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Bispo do Porto. Eutanásia pode representar "terrível abaixamento do barómetro moral da sociedade"

09 mai, 2018 - 17:09 • Henrique Cunha

D. Manuel Linda revelou uma nota de reflexão face a processo legislativo em curso sobre a morte assistida, alertando para "consequências que podem ser dramáticas".
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O bispo do Porto, D. Manuel Linda, alerta para o perigo da eutanásia poder representar "um terrivel abaixamento do barómetro moral da sociedade com consequências que podem ser dramáticas".

Num encontro com jornalistas, a propósito do Dia Mundial das Comunicações Sociais que se celebra domingo, D. Manuel Linda quis revelar a sua reflexão face a processo legislativo em curso sobre a morte assistida, um "pequeno contributo para um diálogo cultural sério",.

D. Manuel Linda defende que a criação da legislação sobre a eutanásia pode enfraquecer a sociedade, porque "a eutanásia representa um terrível abaixamento do 'tónus' moral da sociedade, com consequências que, a médio prazo, podem ser dramáticas”.

"O que mais deveria preocupar os dirigentes sociais é o desaparecimento da ética”, sublinhou o bispo que tomou posse a 15 de Abril, para quem a eutanásia “exprime uma mentalidade que tem a ver com a própria conceção da pessoa e da sociedade”.

Para D. Manuel Linda, esta questão “manifesta uma cultura que parece cansada, demitida de procurar a verdade e o bem, reduzida ao simplismo demissionário do mais fácil, que corre o risco de conduzir à desagregação social”.

Na sua nota, o bispo do Porto pergunta “se, quando alguém diz que quer morrer, essa linguagem é unívoca ou não estará antes a lançar um grito de acusação àqueles que, 'criminosamente', lhe negam o conforto e a proximidade afetiva”, rematando: "Os modernos analgésicos suprimem praticamente toda a dor física."

D. Manuel Linda sustenta que problemas como, por exemplo, o da pobreza em Portugal, deveriam estar no centro das preocupações da sociedade, dado que “no preciso momento em que este assunto passou para a ordem do dia, a comunicação social está a referir um dado profundamente monstruoso: que, nos cerca de nove milhões de portugueses, dois milhões e quatrocentos mil ou são pobres ou estão em risco de pobreza”.

"Esse, sim, deveria ser o tema a preocupar os dirigentes sociais”, enfatiza D. Manuel.

No encontro com os jornalistas, D. Manuel Linda revelou o seu particular empenho nos processos de canonização do padre Américo de Aguiar, fundador da Casa do Gaiato, e de D. António Barroso, antigo bispo do Porto, cujo centenário da morte se celebra a 31 de Agosto.

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  • Humanista
    11 mai, 2018 Lisboa 08:11
    Obrigar alguém a viver sofridamente, só porque sim… contrariando a sua vontade em nome de uma moral quase sempre alicerçada no divino e, por isso mesmo, divorciada da realidade, é que me parece horrivelmente mau. Quem ataca o direito à eutanásia, não tem em atenção a vontade do outro, mas apenas a sua que quer ver privilegiada e decretada como lei, numa atitude egoísta e prepotente, querendo que toda a sociedade afine pelo seu pensamento, à boa maneira fascista. O que, no mínimo… não é democrático…
  • João Lopes
    10 mai, 2018 Viseu 16:00
    A eutanásia e o suicídio assistido continua a ser homicídio mesmo que a vítima o peça, tal como a escravatura é sempre um crime, mesmo que uma pessoa quisesse ser escrava! Com a legalização da eutanásia e do suicídio assistido, o Estado declararia que a vida de pessoas doentes e em sofrimento não lhe interessa, e não as protege...
  • Maria Lucas
    10 mai, 2018 Mafra 15:18
    Desejo subscrever a entrevista de D. Manuel Linda, acrescida do descalabro, a que todos nós cidadãos ficamos expostos, quando ninguém "algum dia" nos poderá defender! Até agora a esperança do doente e família - e o doente é e será cada cidadão - tem sido o médico. Aprovada a lei da eutanásia e morte assistida/homicídio/suicídio eu já não tenho CONFIANÇA nos médicos. Estamos expostos ao que os deputados, que hoje estão no parlamento, quiserem para o futuro. Esses senhores/as não representam o sentir do POVO PORTUGUÊS! Nós não queremos que nos representem para morrermos mais depressa para não sermos incómodos nem uma despesa acrescida na segurança social. Nós pagamos os impostos que nos impõem, mas para viver, não para nos matarem. Obrigada pela atenção.
  • Anónimo
    09 mai, 2018 21:12
    A austeridade, o racismo, o sexismo, a homofobia, os abusos sexuais na igreja... Não, o que realmente representa um "abaixamento do barómetro moral da sociedade" é dar às pessoas o direito a terem uma morte digna.
  • Augusto
    09 mai, 2018 Lisboa 19:27
    A FOME o DESEMPREGO, podem representar um terrível abaixamento da moral da sociedade. Não é um debate sobre direitos liberdades e garantias dos cidadãos , que representa qualquer perigo.