Enquanto alguns dirigentes e outros responsáveis do futebol se banqueteiam à mesa de fartos mas ilusórios orçamentos, outros agentes há cujas vidas passam por momentos dramáticos e se encontram em autênticos becos sem saída.
"Salários em atraso" - uma expressão que entrou no léxico corrente, e que parece causar mal-estar somente a quantos dessa chaga são vítimas, embora os responsáveis reconheçam que se trata de um problema que alastrou pelo espectro do futebol.
Outros há, porém, que continuam a assobiar para o lado, fazendo de conta que tais situações em nada lhes dizem respeito.
O caso que por estes dias atingiu maior visibilidade respeita à União Desportiva de Leiria, cujos jogadores têm vindo a empreender diversas lutas, todas sem qualquer sucesso, devido ao não pagamento dos seus salários vai para quatro meses.
Outras notícias dão-nos conta da falta de liquidação de rendas de casa e consequentes despejos de jogadores e suas famílias e, mais dramático ainda, a dificuldade em reunir meios que permitam a sua alimentação.
No caso do clube da cidade do Liz, a situação tem ainda outros contornos.
Com o pré-aviso de greve ontem tornado público, está à vista o risco de vir a ser atraiçoada a verdade desportiva, com os consequentes benefícios ou prejuízos de outros clubes que se mantêm na mesma competição.
O estado em que se encontra o futebol não pode continuar por mais tempo.
Os dirigentes têm de assumir, de uma vez por todas, que não é possível manter tectos salariais que o futebol português não comporta, e que os compromissos, quando por eles assumidos, são para respeitar.
Noutro âmbito, mas ainda relacionado com a deficiente gestão desportiva, sabe-se que o fair play financeiro que a Uefa vai exigir aos clubes para disputarem as provas europeias será extraordinariamente exigente.
Daí que alguns estejam já a maquinar engenharias financeiras tendentes a minorar os estragos, mas continuando a esconder a mentira em que persistem viver.