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Manuel Pinho só fala com os deputados depois do interrogatório do MP

30 abr, 2018 - 12:35

Ex-ministro da Economia de Sócrates diz que "não foi confrontado pela autoridade judiciária competente" e, por isso, os deputados vão ter de esperar.
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O ex-ministro da Economia Manuel Pinho, arguido no caso EDP, está disposto a prestar “todos os esclarecimentos” aos deputados, mas só depois de ser interrogado pelo Ministério Público (MP), segundo um comunicado do seu advogado.

“É sabido que as dúvidas que justificam essa diligência nasceram a partir da divulgação pela comunicação social de documentação que constará do processo em que foi constituído arguido (e onde há mais de dez meses aguarda por ser ouvido) e com a qual ainda não foi confrontado pela autoridade judiciária competente”, adianta um comunicado enviado à agência Lusa pelo seu advogado Ricardo Sá Fernandes.

Desta forma, Manuel Pinho entende “que essa audiência apenas pode ter lugar depois de ser interrogado pelo Ministério Público”.

Os deputados do PSD e do PS pediram a audição do ex-ministro do governo de José Sócrates para esclarecer as alegadas suspeitas que lhe têm sido imputadas, nomeadamente pelo jornal ‘on-line’ Observador, segundo o qual há suspeitas de Manuel Pinho ter recebido, entre 2006 e 2012, cerca de um milhão de euros.

Na nota, o advogado revela que Manuel Pinho está na China, em atividade académica para dar aulas e fazer conferências, “mas deslocar-se-á a Portugal quando necessário, desde que avisado com antecedência razoável”.

Segundo Ricardo Sá Fernandes, o ex-ministro, tendo sabido da iniciativa do PSD de solicitar a sua audição na Assembleia da República “agradece a oportunidade que lhe é dada e vem dizer que prestará todos os esclarecimentos atinentes às questões que os deputados lhe queiram colocar relativamente quer ao período em que foi ministro, quer antes, quer depois”, mas que só fará depois de ser interrogado pelo Ministério Público.

De acordo com o jornal, os pagamentos terão sido realizados a "uma nova sociedade 'offshore' descoberta a Manuel Pinho, chamada Tartaruga Foundation, com sede no Panamá, por parte da Espírito Santo (ES) Enterprises — também ela uma empresa 'offshore' sediada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas e que costuma ser designada como o ‘saco azul’ do Grupo Espírito Santo".

As transferências, descreve o Observador, que cita um despacho de 11 de abril dos procuradores Carlos Casimiro e Hugo Neto nos autos do caso EDP, "terão sido realizadas 'por ordem de Ricardo Salgado' ao 'aqui arguido, ex-ministro da Economia Manuel Pinho'”.

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