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“Portugal é muito exótico no contexto europeu e mundial”

01 jan, 2018 - 15:57 • Maria João Costa

No livro “Volta a Portugal”, o geógrafo Álvaro Domingues revela um país, de Norte a Sul com ilhas incluídas, através de imagens que fogem aos estereótipos.
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O geógrafo Álvaro Domingues acaba de lançar o livro “Volta a Portugal” que propõe um olhar diferente sobre a realidade portuguesa.

Não se trata de um guia turístico, mas permite-nos ver Portugal de Norte a Sul, ilhas incluídas através de imagens que fogem aos estereótipos.

Geógrafo de profissão, Álvaro Domingues diz à Renascença que tem todas as doenças de um profissional que olha para o território com detalhe. E fixou esses instantes em fotografias agora reunidas no livro “Volta a Portugal” (Editora Contraponto).

Página a página encontramos imagens do país que não consta dos cartazes turísticos e onde vemos os contrastes registados por Álvaro Domingues.

“O geógrafo está constantemente a interpelar as coisas: ‘por que é que isto está aqui? Isto não estava aqui. O que é que isto significa’. E Portugal é um país especialmente interessante, porque é um país muito velho, teve um processo de modernização muito tardio e feito aos soluços, de forma que é muito fácil encontrar uma coisa que é de ontem, da cultura cosmopolita e muito tecnológica, e uma outra coisa que pode ter séculos. E esta simultaneidade das coisas torna-nos muito exóticos no contexto europeu e, eu acho, que mesmo no contexto mundial”, afirma o autor de “Volta a Portugal”.

No livro, acompanhadas por textos escolhidos pelo autor, encontramos fotografias das típicas casas de emigrantes, urbanizações que ficaram a meio, publicidade com caracteres chineses ao lado de sinalética portuguesa. Imagens de dissonâncias onde não há espaço para estereótipos.

“O facto de ter sido o último país rural da Europa, de ter um modelo de desenvolvimento que ora acelera ora de repente estagna, de ser um mosaico de paisagens que vai desde o Alentejo interior sequíssimo até ao Gerês que tem das maiores pluviosidades da Europa, mais o seu passado longo, o cruzamento de culturas, a globalização, a emigração… Não podia ser mais misturado. Eu acho que ele é rebelde a qualquer carimbo que se queira pôr e eu procurei no livro um bocado essa ideia do andarilho e de procurar a diversidade das coisas”, refere Álvaro Domingues.

“Volta a Portugal” interpela quem o lê. Mostra o país das vagas emigratórias, de um interior de casas vazias que conhecemos apenas nas catástrofes como as dos incêndios de 2017, diz o geógrafo.

“Eu pretendo, sobretudo, que o leitor se interrogue: ‘este é o meu país, quem somos nós?’ Acho que falta isso. Por Portugal ser um bocado centrífugo, às vezes o discurso está muito polarizado a partir de Lisboa, são muitos séculos de centralização. Há muitos outros ‘países’ por aí. Não é preciso que aconteçam desgraças, como o caso dos incêndios, para as pessoas se aperceberem dos lados mais dramáticos desses ‘países’, porque há coisas formidáveis também dentro desse mosaico”, remata Álvaro Domingues.

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  • ADISAN
    02 jan, 2018 Mealhada 17:13
    "ILECTRISISTA" ?! Quando os nossos intelectuais (alegados linguistas) se atrevem a apresentar também uma obra idêntica a que chamaram "acordo ortográfico" (com minúsculas de acordo com o próprio "acordo"), não é de admirar que cada um escreva como lhe dá na mona. Só falta passarem a utilizar a ortografia chinesa, para mostrarem uma cultura universal.