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“Já se ganhou maturidade para olhar Fátima como objecto de estudo”

31 jan, 2018 - 16:20 • Ângela Roque

Director do Serviço de Estudos e Difusão do Santuário diz que acordo com universidades vai permitir encarar e estudar Fátima como “fenómeno global”, cujo “contributo civilizacional” é preciso “dar a conhecer”.

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O Santuário de Fátima assina, esta quinta-feira, um protocolo de cooperação com várias instituições académicas que visa “estabelecer um circuito de comunicação científica, afim de se estudar o fenómeno de Fátima na sua globalidade”, explica à Renascença o director do Serviço de Estudos e Difusão do Santuário, Marco Daniel Duarte.

O protocolo prevê diversas actividades conjuntas na área da investigação, realização de seminários, acções de formação e eventos culturais, artísticos e científicos, e também a atribuição de bolsas.

“Está prevista a publicação de estudos e a realização de cursos de carácter científico, que podem gerar teses de mestrado e doutoramento”, exemplifica Marco Daniel Duarte, para quem um dos resultados imediatos mais importantes deste protocolo é a criação de um novo gabinete de estudos, o “Fátima Global”, que terá como objectivo o estudo do fenómeno de Fátima “não apenas centrado no Santuário da Cova da Iria, em Portugal, mas, sobretudo, na sua recepção a nível mundial”.

Mais do que colmatar uma falha, o novo gabinete vai permitir “que aquilo que já foi intuído ou desbravado como terreno de possível estudo, possa, em sede universitária, ser estudado devidamente por investigadores e autores que, por terem uma formação que lhes permite olhar para o fenómeno de fora da Igreja, possam aperceber-se do quão importante é este tema na actualidade”.

Para o director do Serviço de Estudos e Difusão do Santuário, o protocolo revela, desde já, uma mudança importante: “É o assumir, perante a universidade, que é o lugar de estudo por excelência, que o fenómeno religioso não se desliga do fenómeno humano e que quem estudar Fátima estará a estudar o ser humano e a sua acção no mundo contemporâneo”.

Marco Daniel Duarte diz que foi exactamente isso que o Departamento de Estudos do Santuário tentou mostrar durante as comemorações do centenário das aparições, objectivo que vê como atingido: “Neste momento, no seio da intelectualidade portuguesa, já se ganhou essa maturidade de olhar para Fátima como um objecto de estudo, não apenas do fenómeno religioso, mas de como ele acontece no fenómeno humano, portanto da acção humana. Se quisermos, é assumir que Fátima não traz apenas um contributo religioso, traz um contributo civilizacional que é preciso estudar e dar a conhecer.”

Com este protocolo, Fátima vai estar no centro da investigação científica e da formação universitária. “Vai um tema ser abordado de vários prismas, quer do ponto de vista da história, quer da sociologia ou da antropologia”, diz ainda Marco Daniel Duarte, para quem “à medida que o gabinete de estudos for tomando forma, estes contributos virão mostrar que o fenómeno da globalização está associado a Fátima”.

"Se fizermos o mapa do culto de Nossa Senhora de Fátima pelo mundo vemos que não está só associado à diáspora portuguesa. Mesmo em locais onde não há portugueses o culto a Nossa Senhora de Fátima é um culto muito importante no catolicismo actual. Também podemos perceber o impacto das viagens da imagem peregrina pelo mundo. São fenómenos que são estudáveis a partir desta temática da globalização, que é tão importante nos estudos contemporâneos.”

O novo gabinete de estudos "Fátima Global"’ vai ficar sedeado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde funciona o Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL), que também tem ligação à Universidade Aberta.

Estas serão as principais entidades signatárias do protocolo, que conta ainda com a parceria do Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes. Mas, muito do que vier a ser estudado está em Fátima: “Obviamente que a investigação passará sempre pelos arquivos do Santuário, que estão neste momento a ser organizados para poderem ser dados à consulta e poderem proporcionar estas investigações."

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  • Rui M. Palmela
    01 fev, 2018 Setubal 09:52
    Para quê protocolos e atribuição de bolsas para estudo de um 'fenómeno' que a investigadora Fina d'Armada deu a conhecer com base em documentos a que teve a cesso que permitem concluir que o que aconteceu em Fátima, em especial no dia 13 de Outubro de 1917 foi uma manifestação ovniológica testemunhada por cerca de 70.000 pessoas que obviamente encararam o acontecimento como um "Milagre do Sol" pela sua ignorância tal como aquela que demonstram ainda hoje o clero mais inculto da Igreja Católica mas que seguramente o Vaticano sabe que as Associações e grupos de Ovnilogia têm razão? Quanto ás 'Aparições' de Maio a Setembro de uma Entidade que a Igreja chamou de "Nossa Senhora de Fátima" mas que as crianças de Ourém chamavam apenas de "Senhora Luminosa", seria bom desmistificar esta questão e perceber porque é que a Mensageira Divina (ou uma projecção holográfica da mesma) de outros planos do Universo escolheu 3 infantes numa serra em Portugal para revelar uma Mensagem à Humanidade, tal como já tinha acontecido anteriormente com outras crianças em Lourdes e La Sallete, ou seja nos Alpes franceses e nos Pirinéus.