Amadora-Sintra. Gestores são os culpados pela ruptura nas urgências

04 ago, 2015

Relatório do Tribunal de Contas aponta responsabilidades pela ruptura verificada no Natal à incapacidade dos gestores em planear adequadamente as escalas de médicos.
Amadora-Sintra. Gestores são os culpados pela ruptura nas urgências
A demora no atendimento aos utentes no Amadora-Sintra, na altura do Natal, é atribuída à incapacidade dos gestores em planear adequadamente as escalas dos médicos. Esta é uma das conclusões de uma auditoria do Tribunal de Contas ao serviço de Urgência do Hospital Amadora-Sintra que, no final de 2014, teve esperas superiores a 20 horas.

Aquele órgão diz que o hospital descurou, de modo irresponsável, o interesse dos utentes.

Segundo o relatório, em Dezembro de 2014 o Amadora-Sintra registou os maiores tempos médios diários de espera. No máximo, houve quem esperasse 28 horas para ser atendido no hospital.

Não seria, decerto, um caso urgente, mas nesta auditoria o tribunal sublinha que no dia 24 de Dezembro, por exemplo, o tempo médio de espera ultrapassou as sete horas, o que compara com apenas 49 minutos de espera verificados no mesmo dia do ano anterior.

A demora no atendimento naquele hospital da Grande Lisboa no Natal do ano passado foi notícia e levou o ministério da Saúde a decidir alargar o horário de funcionamento dos centros de saúde nos últimos dias de 2014.

O Tribunal de Contas detectou, em Dezembro desse ano, uma diminuição do número de horas médicas realizadas: menos 19% do que no período homólogo de 2012, por exemplo.

Mais férias e menos horas médicas
Só entre os dias 20 e 31 de Dezembro, o número de horas médicas efectivamente realizadas foi menos de metade do considerado adequado, considera o relatório, o que leva os auditores a dizer que o hospital Amadora-Sintra não acautelou a procura no período do Natal, conduzindo a uma situação de ruptura nas Urgências.

Para esta insuficiência contribuiu, segundo o tribunal, "a autorização de férias e tolerâncias de ponto, pela direcção do serviço de urgência geral, sem que ficasse assegurada a constituição de escalas de dimensão adequada, situação que infringe as normas de funcionamento previstas nos regulamentos do hospital e do serviço, além de ser contrária às boas práticas de gestão, por descurar, de modo irresponsável, o interesse dos utentes, ao não garantir a disponibilidade do serviço de urgência geral face à procura previsível para o final do ano".

Este organismo refere que se registaram "um total de 184 dias de ausência médica no serviço de urgência geral, em Dezembro de 2014, valor superior ao dos anos de 2013 e de 2012 (112 e 159, respectivamente), destacando-se, o ano passado, as ausências por férias (47%) por tolerâncias de ponto (13%) e por motivo de doença (36%)".