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2017

O ano da morte de Helmut Kohl e de lendas do rock

29 dez, 2017 - 11:02 • Carlos Calaveiras , Ricardo Vieira

Presidentes e dissidentes, heróis e vilões, agentes secretos no cinema e ditadores na vida real. 2017 foi o ano da morte de grandes europeus, como Helmut Kohl e Simone Veil, e de artistas pioneiros, como Chuck Berry.
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Os manuais de História vão recordá-lo como o chanceler que arquitectou a reunificação das Alemanhas. Helmut Kohl morreu a 16 de Junho, aos 87 anos. O “bom gigante” foi um dos motores da criação do euro, a moeda única europeia, e defensor de “mais” UE para evitar a repetição dos horrores do passado.

Helmut Kohl, o "chanceler eterno" que uniu a Alemanha e a Europa
Helmut Kohl, o "chanceler eterno" que uniu a Alemanha e a Europa

Duas semanas depois desaparecia outro grande europeu. A francesa Simone Veil foi a primeira mulher a presidir o Parlamento Europeu. A advogada e política de origem judaica que sobreviveu a Auschwitz, activista dos direitos humanos, morreu aos 89 anos.

Morreu Simone Veil, a mulher mais admirada pelos franceses
Simone Veil, a mulher mais admirada pelos franceses

Desafiou o Estado chinês e foi preso. Ganhou o Nobel da Paz no ano seguinte, em 2010. Liu Xiaobo tornou-se num símbolo da luta pela democracia, desafiou o regime de Pequim e acabou os seus dias na prisão.

Morreu o dissidente chinês Liu Xiaobo, prémio Nobel da Paz
Liu Xiaobo, Nobel da Paz, lutador pela liberdade na China

Foi administrador de Timor-Leste durante a ocupação indonésia, mas também teve um papel importante na independência e foi vice-primeiro-ministro de Xanana Gusmão. Mário Carrascalão, “o amigo dos indonésios de quem os timorenses gostam”, como escreveu o jornal “Público”, morreu em Maio.

Também no mês de Maio morreu Manuel Noriega, de 83 anos. O regime ditatorial do então Presidente do Panamá chegou abruptamente ao fim na sequência de uma invasão norte-americana, em 1989. Noriega foi capturado e condenado por tráfico de droga.

Morreu Manuel Noriega, o ditador condenado por tráfico de droga
Manuel Noriega, o ditador condenado por tráfico de droga

Martin McGuinness tinha 66 anos. Pegou em armas, foi antigo comandante do movimento armado Exército Republicano Irlandês (IRA, na sigla inglesa), que defendia a separação do Reino Unido, e depois ajudou a construir a paz na Irlanda do Norte.

Morreu Martin McGuinness, o comandante do IRA que ajudou a construir a paz na Irlanda do Norte
Martin McGuinness, o comandante do IRA que ajudou a construir a paz na Irlanda do Norte

Akbar Hashemi Rafsanjani, 82 anos, foi Presidente iraniano do Irão entre 1989 e 1997, período em que promoveu a abertura económica e uma atitude menos hostil em relação aos Estados Unidos. Ao lado de Khomeini, participou activamente na revolução islâmica de 1979, que derrubou o Xá Reza Pahlavi. Considerado um “conservador pragmático”, tornou-se mais moderado com o passar dos anos. É considerado um dos responsáveis pela reconstrução do Irão após a guerra com o Iraque.

Morreu Rafsanjani, antigo presidente do Irão
Morreu Rafsanjani, antigo presidente do Irão

A 9 de Abril morreu, aos 46 anos, Carme Chacón, antiga candidata à liderança do PSOE e a primeira mulher a ser ministra da Defesa em Espanha.

O ano também assistiu à morte de um dos maiores pensadores do século XX. O sociólogo Zygmunt Bauman foi o criador do conceito de “modernidade líquida” com o qual descreveu a fluidez e volatilidade das estruturas sociais e das relações nas sociedades contemporâneas, em que se perdeu o sentimento de comunidade.

A 25 de Junho, aos 82 anos, morreu Denis McQuail, professor jubilado da Universidade de Amesterdão e um dos maiores nomes das Ciências da Comunicação.

A iraniana Maryam Mirzakhani, primeira mulher distinguida com a Medalha Fields, o mais prestigiado galardão da matemática, morreu aos 40 anos, vítima de cancro.

Este ano ficou também marcado pela morte de Hugh Hefner, empresário fundador da revista Playboy, aos 91 anos. Também no mundo dos negócios, nota para o falecimento de Liliane Bettencourt, empresária francesa e principal accionista do grupo de cosmética L'Oréal. Já o banqueiro David Rockefeller morreu aos 101 anos.

Num outro tipo de negócios, do lado negro da história, destaque para a morte de Charles Manson, um assassino em série nos Estados Unidos durante os anos 1960, e Toto Riina, 87 anos, um dos padrinhos da máfia siciliana.

Chuck Berry esteve no início de tudo. É considerado uns dos pais do género musical que, no final da década de 1940, pegou nos blues e ligou a guitarra à electricidade. Deu-nos canções como "Johnny B. Goode", "Sweet Little Sixteen" ou "Roll Over Beethoven" e influenciou os geniais Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin e tantos outros. Morreu aos 90 anos.

Morreu Chuck Berry
Morreu Chuck Berry

Fats Domino foi contemporâneo de Chuck Berry e uma referência para Elvis Presley. Cantor, compositor e pianista gravou “The Fat Man”, em 1949, canção que é hoje considerado um dos primeiros registos com sonoridade rock’n’roll.

