Os médicos de família nos Açores vão poder acumular até 2500 utentes e, em troca, ganhar o dobro do salário. O acordo está prestes a ser assinado.
“São 2500, máximo dos máximos. O horário tem que ser feito em consonância”, afirma à Renascença o sindicalista Carlos Arroz, do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), segundo o qual o suplemento de remuneração “é um por mil, em função dos 1500 doentes, isto é, se o médico tiver mais mil doentes, dobra o vencimento”.
Carlos Arroz considera que a receita poderia ser adoptada no Continente, onde o Ministério da Saúde se prepara para aumentar o número de utentes por médico, mas por caminhos diferentes.
O memorando da “troika” prevê um aumento dos utentes por médico de família na ordem dos 20% nos centros de saúde e 10% nas unidades de saúde familiar. Os directores destas instituições estão agora a ser chamados a apresentar propostas para lá chegar.
O dirigente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) Mário Jorge considera que, sem mais horas de trabalho, e consequentemente aumento de salário, o resultado vai ser mais e maiores listas de espera.
“Para ‘x’ horas por semana, que é o horário normal do médico, para um universo brutalmente acrescido, naturalmente que as listas de espera por consulta vão aumentar assustadoramente”, alerta.
Os sindicatos rejeitam a criação de listas paralelas de utentes não frequentes e avisam que é preciso mudar a lei para aumentar as listas. Enquanto não houver acordo, apelam a cada médico que recuse ir além dos 1550 utentes previstos na lei actual.