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Francisco Sarsfield Cabral

Efeitos das desigualdades

05 jun, 2014

Desde 2008, a média de rendimentos das famílias americanas não estagnou, baixou 7,6% em termos reais (isto é, descontando a inflação). Mas uma pequena minoria enriqueceu muito.
A propósito da crescente desigualdade de rendimentos na sociedade americana mais de uma vez referi que a classe média dos Estados Unidos não melhora de nível de vida há décadas.

Dados recentes levam-me a corrigir essa ideia: de 2008 para cá a média de rendimentos das famílias americanas não estagnou – baixou 7,6% em termos reais (isto é, descontando a inflação). Mas uma pequena minoria enriqueceu muito.

Este agravamento das desigualdades coloca problemas políticos complicados aos dirigentes dos Estados Unidos: até quando permitirá a maioria do povo esta dramática evolução? É uma autêntica bomba-relógio.

Trata-se, antes de mais, de um problema ético. E que já levou milionários conscientes da situação a pedirem – sem sucesso – para pagarem mais impostos.

Mas estas disparidades de rendimentos têm também efeitos económicos negativos. É que, assim, a grande maioria dos americanos restringe os seus gastos. Restrição que nem de longe é compensada por acréscimos de compras da minoria (1%...) dos cada vez mais ricos. Daí a hesitante recuperação económica nos EUA.