O grunge perdeu mais um dos seus símbolos em 2017. Chris Cornell, virtuoso vocalista dos Soundgarden, Audioslave e Temple of the Dog, colocou fim à própria vida num quarto de hotel, em Detroit, após um concerto. Tinha 52 anos e lutava contra uma depressão.

​Morreu Chris Cornell, vocalista dos Soundgarden e dos Audioslave
Chris Cornell (1964-2017). O grunge perdeu um símbolo

Dois meses depois, o rock sofreu mais um golpe. Amigo do “frontman” dos Soundgarden, Chester Bennington foi encontrado morto em casa. Suicidou-se aos 41 anos. Nos Linkin Park esteve na vanguarda do movimento nu metal, vendeu milhões de discos e fez digressões mundiais. O vocalista também emprestou o seu talento aos Stone Temple Pilots e aos Dead by Sunrise.

Seis êxitos a que Chester Bennington deu voz
Seis êxitos a que Chester Bennington deu voz

Malcom Young ajudou a fundar os AC/DC na década de 70, com o irmão Angus. Um dos melhores guitarristas ritmo do mundo morreu aos 64 anos. Deixa na memória dos fãs os poderosos "riffs" que compôs à guitarra, dando origem a canções icónicas como “Back in Black”, “Highway to Hell” e “You Shook Me All Night Long”.

Seis "riffs" da guitarra de Malcolm Young, a "força motriz" dos AC/DC
Seis "riffs" da guitarra de Malcolm Young, a "força motriz" dos AC/DC

Tom Petty, Charles Bradley, Johnny Hallyday e Chuck Mosley, ex-vocalista da banda Faith No More, foram outros dos músicos que nos deixaram em 2017.

DO “REI DA LOUCURA” A MOORE, ROGER MOORE

Fazia tudo por uma boa piada, era americano, mas foram os franceses que lhe deram a melhor alcunha: “o rei da loucura”. O actor e comediante Jerry Lewis morreu aos 91 anos. Deixou meia centena de filmes e ficou célebre a dupla com Dean Martin. O segredo do sucesso? Uma boa dose de infantilidade e idiotice, disse um dia.

Também nos fez rir muito. Ficou conhecido pela personagem “René Artois”, o hilariante dono de um café francês que acolhia membros da Resistência durante a ocupação nazi, na série “Alô, Alô”. O actor britânico Gorden Kaye participou em algumas dezenas de séries de ficção, entre elas a "Till Death Us Do Part", uma das mais amadas pelo público britânico à época.

Foi Simon Templer, James Bond, salvou o mundo várias vezes (no cinema). Por detrás das personagens estava Roger Moore, um dos mais icónicos agentes secretos da saga 007. Ficou conhecido na série “O Santo” e foi protagonista em sete filmes James Bond. Morreu aos 89 anos, com cancro.

Morreu Roger Moore, o 007 humanitário
Roger Moore, o 007 humanitário

A mesma doença levou Márcia Cabrita, actriz brasileira que participou no programa humorístico “Sai de Baixo”, e Heather Menzies-Urich, que ficou conhecida como “Louisa”, uma das crianças da família Von Trapp em “Música no Coração”. Morreu na véspera de Natal aos 68 anos.

Quem também morreu, aos 89 anos, foi Emmanuelle Riva, actriz francesa que ficou mundialmente conhecida pelos papéis em "Amor", de Michael Haneke, e "Hiroshima, Meu Amor", de Alain Resnais.

Em 2017, a sétima arte também perdeu os actores John Hurt, Martin Landau, Miguel Ferrer, John Heard e Sam Shepard, que também se destacou como dramaturgo, e os realizadores Jonathan Demme, dede "Silêncio dos Inocentes" e "Filadélfia", e George Romero, mestre do terror e do género zombie.

Estes também estiveram perto de estrelas, mas de outro tipo, mesmo no espaço. A 16 de Janeiro morreu, aos 82 anos, Eugene Cernan, o astronauta norte-americano que foi o último homem a pisar a Lua, e já a 22 de Dezembro morreu Bruce McCandless, o primeiro astronauta a flutuar no espaço sem estar ligado à nave.

CAMPEÕES

No ano que agora termina o mundo desportivo ficou em choque com a morte de Michelle Scarponi, ciclista de 37 anos que morreu atropelado quando treinava. Da sua longa carreira destaca-se a vitória no Giro em 2011. Também morreu atropelado, mas quando andava de bicicleta, Nicky Hayden, piloto campeão mundial de MotoGP em 2006.

O histórico campeão de motociclismo mundial Ángel Nieto morreu a 3 de Agosto, aos 70 anos. Conquistou 7 títulos mundiais na categoria 125cc e seis na categoria 50cc e 90 vitórias. O espanhol tinha 70 anos.

O britânico John Surtees, o único a ser campeão mundial de Fórmula 1 e MotoGP, morreu aos 83 anos, em Londres. Já Timo Makinen, o “finlandês voador”, considerado um dos melhores pilotos das décadas de 60 e 70, morreu aos 79 anos.

No futebol, morreu Carlos Alberto Silva, ex-treinador do FC Porto e bicampeão ao serviço dos dragões. Também faleceu Waldir Peres, antigo guarda-redes da selecção brasileira no Mundial de 1982, aos 66 anos, Raymond Kopa, primeiro jogador francês a vencer a Bola de Ouro, e Cheick Tioté, jogador do Newcastle durante várias temporadas, aos 30 anos, durante um treino de equipa.

O halterofilismo perdeu Naim Suleymanoglu, antigo tricampeão olímpico (1988, 1992 e 1996) turco, aos 50 anos, em Istambul.

Comentários
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  • Mario
    29 dez, 2017 Portugal 13:25
    Todos morrem e isso nao e noticia nenhuma e uma realidade da vida deste planeta que todos sabem......