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Crise em Portugal

Banqueiros rejeitam culpas no pedido de ajuda externa

08 abr, 2011

“É mentira”, diz presidente do BPI. “Assim vamos percebendo como é que o país chegou a esta situação”, acrescenta.

Os banqueiros rejeitam a ideia de que tenha sido a banca a empurrar o Governo para um pedido de ajuda a Bruxelas. O presidente do BPI, Fernando Ulrich, acusa o Executivo de mentir.

Fernando Ulrich diz ser "mentira" que banca tenha levado à ajuda externa

“Ficaria profundamente decepcionado que, tendo deixado o país chegar a este ponto, o Governo desse ainda mais esse passo de destruição da confiança entre as instituições, entre as pessoas”, afirmou na última noite, numa entrevista na TVI.

“Isso é uma justificação que é mentira. Se estão a dizer isso [que a falta de liquidez na banca foi fundamental para o pedido de resgate] então é porque não perceberam nada do que se está a passar e assim vamos percebendo como é que o país chegou a esta situação”, acrescentou.

Também Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo (BES) rejeita a tese do Governo e de alguns partidos políticos e defende que foram os próprios bancos a suportar a recuperação da crise.

"Bancos portugueses estão muito bem", garante Ricardo Salgado

“Desde o início da crise, no final de 2007 até hoje, [os bancos] evitaram a crise dos produtos tóxicos, não tiveram problemas de bolha imobiliária em Portugal, conseguiram-se recapitalizar e, portanto, os bancos portugueses estão muito bem e julgo que o Banco de Portugal e o Banco Central Europeu sabem disso”, afirmou à Renascença, ontem à noite, à margem de um jantar da Câmara de Comércio Luso-Alemã, em Lisboa.

Bancos cumpriram "missão de apoio ao país", diz Faria de Oliveira

Por sua vez, e na mesma ocasião, Faria de Oliveira, da Caixa Geral de Depósitos (CGD), recordou o esforço que a banca fez para financiar o Estado: “O conjunto das instituições bancárias emprestou ou adquiriu dívida pública à República num montante muito perto daquele que constitui o financiamento junto do BCE, o que é significativo do cumprimento da missão de apoio ao país que os bancos procederam, continuando a cumprir a sua missão de apoiar a economia”.

Recorde-se que, na sequência de uma reunião no Banco de Portugal, os principais bancos portugueses decidiram, no dia 4 (segunda-feira à noite), não dar nem mais um cêntimo ao Estado, não regressando aos leilões nos próximos meses, para comprar dívida pública.

O anúncio de pedido de ajuda de Portugal foi feito no dia 6, quarta-feira, pelo primeiro-ministro.