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​Patriarca elogia progressos no diálogo inter-religioso

23 mai, 2018 - 01:11

A recente posição assumida pelas diversas religiões contra a eutanásia é, para D. Manuel Clemente, um sinal positivo.
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O cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, diz que a posição assumida pelas diferentes religiões em defesa da vida é um sinal positivo no diálogo inter-religioso.

A recente posição assumida pelas diversas religiões em defesa da vida e da dignidade da vida humana é, para D. Manuel Clemente, um sinal positivo.

O cardeal patriarca considera que foram dados passos significativos que seriam impensáveis há algumas décadas.

“Esta hoje quase normal coexistência de pessoas com várias pertenças religiosas nos mesmos espaços não era assim. Muito se tem avançado no sentido do diálogo inter-religioso. Ainda na semana passada, aqui em Portugal, fez-se uma coisa que nunca foi possível, que foi uma declaração comum de representantes de várias religiões a propósito das questões da vida e dignidade humana e a proteção da vida. Isso era impensável”, disse D. Manuel Clemente.

O cardeal patriarca de Lisboa falava, esta terça-feira, durante uma das sessões das Conferências do Chiado, organizadas pela CidSenior - Movimento para a Cidadania Senior, em que falou sobre "A religião na sociedade atual".

Portugueses podiam impulsionar a interculturalidade no mundo

O patriarca defendeu que os portugueses, que foram "o arranque da globalização", podem ser também os impulsionadores da interculturalidade, e deu o exemplo da "grande Lisboa", onde coexistem pacificamente mais de 100 nacionalidades.

Depois de fazer um percurso histórico das sociedades e da religião, D. Manuel Clemente centrou-se na atualidade, elogiando por exemplo os avanços no diálogo entre as religiões, mas lamentando a supremacia do "eu" e do uso da Internet de uma forma que considerou má, exemplificada no exagero do uso do telemóvel.

"Também uso diariamente a internet, mas não dispenso a conversa pessoal", diria na resposta a uma pergunta da audiência, acrescentando: "a cidade perde muito do seu conteúdo", e questionando: "nós realmente acompanhamo-nos?".

É por isso que, disse, "efetivar comportamentos que perspetivem futuro é o desafio das grandes cidades".

E a "grande Lisboa" tem uma tal variedade de culturas que pode "ensaiar a interculturalidade", porque tem um passado e tem uma grande variedade de culturas que coexistem de forma feliz.

Antes Manuel Clemente já tinha lamentado os "apelos ao ter" ao "tudo para mim", uma atitude "quase infantil".

"Às vezes não se cresce e fica-se com essas apetências primárias. Não se cresce em termos do outro", disse, acrescentando que tal se exacerbou a partir dos anos 60 e sobretudo dos anos 80 do século passado, quando já tinham acabado os grandes desígnios e as ideologias tinham entrado em crise.

"Hoje é uma época de grande fragmentação, com uma globalização que não sabemos como dominar ou se é ela que nos domina a nós. Sem falar dos grandes impérios da comunicação, que estão a decidir agora o que amanhã devemos pensar", disse.

E depois, já quase no final da intervenção, confessou: "não sei para onde caminhamos". Falava da desinformação, das "verdades de hoje, desmentidas amanhã".

"Temos de filtrar isto em grupo. É isso que depois marca e cria futuro. A convicção repartida numa comunidade cria futuro", disse.

Numa resposta à questão da controvérsia sobre a criação ou não de um Museu das Descobertas, quando lhe perguntaram se seria preferível um Museu das Missões, que D. Manuel Clemente respondeu que nem um nem outro, que preferia Museu do Mar, porque foi por ele que tudo começou.

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