Médicos consideram que se negoceia "melhor depois da greve"

09 jul, 2012 • Dora Pires

Sindicatos consideram que a recente abertura ao diálogo por parte do Ministério da Saúde não chega e sustentam que, depois da greve marcada para esta semana, haverá mais poder negocial.
Médicos consideram que se negoceia "melhor depois da greve"
"Negoceia-se melhor depois da greve." É a convicção dos dois sindicatos médicos, que voltaram esta segunda-feira a chamar os jornalistas para reiterar os motivos da greve marcada para esta quarta e quinta.

Com o bastonário da Ordem dos Médicos sentado na plateia, Roque da Cunha, do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), considerou que a recente abertura ao diálogo por parte do Ministério da Saúde não chega. Depois da greve, haverá mais poder negocial e até dispensa a intervenção do primeiro-ministro.

“A partir da participação dos médicos na greve, será um incentivo para que se perceba que os sindicatos de facto representam as aspirações dos médicos e que de alguma maneira também são o garante da manutenção da qualidade do Serviço Nacional de Saúde”, defende Roque da Cunha.

A paralisação também é em defesa dos doentes, diz Roque da Cunha, que não quer ver os doentes usados contra os médicos nos dias da greve. Por isso, apela a que os portugueses, nesses dias, não recorram aos serviços de saúde, "para não serem aproveitadas as suas doenças contra os médicos".

“É também uma greve dos doentes. Porque ao defendermos as carreiras médicas, estamos a obrigar a que os senhores doutores sejam avaliados”, sublinhou Roque da Cunha.

Os serviços mínimos estão assegurados e os médicos sublinham que antes ou depois de 11 e 12 de Julho vão resolver o impacto da greve.

A lista de reivindicações dos médicos tem agora 19 alíneas. Os sindicatos e a Ordem acreditam que dia 13 será mais fácil convencer o ministro da Saúde.