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Dizem que não há São Pedro como o da Afurada

28 jun, 2018 - 12:30

À freguesia piscatória de Vila Nova de Gaia acorrem todos os anos milhares de pessoas para as festas em honra de São Pedro. “Hoje, já não há amor à festa como nos tempos antigos, mas o São Pedro sempre foi e será da Afurada."
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“É a melhor festa do Norte”, afirmam todos os pescadores e moradores da Afurada, a freguesia gaiense plantada junto à foz do Rio Douro, terra de pescadores que, dizem, vive o ano inteiro a pensar na festa de São Pedro.

“Espero o ano inteiro para comemorar o meu padroeiro. A festa representa muito para a nossa comunidade de pescadores, é o nosso santo protetor”, afirma à Renascença o mestre António Gomes.

“Orgulho e amor” é o que os pescadores sentem pelo seu santo, também ele pescador. A festa deste ano começou a 21 e vai estender-se até ao dia 2 de julho.

O ponto alto da romaria é a procissão de domingo, dia 1, que, este ano, conta com 46 andores, com imagens em o tamanho real e, como sempre, carregados pelos pescadores.

Na segunda-feira à noite, dia 2, no fim da festa, os pescadores cumprem a tradição: sobem o Douro até à igreja da freguesia e tocam as sirenes em honra de São Pedro. As flores do andor do santo são, então, lançadas às aguas do rio para homenagear os náufragos da freguesia.

Mas a grande festa popular, com menos simbologia cristã e mais pagã é a noite desta quinta-feira e madrugada do próprio dia de São Pedro, 29. Uma das tradições é a recitação de quadras populares em honra do santo, embora muitas delas tenham outra carga. Ana do Mar, moradora da Afurada, dá um exemplo: “São Pedro d'Afurada/é muito bom rapaz,/mas também tem uma coisinha/que anda para a frente e para trás”. Com a autoridade de pertencer à comissão de festas, explica: "A palavra 'coisinha' pode ser entendida com alguma maldade, mas neste caso, remete para o barco do santo".

De acordo com a tradição, os pescadores da freguesia organizam a romaria. No passado, os rendimentos que os locais tiravam da pesca constituíam a principal fonte de receita para a realização desta festa, mas os tempos são outros e o reduzido volume de pesca forçou a procura de novas soluções.

“Os barcos trabalham pouco, a escassez de sardinha é uma das causas para a perda de ajudas para a festa”, conta o morador Agostinho Brito.

“Espero o ano inteiro para comemorar o meu padroeiro”, diz o mestre António Gomes

Atualmente, são os estabelecimentos comerciais, principalmente os cafés, que angariam dinheiro através de mealheiros, sorteios e patrocínios, além das ajudas institucionais do município.

Os mais antigos, como é hábito, dizem que as coisas mudaram: “Hoje, já não há amor à festa como nos tempos antigos", diz mestre Gomes, temendo as festividades do São Pedro deixe de ser dos pescadores passando a uma festa para turistas. Ainda assim, António Gomes não tem dúvidas: "O São Pedro sempre foi e será da Afurada".

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