que a própria obra exige”.

À emoção do jovem pianista junta-se o entusiasmo e a confiança de Inês Pinto. “Acredito que vai ser um sucesso”, confessa-nos. Crê nisso por dois motivos: “Em Évora, as pessoas não estão habituadas a este género de espetáculo e, depois a ópera é uma das mais completas, pois tem luz, cenografia, dramaturgia, musica, teatro, e no nosso caso, também, temos dança”.

Logo que tomou contacto com o projeto, a Casa Morgado Esporão disponibilizou-se para receber o evento. “Vem de encontro a um dos nossos objetivos que é o reforço do apoio à cultura na cidade”, sublinha à Renascença a diretora-geral desta Residência das Artes, Ciências e Humanidades.

“É muito aliciante ver alunos com esta iniciativa e força e apoiar é um estimulo”, acrescenta Ana Clara Meireles, lembrando que o espetáculo “deixou de ser apenas dos alunos da universidade e passou a integrar a festa cultural em Évora”.

A responsável reconhece que não foi fácil conjugar vontades, tendo sido necessário “motivar e encorajar as diferentes instituições” para que o projeto se tornasse possível. “Quando nos unimos, conseguimos e as coisas acontecem”, ressalta.

Sobre o espetáculo, Ana Clara Meireles salienta o facto de ser “uma ópera curta, leve”. Para quem não conheça o libreto, foi possível “legendar em português, com o apoio de um responsável pelo Teatro de S. Carlos que assumiu a tradução e a projeção das legendas”, explica.

“Orfeo ed Eurídice” estreia na noite desta sexta-feira, dia 6 de julho, na Casa Morgado Esporão. O espetáculo repete no dia 14 de julho, no Conservatório Regional de Évora.
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.