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Sustentabilidade da ADSE pode estar em causa

28 abr, 2018 - 11:34

Se não se inverter a atual situação a ADSE caminhará "rapidamente para uma situação de insustentabilidade", diz o Conselho Superior de Supervisão da ADSE.

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O Conselho Superior de Supervisão da ADSE alerta para a perda de sustentabilidade do subsistema de saúde dos funcionários públicos se dívidas que tem não forem recuperadas, o que depende de "decisões políticas".

Se não se inverter a atual situação, de aumento de despesas e perda de receitas, a ADSE caminhará "rapidamente para uma situação de insustentabilidade", diz o Conselho.

Num parecer sobre as contas do exercício de 2017 da ADSE, aprovado por unanimidade na quinta-feira e hoje divulgado, o Conselho explica que a ADSE tinha 492 milhões de euros, mas um passivo de 274 milhões em faturas não pagas.

Portanto "restam apenas 218 milhões" à ADSE, nota o Conselho.

No ativo do balanço, nota a entidade, há a conta "dívidas de terceiros -- clientes c/c" com um valor de quase 212 milhões, dos quais 32 milhões se referem a dívidas das autarquias e 180 milhões a dívidas de "clientes esporádicos".

"A recuperação destas dívidas depende de decisões políticas. Se não fossem dívidas do Estado a ADSE certamente seria obrigada a constituir uma provisão. Se a ADSE não conseguir recuperar estas dívidas, estes montantes terão de ser abatidos, com perdas efetivas para a ADSE, com consequências graves na sustentabilidade da ADSE", lê-se no parecer.

Da análise das contas da ADSE o Conselho resume que em 2017 os custos com os regimes convencionado e livre atingiriam 557 milhões de euros, a que se juntam mais cinco milhões com custos com pessoal, o que dá quase 563 milhões. As receitas foram de 573 milhões, do que resulta "um excedente de apenas 10,97 milhões de euros".

Mas além desta receita, diz-se ainda no documento, a ADSE arrecadou no ano passado mais 44 milhões de reembolsos de autarquias e mais 23 milhões de dividas do Estado (embora não recebidos).

Se tivesse sido eliminado o reembolso das autarquias, e transferido para a ADSE o custo do regime livre dos trabalhadores das autarquias, a ADSE tinha registado no ano passado um prejuízo de quase quatro milhões de euros, sem contar com os 23 milhões de euros das dívidas de "difícil cobrança" do Estado, alerta-se no parecer.

E alerta-se também para a tendência de agravamento da situação, "mesmo a curto prazo", se o ritmo de crescimento dos custos com a saúde dos beneficiários não for contido, porque é muito superior ao aumento das receitas.

O Conselho Geral de Supervisão recomenda que se dote a ADSE de "meios humanos indispensáveis a um controlo eficaz da despesa, combatendo os consumos excessivos e desnecessários, o desperdício e a fraude", para melhor utilização de recursos e contenção do elevado crescimento de custos, já que caso contrário se caminhará "rapidamente para uma situação de insustentabilidade".

E recomenda que sejam pagas as dívidas à ADSE, e que "conjuntamente com o Governo, no quadro da diminuição da receita (reembolso do regime convencionado) e de aumento de custos (pagamento pela ADSE dos custos do regime livre), se encontre uma solução que compense a ADSE".

Comentários
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  • liberato
    29 abr, 2018 lisboa 18:53
    Há uma cabala ideológica e outros interesses contra ADSE há muitos anos.Assisti a varias intervenções em que era pedida a extinção conjuntamente com a grande preocupação com os preços dos medicamentos entre outros.Uma ADSE forte e formação de serviços capazes nos hospitais periféricos significa menos doentes nos hospitais públicos centrais e distritais que mesmo assim não dao a resposta e por outro lado impede o estado de limitar/controlar custos na saúde.A ADSE e seguros privados individuais e de empresa constitui um beneficio individual e coletivo.Qual a grande empresa que nao quer os seus quadros saudáveis.?Irao trata-los noutros países?
  • Malho Modesto
    29 abr, 2018 10:03
    ..., a insustentabilidade da adse (e de outras instituições) é paralela à do estado, também insustentável e pelas mesmas razões ! se a politiquice é má para o funcionamento racional das coisas e das loisas, a partidarice é muito pior ! sejamos rectos e compreensivelmente correctos !
  • Vasco
    28 abr, 2018 Viseu 21:44
    A sustentabilidade da ADSE pode estar em causa mas há muita gente que está bem governado à custa da mesma, esta coisa de para tratar qualquer coisita ter de ir três quatro ou mais vezes à consulta e de também termos tido gente que só de uma vez foi lá buscar salvo o erro 200 milhões de Euros para tapar um buraco qualquer no OE, também não ajuda nada, digo eu, se calhar não será bem assim!
  • Cidadao...
    28 abr, 2018 Viseu 15:12
    Acabar com a ADSE apenas! Haver um e so um sistema nacional de saude para todos os cidadaos, sejam trabalhadores publicos ou privados.
  • SOVIETE
    28 abr, 2018 lisboa 14:32
    Não há paciencia nem tempo para ler artigos longos e intrincados.Mas se estado deve que pague.A ADSE existe desde anos 1960 .Há uma campanha para a sua extinção há muitos anos,A cabala vai-se construindo até extinção?Será como renda das casas os maiores de 65 anos e deficientes serão poupados?Os sovietes andam á solta.
  • MASQUEGRACINHA
    28 abr, 2018 TERRADOMEIO 13:35
    A ADSE faz, cada vez mais, lembrar as tretas dos bancos: a cada notícia que sai, passa de confortáveis superavits para tenebrosos poços de dívidas... Ninguém percebe nada, mas suponho que a ideia seja exactamente essa. De resto, com o que beneficiário paga (muito) para a SS e (muitíssimo) para a ADSE, usando ou não usando, ainda menos se percebe: como conseguirão os seguros de saúde ter tantos lucros?
  • 28 abr, 2018 aldeia 11:50
    Só pode ser má gestão.Esta noticia cheira a "esturro"!..............Que interesses estarão por detrás?