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Região do Barroso é património agrícola mundial

12 abr, 2018 - 16:54 • Olímpia Mairos

A cerimónia da entrega do certificado acontecerá no dia 19 de abril, em Roma.

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O Grupo Consultivo Científico do Programa de Sistemas Agrícolas Tradicionais de Relevância Global (Globally Important Agricultural Heritage Systems – GIAHS) declarou a região do Barroso como património agrícola mundial da FAO.

Esta foi a primeira candidatura do género em toda a Europa. A cerimónia da entrega do certificado acontecerá no dia 19 de abril, em Roma.

Para o presidente da Câmara de Montalegre, Orlando Alves, o galardão significa o “reconhecimento e a promoção das práticas de excelência que o povo do Barroso mantém na relação com o ambiente no domínio da atividade agrícola e pecuária”.

Para além da distinção e visibilidade, o autarca acredita que a distinção vai “trazer promoção turística, valorização do território, tão relevante para a nossa sobrevivência e sustentabilidade”

“É mais uma peça ornamental na catalogação de um território que tem tudo de bom”, realça o presidente da Câmara de Montalegre, lembrando que “o território, que já é dominado pela monumentalidade, qualidade arquitetónica, preservação da natureza e espécies, e que é reserva da biosfera”, ganha agora uma outra visibilidade.

“Esta classificação poderá ser uma âncora para o desenvolvimento da região, sobretudo para o turismo de natureza que tem que ser a vertente maior da nossa afirmação turística”, enfatiza.

A classificação da região como património agrícola mundial traz também uma maior responsabilidade aos municípios de Boticas e Montalegre: “se, até aqui, soubemos cuidar do território com a perfeição que nos é reconhecida e que é alvo desta distinção, a partir daqui temos que ter um cuidado mais intenso, porque não vamos querer perder este prémio”, afirma o autarca de Montalegre.

O GIAHS é uma iniciativa da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a promoção da consciencialização e do reconhecimento nacional e internacional dos sistemas de património agrícola, alertando para “a importância de proteger os bens e serviços sociais, culturais, económicos e ambientais que estes fornecem aos agricultores familiares, aos povos indígenas e às comunidades locais, promovendo uma abordagem integrada que combina agricultura sustentável e desenvolvimento rural”.

Na candidatura do Barroso estiveram envolvidas a Associação de Desenvolvimento da Região do Alto Tâmega (ADRAT), a Direção Regional de Agricultura (DRA), a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e a Universidade do Minho (UM).

O que é que o Barroso tem?

Barroso é uma região agrícola dominada pela produção pecuária e pelas culturas típicas das regiões montanhosas.

Do ponto de vista cultural, os habitantes do Barroso desenvolveram e mantiveram formas de organização social, práticas e rituais que os diferenciam da maioria das populações do país em termos de hábitos, linguagem e valores. Isso resulta das condições endógenas e do isolamento geográfico, bem como dos limitados recursos naturais que os levaram a desenvolver métodos de exploração e uso consistentes com sua sustentabilidade”.

O comunitarismo é um dos valores e costumes mais característico de Barroso, intimamente associado às práticas rurais de vida coletiva e à necessidade de adaptação ao meio ambiente.

A paisagem montanhosa está historicamente relacionada com os sistemas agrícolas tradicionais, em grande parte baseados na criação de gado e na produção de cereais. Isto deu origem a um mosaico de paisagem em que as pastagens antigas, as áreas de cultivo (campos de centeio e hortas), os bosques e as florestas estão interdependentes, e onde os animais constituem um elemento chave no fluxo de materiais entre os componentes do sistema.

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