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Reportagem

Na fila da frente do Rock in Rio. Provavelmente, os melhores fãs do mundo

23 jun, 2018 - 19:43 • Ricardo Vieira

O sol e o calor inclemente, as longas horas de espera, nada os faz largar o gradeamento em frente ao palco principal. O povo do Rock in Rio é uma mistura de nações, que fala a linguagem global do amor pela música.
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Percorreram centenas de quilómetros, cruzaram fronteiras, dormiram ao relento, fizeram sacrifícios. Tudo em nome do amor pela música e para estarem na fila da frente do primeiro dia do festival Rock in Rio - Lisboa, que arrancou este sábado.

As portas do Parque da Bela Vista abriram pelas 12h15 e, depois de toda a espera e nervoso miudinho, dezenas de fãs desataram numa correria desenfreada.

O destino era apenas um: a frente do Palco Mundo onde, dali a algumas horas, Diogo Piçarra, Haim, Bastille e Muse - os mais aguardados da noite - vão ascender para entoar hinos e retribuir toda a dedicação dos fãs.

Agarrados como lapas ao gradeamento para verem os seus ídolos de muito perto ou sentados uns metros atrás nos já icónicos sofás insufláveis cor de laranja, o povo do Rock in Rio é uma mistura de nações. Os portugueses e as camisolas dos Muse estão em maioria, mas há muitos espanhóis, franceses e até uma representação japonesa.

Ara e Bepi viajaram de Espanha “só para ver os Muse” e conheceram-se ali mesmo, na fila da frente. “Os Muse juntam as pessoas”, diz Ara, 21 anos, natural de Sevilha, que está em Portugal para assistir ao seu primeiro concerto da banda britânica. “Estou a morrer de ansiedade”, desabafa.

Bepi já viu Muse ao vivo uma vez, “mas nunca tão de perto”. Chegou de madrugada, vinda de Cordoba, e traz um cartaz “Plug In Baby”, uma das músicas mais conhecidas dos três de Devon.

Perante o sol inclemente do meio-dia, João Matos, com uma camisola verde e branca do Sporting Clube de Portugal, sobressaia no meio da pequena multidão. Em dia de reunião magna decisiva para o futuro clube de Alvalade, o jovem leão, de 25 anos, vem acompanhar Margarida, a irmã mais nova de 14, no primeiro dia de Rock in Rio.

“Era para ir à assembleia geral do Sporting, mas por causa da minha irmã não pude. Ainda estou a pensar ir lá de fininho (risos)”, diz João. Margarida acrescenta que o mano mais velho, ainda por cima, nem gosta muito de Muse. É o que se pode chamar amor incondicional.

Em frente ao Palco Mundo há um corredor que os artistas podem percorrer durante os concertos. Foi aí que, estrategicamente, se instalaram o casal Fernanda e Jorge, de Linda-A-Velha.

Acompanham as filhas, Joana e Inês de 16 e 12 anos, respetivamente, “as fãs número 1 de Diogo Piçarra”, garantem. A provar esta devoção estão os muitos quilómetros feitos para ver o cantor de “Tu e eu” em vários pontos do país.

A música também pode servir para unir as famílias e é o que acontece com Maria de Jesus, que está no Rock in Rio porque a filha lhe ofereceu pelo 46º aniversário um bilhete para ver a sua banda favorita: os Muse.

“Sempre na fila da frente”, para Maria Jesus este será o quinto concerto ao vivo da banda britânica. É sempre brutal, recorda.

Está com as amigas Vitória e Ana Resende, veteranas dos festivais. “Para nós, é a quinta edição do Rock in Rio sempre na primeira fila. Já temos um kit de sobrevivência: sandochas, chocolates, bolachas, batatas fritas para elevar a tensão e muitos líquidos porque está mesmo muito calor”, recomendam.

Gilberto Coelho, de 25 anos, fez “300 e tal quilómetros” desde Vale de Cambra, com a namorada e amigos, para os dois primeiros dias do festival, mas admite que é “viciado em Muse”.

Gilberto não tem uma canção preferida, gosta de todas. Mas o amigo Toni decidiu anunciar o seu amor à banda e tatuou no braço o nome do seu tema de eleição: “Resistance”.

“É a minha música favorita e decidi fazer a tatuagem. Tinha 18 anos”, conta Toni. Resistência não falta ao povo da fila da frente do Rock in Rio. Coragem, só falta mais um bocadinho. A música já está a chegar.

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