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Hábitos saudáveis podem prevenir mais de metade dos cancros

10 abr, 2012

Mais do que investir em estatísticas e em investigações científicas, é preciso investir na prevenção do cancro, asseguram especialistas ouvidos pela Renascença. No combate à doença, há uma via incontornável: não cair em excessos e manter uma vida saudável. 

O número de casos de cancro entre os portugueses vai aumentar nos próximos anos, garantem oncologistas ouvidos pela Renascença. O envelhecimento da população e a negligência de hábitos saudáveis são os principais motivadores do aumento. Mas, de acordo com um estudo norte-americano, mais de metade das ocorrências pode ser evitada.

Os resultados da investigação, publicada pela revista Science no final de Março, não ficam por aqui. Em declarações à Renascença, uma das autoras da pesquisa, Kathleen Wolin, defende que, a partir dos avanços científicos já realizados na área, está na hora da teoria passar à prática, não só em termos de rastreio e tratamento, mas sobretudo a nível dos comportamentos de prevenção.

"Temos feito um óptimo trabalho em melhorar a forma como tratamos o cancro nos últimos 40 e 50 anos, mas perdemos o foco na prevenção da doença", alerta a oncologista. Kathleen Wolin relembra que "é possível prevenir doenças crónicas", pondo de lado "o estigma de que é impossível curar o cancro".

Apesar do progresso na medicina oncológica, há uma "série de obstáculos", segundo a especialista, a bloquear o caminho da prevenção, não só nos Estados Unidos, mas também na Europa.

Portugueses "iletrados" quanto ao cancro
"A falta de consciência dos cidadãos" em adoptar hábitos saudáveis e "a reduzida intervenção" dos actores sociais e políticos - como o Governo, escolas e associações não-governamentais - na promoção deste tipo de mentalidade são duas das barreiras apontadas pela investigadora norte-americana e por especialistas portugueses.

“Em geral, os portugueses, face ao cancro, são um povo iletrado e com pouca consciência dos malefícios provenientes das atitudes que tomam”, refere o presidente da Associação Portuguesa de Luta Contra o Cancro do Pulmão, António Araújo.

Face à situação, a “vertente de prevenção deve ser claramente reforçada, mas é na área de programas nacionais de saúde e de educação que têm de ser desenvolvidas acções de prevenção” e não apenas através do sector oncológico, defende o presidente do Colégio da Especialidade de Oncologia Médica, Jorge Espírito Santo.

A fórmula
O tabaco, a obesidade e a falta de exercício físico são, segundo o estudo publicado, as principais causas de desenvolvimento de cancro nos Estados Unidos. Portugal não foge à regra.

Os portugueses devem ter em conta que “mais do que a herança genética e mais que outros factores individuais é, de facto, o tipo de comportamento do dia-a-dia que os vai pôr em maior ou menor risco de ter um cancro”, garante o oncologista António Araújo.

“Não consumir bebidas alcoólicas em excesso, fazer actividades físicas com alguma regularidade, evitar a exposição solar excessiva, manter o peso corporal dentro dos valores normais e fazer uma dieta mais rica em frutos, verduras e cereais” são, segundo Jorge Espírito Santo, alguns dos conselhos para prevenir o cancro.

O cancro do pulmão é a tipologia da doença com maior incidência em Portugal. Por ano, morrem em média cerca de 3.800 pessoas vítimas da patologia, dados divulgados pelo Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR).