A+ / A-

Inês disseca mosquitos e Dulce analisa pólen. São duas das Mulheres da Ciência 2018

21 mar, 2018 - 07:30

Malária, clima, ossos e nanocápsulas são as áreas de trabalho que valeram a Inês, Dulce, Margarida e Carina as Medalhas de Honra para as Mulheres na Ciência deste ano.

A+ / A-

Quatro jovens cientistas portuguesas são distinguidas esta quarta-feira com as Medalhas de Honra para as Mulheres na Ciência. Duas delas estiveram na Manhã da Renascença a falar sobre o seu trabalho.

Dulce Oliveira, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), estuda Paleoclimatologia – ou seja, “as variações climáticas ao longo do tempo”.

A proposta de investigação que a conduziu ao prémio está relacionada com as alterações climáticas. Através da análise de microfósseis de grãos de pólen, Inês quer saber aquilo que é a mudança normal do clima e distingui-la da que resulta da ação humana.

“Pretende-se que os resultados ajudem a distinguir a variabilidade climática natural das alterações associadas às atividades humanas”, diz na Renascença.

Dulce analisa “o que se passou no passado e em períodos chave do passado para compreender melhor o que está a acontecer atualmente e o futuro, para tentar prevenir”. No fundo, “olhar para o passado como chave do presente e do futuro climático”, resume.

“Passo o dia ao microscópio”, mas “o meu oftalmologista diz que não tenho problemas” nos olhos. “Um dia queixei-me de dores de cabeça, mas era cansaço”, conta.

Inês Bento, do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, pretende por seu lado perceber melhor o parasita da malária. Quer saber “se o parasita da malária tem dentro de si um relógio biológico, que é algo comum a todos organismos”.

O estudo “ainda está muito no início. Há pistas que indicam que a possibilidade está correta, mas ainda é uma hipótese”, refere.

“Ontem, passei a tarde a dissecar mosquitos para chegar às suas glândulas salivares”, partilha. O dia é, por isso, passado ao microscópio e à lupa. Inês quer saber “o que vai levar o parasita ao organismo final, que poderá ser o de cada um de nós”.

Mas os mosquitos estão vivos? “Primeiro, anestesiamos os mosquitos e depois abrimos. Inicialmente estão dentro de umas pequenas caixinhas”, explica a cientista, acrescentando que os parasitas que se encontram nestes mosquitos em concreto “só infetam o ratinho. Se por acaso nos picasse, a reação seria a de um mosquito normal”.

Carina Crucho, do Instituto Superior Técnico, é outra das distinguidas esta quarta-feira. A investigadora propõe-se criar uma nanocápsula capaz de levar um antibiótico a um sítio do corpo onde uma bactéria resistente está a causar danos.

"O antibiótico só é libertado na presença das bactérias", resumiu à agência Lusa, acrescentando que as nanocápsulas serão "sensíveis ao microambiente" em que as bactérias se desenvolvem, nomeadamente perante determinadas enzimas.

Para tornar estes transportadores de antibióticos, de tamanho microscópico, seletivos para diferentes bactérias, Carina Crucho vai usar "moléculas de açúcar".

"Se trocar o tipo de açúcares, vou interagir com diferentes tipos de bactérias", sustentou.

Margarida Fernandes, investigadora do Centro de Física/Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho, vai por seu lado trabalhar com um compósito (material obtido a partir de outros) que possa responder a estímulos magnéticos exteriores e, com isso, fazer "crescer as células" do tecido ósseo "de forma mais eficiente após uma lesão".

Para formar o compósito, com o qual pretende "imitar o ambiente celular no tecido do osso", a cientista vai usar um polímero (grandes moléculas) e nanopartículas.

As quatro cientistas vão receber as Medalhas de Honra esta manhã, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, numa cerimónia onde são esperadas as secretárias de Estado da Ciência, Maria Fernanda Rollo, e da Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro.

Cada uma das investigadoras vai receber 15 mil euros.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.