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“Um medicamento tem mais vida do que imagina”, mas só reciclamos 17%

20 mar, 2018 - 09:19

Diretor-geral da Valormed esteve na Manhã da Renascença para falar sobre a reciclagem de medicamentos. Embalagens e folhetos são reciclados e há uma parte que é incinerada.
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Não vai além dos 17% o valor da reciclagem de embalagens de medicamentos feita pela Valormed, a única entidade em Portugal responsável pela gestão dos resíduos dos medicamentos.

Os números têm melhorado nos últimos anos, mas, em termos de percentagem, ainda representa pouco face à quantidade de resíduos produzida.

“Para o ano fazemos 20 anos – a Valormed foi criada em 1999 – e hoje recolhemos um pouco mais de mil toneladas de resíduos quando há 20 anos pouco mais de 100 ou à volta de 100 toneladas”, refere o diretor-geral da empresa.

“Isto prova a adesão dos portugueses e prova também que eles próprios estão preocupados com estas questões ambientais”, mas, segundo um estudo encomendado pela Valormed, “recolhemos cerca de 17% do potencial dos resíduos”, diz Luís Figueiredo na Manhã da Renascença.

Por isso, está a decorrer uma campanha sob o lema: “Um medicamento tem mais vida do que imagina”.

“Tudo o que comprou na farmácia devolva à farmácia. Quando já não precisa, quando está fora do prazo, devolva à farmácia. As embalagens, as cartonagens, os folhetos, as colheres, as seringas doseadoras que muitas vezes se utilizam em pediatria, não deite isso no ecoponto, devolva à farmácia, porque a Valormed, no seu centro de tratamento, faz a separação e classificação dos resíduos: num tapete de triagem, separamos aquilo que é reciclável – papel, plástico, vidro. Tudo o resto, isso sim, vai para incineração”, explica o responsável da empresa.

Luís Figueiredo sublinha: “Nunca se deve, obviamente, vazar os restos. É uma fonte de contaminação para o ambiente”.

A maior parte (58%) dos medicamentos entregues na farmácia vai para incineração, “até porque os recicladores têm regras próprias a que têm que obedecer para receberem os seus resíduos e tudo o que tem restos de medicamento não pode ser entregue a esses recicladores”.

O que é incinerado tem “valorização energética – no fundo, estamos aqui a produzir energia que depois vamos utilizar”, refere o diretor-geral da Valormed.

Melhorar os níveis de reciclagem e gestão de medicamentos “vai depender dos cidadãos”, da entrega dos medicamentos que não usam nas farmácias.

“A adesão [das farmácias] não é obrigatória, mas há cerca de 2.900 farmácias em Portugal e 2.850 são aderentes da Valormed, o que prova a responsabilidade social que a farmácia, não só nesse aspeto, representa para os cidadãos e a confiança que os cidadãos têm na farmácia”, realça Luís Figueiredo.

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