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Ser mulher, ser cristã e ser "dalit" é “não existir” na Índia

08 mar, 2018 - 17:30 • Ângela Roque

Campanha da Fundação AIS alerta para a marginalização das mulheres indianas, que se agrava quando são cristãs e pertencem à casta considerada inferior no país.
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A Campanha de Quaresma da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) foi propositadamente lançada no Dia Internacional da Mulher, visando alertar para a situação em que vivem os "dalits", os mais pobres dos pobres na Índia, que são, em simultâneo, uma das comunidades cristãs mais ameaçadas no mundo.

Dos 29 milhões de cristãos que há no país, calcula-se que 60 por cento sejam "dalits", boa parte deles mulheres. A campanha tem, por isso, três protagonistas. “São três mulheres que representam um mundo inteiro de famílias a quem praticamente tudo tem sido negado”, explica a AIS.

Os "dalits" - ou "intocáveis’", como também são conhecidos - estão na base do complexo sistema de castas na Índia. Sem direitos reconhecidos, são praticamente invisíveis aos olhos da sociedade. “Há milhões de pessoas que não existem, que não têm direitos, que levam uma vida miserável. Ser 'dalit', na Índia, é sinónimo de fome, de lágrimas, de miséria e de violência. São um exemplo cruel do que a humanidade pode fazer quando se torna insensível, quando fecha os olhos”, indica a AIS.

“Amar os invisíveis”, assim se intitula esta Campanha de Quaresma, que, segundo a Fundação, pretende “sensibilizar os cristãos portugueses, e em todo o mundo, para os dramas que se continuam a viver na Índia” e para a urgência em dar resposta “a tantos milhões de homens, mulheres e crianças que lutam todos os dias desesperadamente pela sobrevivência”, porque “muitos cristãos 'dalits' têm menos de um euro por dia e só conseguem os trabalhos mais indignos e mais mal remunerados”.

Para agravar mais a situação, há sinais crescentes de intolerância para com os cristãos, apesar da constituição da Índia garantir a liberdade de religião. “São ameaçados por grupos hindus radicais que ganharam um fôlego ainda maior com a chegada ao poder de Narendra Modi, em Maio de 2014. Desde então, os episódios de perseguição religiosa aumentaram drasticamente”, garante a AIS, lamentando que a polícia nada faça, o que só tem contribuído para aumentar o “sentimento de impunidade dos grupos radicais”.

A AIS lembra que para muitos cristãos indianos “é reconfortante saber que a Igreja está perto e está presente”. É por isso que a Fundação está empenhada em “erguer capelas e igrejas nas aldeias onde há comunidades cristãs mais expressivas, dando assim um apoio concreto a milhares de famílias. Junto a cada capela, a cada igreja, cresce sempre uma cadeia de solidariedade, alimentada através da generosidade dos benfeitores da Ajuda à Igreja que Sofre”.

A campanha da AIS pode ser consultada aqui.

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