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Alemanha quer transportes públicos gratuitos em cinco cidades

14 fev, 2018 - 09:13

A medida visa evitar as sanções de Bruxelas, mas as autoridades locais duvidam que consiga ser implementada.
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O Governo alemão pretende introduzir a gratuitidade nos transportes públicos para reduzir a poluição nas cidades e prepara-se para proibir automóveis a diesel em certas metrópoles.

A medida foi conhecida esta quarta-feira e pretende responder à ameaça da Comissão Europeia de aplicar sanções a nove países da União (UE), incluindo a Alemanha, por falta de propostas para a redução da poluição do ar nas cidades.

No final de janeiro, aqueles Estados-membros ultrapassaram regularmente os limites de emissões destinadas a proteger a saúde dos cidadãos face a dois poluentes: as partículas finas (PM10) e o dióxido de azoto(NO2).

Bona, Essen, Herrenberg, Reutlingen e Mannheim são as cidades visadas, para já, pela nova medida, que já foi comunicada a Bruxelas no dia 11 de fevereiro. O objetivo é reduzir o número de viaturas particulares em circulação, num país onde reina o automóvel e um bilhete para um transporte coletivo custa mais de dois euros (2,80 euros em Berlim e 2,90 em Munique, por exemplo).

Ainda assim, o número de utilizadores de transportes públicos tem vindo a aumentar nos últimos 20 anos.

Segundo a carta enviada à Comissão Europeia, e a que agência France Presse teve acesso, a medida envolve as autoridades regionais e locais e deverá ser concretizada "o mais tardar até ao final do ano", com viagens gratuitas nos autocarros, comboios e outros transportes coletivos.

O projeto cria ainda novas regras sobre os limites de poluição e aumentar o número de transportes elétricos.

Mas as autoridades locais não parecem convencidas e querem saber como é que o governo federal vai financiar o projeto. Por exemplo, o presidente da Câmara de Bona, Ashok Sridharan, já alertou que terão de aumentar, subitamente e em grande quantidade, os autocarros e comboios ecológicos e que não conhece nenhum fornecedor que possa satisfazer tal encomenda num tão curto espaço de tempo.

No resto do mundo, as tentativas pontuais de estabelecer a gratuitidade nos transportes públicos têm-se verificado até agora impraticáveis, nomeadamente nos Estados Unidos, onde Seattle acabou por abandonar o projeto.

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