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​O que já disse o Papa sobre a eutanásia?

15 mai, 2018 - 07:00 • Cristina Nascimento

Francisco tem opinado sobre casos mais mediáticos e envia mensagens a iniciativas de apoio à vida.
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Têm sido várias as ocasiões recentes em que o Papa se tem pronunciado sobre a eutanásia, nomeadamente quando surgem casos que ganham expressão mediática a nível global. O mais recente é o caso do bebé Alfie Evans, o menino britânico de 23 meses que acabou por morrer cinco dias após ter sido desligado das máquinas que o mantinham vivo.

Alfie Evans sofria de uma doença rara que não foi diagnosticada e para qual os médicos garantiram não existir cura. O caso tornou-se polémico porque os médicos defendiam o desligar das máquinas, mas os pais não concordaram e entraram numa batalha legal para transferir Alfie para uma unidade hospitalar em Itália que pretendia continuar a assistir o menino.

Francisco mencionou este caso várias vezes, uma delas em meados de abril, quando Alfie ainda estava ligado às máquinas. “Chamo, mais uma vez, a atenção para os casos de Vincent Lambert e do pequeno Alfie Evans. Gostaria de repetir e confirmar, com força, que o único dono da vida, do início ao fim natural é Deus”, disse, no final da audiência pública semanal que decorreu na Praça de São Pedro.

Antes, em novembro de 2017, o Papa já tinha abordado quer a questão da eutanásia, como da distanásia (o prolongamento obstinado da vida através de terapias exageradas). Numa mensagem escrita dirigida ao arcebispo Vincenzo Paglia, presidente da Academia Pontifícia para a Vida, a propósito do Encontro Regional Europeu da Associação Médica Mundial, o Papa recorda que a Igreja Católica considera lícito interromper ou recusar tratamentos médicos em certas circunstâncias e que estas decisões reconhecem “os limites da nossa mortalidade, quando se torna evidente que é fútil opor-se a ela”. No entanto, ressalva que, “do ponto de vista ético, é completamente diferente da eutanásia, que é sempre errada, na medida em que a intenção da eutanásia é causar a morte”.

Já no início de 2018, Francisco voltou a falar sobre o tema, desta vez num discurso dirigido à Congregação para a Doutrina da Fé. O Papa criticou a mentalidade que leva à aceitação da eutanásia, dizendo que numa sociedade onde o valor da vida não se mede pela sua dignidade inerente, tudo é possível. Francisco lamentou que o “processo de secularização” esteja a “absolutizar o conceito de autodeterminação e autonomia” levando vários países a defender a eutanásia “como afirmação ideológica da vontade de poder do homem sobre a sua vida”.

Mais recentemente, no passado dia 6 de maio, após a recitação da oração do “Regina Coeli”, na Praça de S. Pedro, no Vaticano, o bispo de Roma diz que é preciso “cuidar dos idosos, como um tesouro precioso e com amor, mesmo quando criam problemas económicos e dificuldades”. “É por isso que aos doentes, mesmo na fase terminal, devemos dar toda a assistência possível. É por isso que os nascituros são sempre acolhidos; enfim, é por isso que a vida é sempre tutelada e amada, desde a conceção ao seu fim natural. Isso é amor”, sublinha Francisco.

Apoio a iniciativas portuguesas em defesa da vida

Em Portugal, a discussão em torno do tema regressou à ordem do dia, a propósito das iniciativas legislativas de esquerda que pretendem debater e votar propostas no sentido de legalizar a eutanásia.

Em outubro de 2017, realizou-se uma caminhada pela vida em Aveiro, Lisboa e Porto, eventos aos quais o Papa se associou, enviando uma carta. No documento, o Papa manifesta o desejo de que “apareçam sempre mais homens e mulheres de boa vontade que abracem corajosamente a verdade e valor que cada ser humano tem para Deus, sustentando tal verdade com factos e razões científicas e morais num dramático apelo à razão, para se voltar ao respeito de cada vida humana”, da conceção à morte natural, “na batalha contra o aborto, eutanásia e demais atentados à vida humana”.

Depois, dias mais tarde, realizou-se nova caminhada em defesa da vida, desta vez com destino ao Parlamento. A abrir o desfile, um dos organizadores leu a carta enviada pelo Papa Francisco, na qual este saudava os participantes, enviando a sua bênção apostólica e considerando que se deve "voltar ao respeito da vida". Francisco, na mesma carta, escreveu que esta marcha deve ser vista como uma manifestação "contra a cultura do descarte, orientada por uma lógica económica".

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  • catarina sarmento
    16 mai, 2018 Porto 11:43
    Creio que a legalização da eutanásia terá consequências mais negativas que, se as houver, positivas. Noutros países mostra que há cada vez mais casos, com cada vez com menos consentimento... “rampa deslizante”. Ainda existe muito a fazer ao nível dos cuidados paliativos no nosso país, pelo que seria importante melhorar e desenvolver esta área da medicina para dar uma real, honesta e positiva alternativa à morte assistida. Os políticos devem ter em conta o parecer do Conselho Nacional Ciências da Vida sobre essa lei que no próximo dia 29 vão votar. Peço a rejeição de qq proposta de legalização da eutanásia, e apelo a que se defenda e promova a criação de uma verdadeira rede nacional de cuidados paliativos. Acredito na capacidade, criatividade e humanismo do povo português. Vamos trabalhar todos para a qualidade de vida de todos.Quero um Portugal positivo, solidário, com vida e pela vida de todos os portugueses, não um país que ruma a leis que dão sinais negativos à sua população atual e futura; de egoísmo, presunção de superioridade, vida descartável, facilitação e lastro da morte. Quero portugueses a nascer, viver e a morrer com dignidade. Quero a proteção da vida; incentivos às famílias e à natalidade; boa educação; instituições estatais e ong's capazes; eficientes e que trabalhem em rede; ajudas aos deficientes; bons cuidados paliativos implementados no país todo. QUERO UM PORTUGAL HUMANO, SÓLIDO E POSITIVO. Mas com esta Lei, assim não será.
  • Anónimo
    15 mai, 2018 19:44
    A Rádio Renascença parece algo obcecada com a eutanásia. Porque será?