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Ministro da Saúde alerta que "sustentabilidade do SNS não está assegurada"

11 abr, 2012 • Dora Pires

Chegou o aviso ao Parlamento e não só. O Governo não está em condições de garantir a continuidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) tal como existe actualmente: ou seja, tendencialmente gratuito.
O ministro da Saúde fez a advertência esta quarta-feira no Parlamento. “Esta é a terceira vez que alerto esta câmara que a sustentabilidade do SNS não está minimamente assegurada. Mesmo com o esforço que se está a fazer ao nível dos hospitais, mesmo o esforço que se está a fazer em termos de uma política de combate ao desperdício, claramente esta sustentabilidade não está assegurada.”

Nesta interpelação sobre política de saúde promovida pelo Partido Socialista, Paulo Macedo anunciou ainda que a par de novas medidas de combate ao alcoolismo, o Ministério da Saúde vai reforçar a legislação contra o tabagismo, proibindo, por exemplo, o fumo em automóveis onde haja crianças.

“Temos a intenção de promover a restrição de fumar em ambientes fechados de modo mais abrangente, incluindo a proibição de fumar em veículos de transporte fechados quando transportem crianças”, explicou.

O ministro frisou também a intenção de exigir a colocação de “imagens mais explícitas nas embalagens, que exemplifiquem as consequências do tabagismo na saúde”. Com este exemplo Paulo Macedo tentou contrariar a imagem negra deixada pelo deputado socialista António Serrano, quando este descreveu o estado da saúde em Portugal, nomeadamente na área das doenças oncológicas.

“O que se passa na área oncológica hoje em dia é dramático, sendo muito difícil para um médico ver pessoas sentadas à sua secretária que trabalharam a vida [inteira] e entregaram na mão do Estado a prestação dos cuidados de saúde, de que um dia iriam precisar e que agora são negados”, afirmou o socialista.

“Completamente resignados, sem dinheiro para os transportes e para os exames, para os medicamentos, afirmando: ‘Doutor, sempre tenho de morrer de alguma coisa’”, foi a descrição feita por António Serrano dos doentes oncológicos. “Não podemos tolerar este tipo de coisa”, finalizou.

O ministro da Saúde garantiu que a capacidade de resposta do SNS não está por enquanto em causa e recordou que com o Orçamento Rectificativo o seu Ministério acabará por ter este ano o maior orçamento de sempre, com 9.200 milhões de euros.

Paulo Macedo alerta é para o facto de não saber até quando este modelo pode permanecer sustentável.